Toni Brandão é autor multimídia, com projetos para literatura, teatro, televisão, internet, cd e Cd-rom.

Com o advento e popularização da internet, tem aumentado muito o interesse pela profissão de escritor. Um mercado que antes se via restringido quase que exclusivamente aos jornais, revistas e livros, além é claro da televisão, agora ganha novas formas e espaços e faz a profissão mais acessível para os interessados. Sendo assim entrevistamos o escritor Toni Brandão para lhe mostrar o caminho para aqueles que pretendem se tornar escritores. Seus livros discutem, de maneira clara, bem humorada e informativa, temas próprios para os leitores pré-adolescentes e jovens. Falam das relações afetivas, da descoberta do amor pela ótica de um garoto ou de uma garota, sobre filhos de pais separados e novos casamentos dos pais, entre outros temas atuais, sempre numa linguagem coloquial, íntima do leitor.


Toni Brandão durante o tempo em que trabalhou na adaptação do clássico Sitio do Pica Pau Amarelo para a tv. Ao seu lado Ziraldo.

Toni criou, para a Rede Globo de Televisão, o seriado Irmãos em Ação, uma adaptação de seu livro Foi ela que começou, foi ele que começou , e também As Aventuras de Zeca e Juca, que conta a história de dois garotos que vivem suas aventuras debaixo da água. Foi ainda um dos roteiristas da nova versão do Sítio do Picapau Amarelo , de Monteiro Lobato.

Cinco dos livros de Toni Brandão já foram adaptados para montagens teatrais: Foi ela que começou, foi ele que começou , Cuidado: garoto apaixonado , Grogue , Guerra na casa do João e Louco por uma gata . Alguns lhe renderam prêmios como APCA, Mambembe e Coca-Cola.

Em 1998, foi um dos finalistas do Prêmio Sharp de Música, com o cd Tutu, o menino índio , que fala sobre o ritual de iniciação de um garoto indígena. A história é contata por Rita Lee e interpretada por Marisa Orth, Gerson Abreu, Vânia Bastos, André Abujamra e Lígia Cortez, entre outros.


Um dos maiores sucessos do autor.

Toni Brandão também cria textos de ficção para a internet. Em 2005, escreveu Flor da Amazônia , história em dez capítulos, para o site Brincando na Rede.

Com cerca de vinte livros infanto-juvenis publicados, Toni já vendeu mais de 1 milhão de  exemplares.
  • Nome: Toni Brandão
  • Formação: Publicidade
  • Formado pela: ESPM - SP
  • Profissão: Escritor
  • Áreas de Atuação: Livros Infanto-juvenis, roteiros para tv e cinema, internet e cd-roms.


Por que você escolheu a carreira de escritor?

R: não sei bem. Um acúmulo de razões talvez. Algumas delas: a vontade de ser muita coisa e/ou muita gente ao mesmo tempo. a vontade de pesquisar e refletir sobre alguns assuntos para matar a minha curiosidade, que é grande.

Você está satisfeito com sua carreira? Ainda faria a mesma escolha hoje em dia? Por quê?

R: Estou satisfeito com a minha escolha e com a minha carreira, embora eu acredito que tenho que aprender muito, crescer muito... talvez por ser escritor há 15 anos, eu não me vejo sendo outra coisa; e como há chances de crescer em várias direções, há muito o que aprender, e isso me satisfaz.

Qual você considera a maior vantagem da sua carreira?

R: Parece redundante, mas é a possibilidade de mergulhar por, mais ou menos, um ano em um assunto, tentar aprendê-lo, tentar entendê-lo e tentar dar elementos para que quem lê meus livros, vê as minhas peças ou os meus programas de TV, encontrem no que crio a possibilidade de se divertir, se emocionar, refletir... Depois no ano seguinte, no projeto seguinte, começar tudo do zero novamente. Essa possibilidade de ser um nômade me agrada.

Quais são as maiores dificuldades da profissão?

R: A falta de autoconfiança é a principal, pois, até uma pessoa no Brasil acreditar que pode viver de literatura/ficção e concretizar essa possibilidade, ela já perdeu um tempão.

Pulada essa dificuldade, acho que as demais são as pertinentes a qualquer outra profissão: enfrentar desafios com respeito e tranquilidade, ser ético, saber aproveitar da melhor maneira possível as possibilidades que se apresentam, se preparar para ser bom no que se propôs a fazer, não temer a competitividade natural...

A formação universitária foi muito importante para a execução das tarefas exigidas na sua profissão?

R: A formação intelectual e humana são mais importantes do que uma universidade, porém, a formação universitária aproxima você do lado técnico da profissão e proporciona a possibilidade de experimentar, ouvir pessoas experientes e que em tese entendem melhor do assunto do que quem está estudando, mas nada disso tem valor se você não tiver muito claro qual é o seu foco dentro da profissão e como fazer para chegar até ele.

Que conselhos você dá para quem quer seguir a carreira de escritor?

R: Aproxime-se da literatura (ou do meio que você escolher para divulgar as suas idéias) com todas as suas possibilidades, tente entender os mecanismos da literatura (ou do outro meio) e como você pode interagir com esses mecanismos, acrescentando o que lhe interessa acrescentar mas respeitando o que já foi feito, mesmo que seu interesse seja romper totalmente com tudo o que já foi feito.

Quais passos devem ser tomados por quem quer seguir esta carreira?

R: Ler bastante, conhecer as correntes literárias e o seu contexto, não ter preguiça de mexer no texto até que ele chegue onde tem que chegar... Acho que seguir esses três passos não fará mal a ninguém.

Como você avalia o mercado de trabalho para novos escritores?

R: O mercado é tão grande quanto competitivo. há muito para ser feito, porém, só se estabelece quem tem talento e sabe utiliza-lo de uma maneira objetiva, mesmo sendo a literatura algo tão subjetivo. além do serviço que prestam à formação cultural de um povo, as Editoras são empresas com fins lucrativos muito nítidos e elas sabem o que precisam fazer para atingir esses objetivos.

Toni Brandão, se possível gostaria que descrevesse seu trabalho.

R: vamos tentar.

Como funciona todo processo de criação de um livro?

R: Eu parto sempre de um tema. quero falar sobre um determinado assunto. Aproximo-me desse tema, tento ver o que já foi feito e como foi feito e tento encontrar no tema uma brecha, um ponto de vista, ainda pouco explorado sobre o assunto...

Aí, eu começo a formatar a minha história tendo em vista o tema que me interessou trabalhar, crio os personagens para agirem dentro do tema... e tento deixar que a história, organicamente vá se desenvolvendo.

E os procedimentos de envio para editora?

R: Depois da história escrita, eu mando para a Editora com a qual já combinei que publicaria o livro, durante o processo de criação. Isso, no meu caso, que já escrevo há muitos anos e para várias editoras. de alguma maneira, as editoras com quem mais trabalho, já esperam o meu original para uma determinada época do ano, etc.

No caso dos autores que ainda não foram publicados, em minha opinião, eles devem mandar seus originais para o maior número possível de editoras, até tentar emplacar em uma.

Uma grande editora recebe aproximadamente 6.000 originais por ano e lança algo em torno de 20/30 livros/ano, em alguns casos, até menos.

E os procedimentos para publicação?

R: No meu caso, quando mando o original, ao mesmo tempo em que a Editora envia-o para a revisão, ela também já envia a história para a pessoa que combinamos que seria o ilustrador, para que ele adiante o trabalho.

Quando o livro volta da revisão, eu faço uma reunião com o Editor para sabermos se há alguma sugestão de alteração, além dos erros ortográficos ou de digitação. Geralmente, no meu caso, há poucas sugestões de alteração e dizem respeito mais a continuidade da história, algum pequeno detalhe que eu deixei escapar ou não está muito claro

Depois dessa reunião, geralmente, o ilustrador concluiu seu trabalho, nós aprovamos juntos (o editor e eu) e as ilustrações e a capa e livro entram em produção gráfica, impressão...

Uma vez impresso, o livro vai para a divulgação escolar (que faz com que os livros sejam divulgados nas escolas),

Para o depto. de imprensa (que divulga na imprensa, óbvio) e para o departamento de vendas (que fará os livros chegarem às livrarias e às escolas que vão adotá-lo).

Meus livros são vendidos tanto nas livrarias quanto nas escolas. A venda em escolas representa quase 70% das vendas totais.

Como funcionam os contratos de publicação?

R: os contratos de publicação duram em média 5 anos e os autores são remunerados entre 2,5% e 10% do preço de capa, a depender da política da Editora e do projeto ao qual o livro faz parte.

Considerações finais:

"Nada disso importa se a história não agradar aos leitores".

Quem quiser se corresponder com o autor pode escrever para:
tonibrandao@tonibrandao.com.br