A industrialização e o avanço tecnológico têm sido, sem dúvida, fontes de bem-estar para a humanidade. Entretanto, esse beneficio foi conseguido sob a política econômicado menor custo e esforço, sem considerar as repercussões sobre o meio ambiente.

A multiplicação de indústrias, não acompanhada pelo controle dos seus efeitos negativo, deu lugar à poluição do meio ambiente, pondo em perigo a saúde ecológica do nosso habitat ( e, por conseqüencia, a nossa). Abordaremos o problema da poluição do ar e as conseqüencias que a inversão térmica têm sobre ela.

Este é um fenômeno particularmente importante em gande cidades como as do México e Santiago, tanto por causa de seu tamanho como por sua formação geográfica, que é caracterizada por maciços montanhosos que impedem a saída dos gases contaminados.

Em Londres, em dezembro de 1952, morreram cerca de 4000 pessoas em conseqüência de uma prolongada inversão térmica devido à combustão excessiva de carvão contaminado com enxofre. É necesário compreender as causas desse efeito para tentarmos evitá-lo.

Do ponto de vista científico, a inversão térmica é fácil de entender. Sabemos que o ar frio é mais denso que o quente (os balões inflam quando são aquecidos pela lei de Charles).

Da mesma maneira que o gelo flutua na água devido à sua menor densidade, também o ar menos denso (quente) tende a subir (e obviamente, o mais denso (frio) tende a decer).

Entretanto, quando se trata de enormes massas de ar, esse comportamento pode alter-se. Se, devido a algum fenômeno atmosférico, o ar frio circular acima de uma cidade contornada de montanhas, esse empurrará o ar quente que está embaixo. Essa compressão ocasiona a liberação de calor na separação entre ambos.

Quando acontece a inversão térmica, o aquecimento produzido pela compressão do ar frio provoca uma inversão na variação do perfil de temperatura em função da altura.

O ar frio perde a tendência a deer, pois embaixo dele existe um ar ainda mais frio e mais denso, enquanto o ar quente pára de subir, pois acima dele existe um ar mais quente e menos denso. Dessa maneira, o ar existente acima da cidade fica preso e não pode sair.

As inversões térmicas são muito freqüentes. Ao amanhecer, a região de inversão de temperatura encontra-se muito próxima do chão e o ar começa a ser poluído com os gases emitidos pelos carros e pelas indústrias.

Em condições normais, o aquecimento posterior devido ao Sol faz com que o perfil invertido se eleve, em torno do meio-dia a situação se normaliza. Entretanto, nos dias de inverno, a camada superior de ar frio pode ser muito espessa, ou então o Sol não fornece suficiente calor, de maneira tal que a inversão persiste durante todo o dia.

Se a inversão durar vários dias, a concentração de poluentes pode elevar-se a níveis perigosos. Em Londres, bastaram seis dias de inversão para provocar a tragédia de 1952. Em vez de torcermos para que a inversão térmica não dure tanto, devemos reduzir substancialmente a emissão de poluentes. Isso diminuirá o risco de uma inversão prolongada com conseqüências