Obra inspirada na vida do pai do autor. Vindo da Paraíba, o pai de Jorge Amado participou das lutas pela conquista e posse das terras cacaueiras no sul da Bahia, e plantou a fazenda Auricina onde nasceu o escritor.
Quando menino, Jorge Amado testemunhou uma tocaia em que seu pai foi ferido gravemente.

Desde cedo, Jorge Amado se preocupou com os problemas humanos dos trabalhadores das roças de cacau, posteriormente, convivendo com o povo baiano, em Salvador, testemunhou as injustiças e dramas originados do preconceito social e racial.

Em Terra do sem fim, sua melhor obra do ciclo do cacau, apresenta-nos um legítimo bangue-bangue à brasileira. Dois poderosos proprietários rurais disputam a última reserva de mata nativa onde estão as terras mais férteis para o plantio de cacau.
Os Badarós e Horácio Silveira disputam na Justiça, na política e nas armas o domínio da região de Tabocas, atual Itabuna.

Em meio à violência dos confrontos abertos das tocaias e das disputas judiciais, também os casos amorosos continuaram causando escândalos, dissensões e mortes.
Ester, mulher de Horácio, encontra nos braços de Virgílio o amor delicado e cavalheiresco que seu marido nunca lhe dera.

Margot, amante de Virgílio, encontra em Juca Badaró um consolo para o amor traído.
Horácio, depois de mandar matar Juca por causa dos negócios e de conseguir a posse e o domínio da mata do Sequeira Grande, manda matar Virgílio seu aliado, amigo e advogado para lavar a honra de marido traído. Virgílio, mesmo sabendo do perigo, escolhe morrer para ficar perto de Ester.

E os enormes cocos de cacau que as lavouras do Sequeiro Grande produzem, um ano antes do normal, são explicados pelo adubo extra de sangue humano ali derramado em abudância como vaticinava o feiticeiro Jeremias.