Ouvimos na escola a todo instante frases como esta: Quando me formar, trabalharei muito para vencer.
Se prestarmos a devida atenção ao que
esta frase realmente significa, verificaremos que ela coloca três
questões bastante importantes para reflexão. Primeira questão: a frase
como um todo representa um desejo pessoal, uma promessa de se tornar um
profissional competente pelo trabalho.
Segunda questão: a frase é a
expressão de uma realidade atual e de uma realidade futura: a realidade
atual é a do estudo, do esforço pela formação; a do futuro, pelo esforço
do trabalho profissional. Terceira questão: a frase opera uma
aproximação de conteúdos entre estudo e trabalho, que leva a indagar: estudar é uma coisa e trabalhar é outra? ou entre estudo e trabalho há mais semelhanças que diferenças?
Este é o ponto. Ao separarmos normalmente os conteúdos de estudo e trabalho acabamos operando, sem querer, uma desvalorização do sentido de estudo.
Parece que este é apenas preparatório, uma ruela para chegar à grande
avenida, uma estrada vicinal para atingir a rodovia. Será isso mesmo?
Bem pensado, não. A diferença entre estudo e trabalho é questão de
detalhe. Estudar é, sob muitos aspectos, trabalhar.
E,
muitas vezes, é mais difícil estudar que trabalhar. O candidato que se
prepara para o vestibular teve de percorrer um longo caminho: nove anos
de ensino fundamental e três anos de ensino médio de muito esforço,
muita determinação. E, se isso ainda não bastou, a maratona continua com
um ou mais anos de cursinho, o que sempre significa esforço redobrado
na maior parte das horas do dia.
Alguém pode comentar que o trabalho é remunerado, e o estudo, não. Como não? Uma das remunerações desses doze ou mais anos de estudo é justamente a aprovação no vestibular: é uma bela remuneração. Além do mais, é preciso considerar que o estudo traz uma remuneração permanente, que é o desenvolvimento dos conhecimentos, habilidades e da própria personalidade do estudante. Quem estuda está sempre ganhando essa remuneração.
Outro aspecto a observar: mesmo não
sendo aprovado em exames vestibulares, um estudante não perdeu sua
remuneração: ao contrário, a formação que recebeu ao longo de mais de
doze anos de ensino fundamental, médio e preparatórios permite-lhe
encarar o futuro sem medo.
Está preparado e, se continuar tendo esforço e
determinação, poderá obter, numa carreira ou numa atividade não
universitária, um sucesso equivalente ou até maior do que obteria com um
diploma.
A vida está repleta de exemplos de pessoas que não cursaram
ensino superior e tiveram sucesso enorme em outras atividades, sucesso
muitas vezes maior, tanto em termos de realização profissional como
financeira.
Em conclusão: há mais semelhanças do que diferenças entre estudo e trabalho. Quem trabalha, ao mesmo tempo em que produz algo, se produz como profissional e como homem. Quem estuda, ao mesmo tempo em que constrói conhecimentos, se constrói como profissional e como homem, tornando-se apto a enfrentar qualquer desafio que o futuro venha a apresentar.
Não tenha dúvida ou receio de dizer, portanto, depois de um dia extenuante de preparação para os exames vestibulares: Ganhei meu dia. Trabalhei bastante hoje.


