PONTO E VÍRGULA

O ponto-e-vírgula é um sinal utilizado quando a pausa desejada não é nem tão breve quanto a vírgula, nem tão longa quanto o ponto. O ponto-e-vírgula é, pois, uma pausa intermediária entre o ponto e a vírgula.

Quando usá-lo?

1) Em enumerações (muito usadas em textos jurídicos - leis, artigos, decretos, etc. - e em livros didáticos), principalmente se os elementos enumerados forem relativamente extensos e numerosos.

Exemplo: Havia vários fatores que corroboravam sua personalidade violenta: morava numa região muito violenta, na qual tiros e facadas eram algo comum; nunca teve acesso à escola e à boa informação, por não desfrutar as condições econômicas básicas para isso; era espancado pelo pai quando tinha seis anos de idade; etc. Veja que cada elemento enumerado é um período composto, com mais de uma oração (verbo) cada um.

Essa extensão exige uma pausa maior que a vírgula, mas não tão grande quanto o ponto. É aí que entra o ponto-e-vírgula. Você também deve ter notado que entre o último elemento e o etc. também houve o ponto-e-vírgula. Quando os grupos são separados pelo ponto-e-vírgula, o etc., se der continuidade a essa enumeração, deve ser precedido pelo mesmo sinal.

2) Quando a vírgula marca a omissão de um verbo, pode haver, antes do sujeito desse verbo, uma pausa representada pelo ponto-e-vírgula ou pelo ponto simples. Exemplo: O general não temia o que lhe podia acontecer; os soldados, sempre (temiam);

O general não temia o que lhe podia acontecer. Os soldados, sempre (temiam). Se a pausa em questão fosse marcada por uma simples vírgula, o sujeito os soldados poderia ser visto como um elemento intercalado (ver Vírgula), isolado por vírgulas, o que prejudicaria a fluência da leitura: O general não temia o que lhe podia acontecer, os soldados, sempre. Notou como não ficaria bom?

3) Quando você achar que há excesso de vírgulas, uma muito perto da outra, apele ao ponto-e-vírgula entre orações ou termos mais extensos. Em determinadas situações, é um elemento indispensável à boa seqüência do texto. Exemplo: Eles sabiam de tudo o que se passava no colégio interno, mas, como já era de se esperar, nunca fizeram nada. Há uma oração (negrito) entre mas e sua oração (nunca fizeram nada).

E antes do mas há outra vírgula. Poder-se-ia usar o ponto-e-vírgula antes do mas, a fim de diminuir essa virgulada toda e estabelecer uma pausa: Eles sabiam de tudo o que se passava no colégio interno; mas, como já era de se esperar, nunca fizeram nada. Esse não é um caso obrigatório.
 
O sinal é elucidante, enfatiza o caráter adversativo (contrário) da oração introduzida pelo mas, porém poderia ter sido empregada a vírgula também.

4) Há ainda o caso das conjunções intercaladas. Quando optamos por colocar esses conectivos entre vírgulas (em posição não-inicial na oração), o ponto-e-vírgula é uma ótima opção para marcar a pausa entre as orações. Vejamos: Jonas tem muito dinheiro; não pode, porém, desfrutar suas vantagens.