Outro aspecto avaliado na redação é o da variedade lingüística utilizada. Para o desenvolvimento do tema proposto, é necessário o uso da língua escrita culta, ou, em outras palavras, do português escrito padrão.

Essa variedade lingüística é utilizada para a circulação do saber e da informação. Por isso mesmo, seu domínio é importante fator de inclusão. Por meio de seu desempenho na competência I (Dominar a Língua Portuguesa em sua norma culta), o aluno saberá o seu nível quanto a esse domínio.

Para evitar deslizes ortográficos ou mesmo desvios gramaticais, como de concordância ou regência, recomendase que o aluno escreva antes um rascunho e só depois de uma boa revisão passe sua redação a limpo no espaço adequado.

Pela competência III (Defender um ponto de vista por meio da seleção, organização e interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos), considera-se a coerência ou a boa formação do texto, que depende não só de conhecimentos lingüísticos, mas também do chamado “conhecimento do mundo”.

Para tanto, valem o conhecimento agregado pelo aluno na escola e a experiência de vida. A competência IV (Fazer uso adequado dos recursos léxicos e gramaticais necessários para a construção da argumentação) irá revelar a capacidade de articular as partes do texto.

Aqui é importante o uso correto dos mecanismos articulatórios da língua, os instrumentos de coesão, como os conectivos, os tempos verbais, a pontuação etc.

Por fim, temos a competência V (Elaborar proposta que contribua para a solução do problema tratado no texto, respeitando os valores humanos e a pluralidade cultural).

O que o participante deve fazer é incluir em seu projeto de texto uma proposta de intervenção para a solução do problema tratado no texto.

Essa competência é reveladora da capacidade de reflexão crítica sobre a realidade e da participação responsável nas mudanças necessárias dessa realidade. Ao incluir essa competência em seu exame, o Enem sinaliza para o papel da escola como formadora de cidadãos.

A proposta de redação inclui ainda algumas recomendações, como a que se refere ao número de linhas. É difícil imaginar um texto com um mínimo de consistência argumentativa com menos de 15 linhas.

Outra recomendação explícita diz respeito ao gênero a ser utilizado. O texto deve ser escrito em prosa e não em verso. Seria difícil uma avaliação objetiva e uniforme de textos em forma de poema.

Deve se evitar ainda redações em forma de diálogo, pois esse tipo de estrutura é mais freqüente na narração do que na dissertação.

Embora não haja na prova recomendação quanto ao tipo de letra a ser usado, é evidente que o texto precisa apresentar um mínimo de legibilidade.

Uma redação totalmente ilegível não tem como ser avaliada. Se os participantes do Enem 2005 levarem em conta todas essas recomendações, por certo terão um bom desempenho na prova de redação.

Reginaldo Pinto de Carvalho*
* Professor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da USP.