Dissertação é um texto que se caracteriza pela exposição, defesa de uma idéia que será analisada e discutida a partir de um ponto de vista. Para tal defesa o autor do texto dissertativo trabalha com argumentos, com fatos, com dados, os quais utiliza para reforçar ou justificar o desenvolvimento de suas idéias.

Organiza-se, geralmente, em três partes:

  • Introdução - onde você explicita o assunto a ser discutido, com a apresentação de uma idéia ou de um ponto de vista que pretende defender.

  • Desenvolvimento ou argumentação - em que irá desenvolver seu ponto de vista. Para isso, deve argumentar, fornecer dados, trabalhar exemplos, se necessário.

  • Conclusão - em que dará um fecho coerente com o desenvolvimento e com os argumentos apresentados. Em geral, a conclusão é uma retomada da idéia apresentada na introdução, agora com mais ênfase, de forma mais conclusiva, onde não deve aparecer nenhuma idéia nova, uma vez que você está fechando o texto.

  • O texto dissertativo argumentativo destina-se ao chamado "leitor universal", ou seja, a qualquer pessoa que tenha acesso a ele. Devem ser textos abrangendo conceitos amplos, genéricos, evitando particularizar situações. As construções mais adequadas, procurando evitar-se a 1 pessoa do singular, seriam:

                    "Notamos que grande parte dos brasileiros..."
                    "Observa-se que uma parcela da população..."

    Modelo de uma redação considerada entre as melhores, pela correção Fuvest, Vestibular 2004. Para ler outras escolhidas, vá ao endereço: http://www.fuvest.br/vest2004/bestred/bestred.stm

    Vestibular Fuvest 2004

    Redação
    Nos três textos abaixo, manifestam-se diferentes concepções do tempo; o autor de cada um deles expõe uma determinada relação com a passagem do tempo. Leia-os com atenção:

    Texto I
    Mais do que nunca a história é atualmente revista ou inventada por gente que não deseja o passado real, mas somente um passado que sirva a seus objetivos (...) Os negócios da humanidade são hoje conduzidos especialmente por tecnocratas, resolvedores de problemas, para quem a história é quase irrelevante; por isso, ela passou a ser mais importante para nosso entendimento do mundo do que anteriormente.
    (Eric Hobsbawm, Tempos interessantes: uma vida no século XX)

    Texto II
    O que existe é o dia-a-dia. Ninguém vai me dizer que o que aconteceu no passado tem alguma coisa a ver com o presente, muito menos com o futuro. Tudo é hoje, tudo é já. Quem não se liga na velocidade moderna, quem não acompanha as mudanças, as descobertas, as conquistas de cada dia, fica parado no tempo, não entende nada do que está acontecendo.
    (Herberto Linhares, depoimento)

    Texto III
    Não se afobe, não,
    Que nada é pra já,
    O amor não tem pressa,
    Ele pode esperar em silêncio
    Num fundo de armário,
    Na posta-restante,
    Milênios, milênios
    No ar...

    E que sabe, então,
    O Rio será
    Alguma cidade submersa.
    Os escafandristas virão
    Explorar sua casa,
    Seu quarto, suas coisas,
    Sua alma, desvãos...

    Sábios em vão
    Tentarão decifrar
    O eco de antigas, palavras,
    Fragmentos de cartas, poemas,
    Mentiras, retratos,
    Vestígios de estranha civilização.

    Não se afobe, não,
    Que nada é pra já,
    Amores serão sempre amáveis.
    Futuros amantes quiçá
    Se amarão, sem saber,
    Com o amor que eu um dia
    Deixei pra você.
    (Chico Buarque, "Futuros amantes")

    Redija uma DISSERTAÇÃO EM PROSA, na qual você apontará, sucintamente, as diferentes concepções do tempo, presentes nos três textos, e argumentará em favor da concepção do tempo com a qual você mais se identifica.

    Redação n5 - “O tempo de cada um, cada um a seu tempo”.


    Talvez uma das maiores conquistas da humanidade em sua evolução das cavernas à sociedade moderna seja o conceito de tempo. Com a idéia de passagem do tempo, está a idéia de evolução, de mudança, de expectativas que virão, de lembranças do que já veio. A concepção de tempo nos diferencia dos demais elementos da natureza – animais, vegetais, seres inanimados em geral, todos estes vivem em um cotidiano atemporal, perene, interrompido apenas com a morte (para os seres vivos) e a destruição. O homem consciente do tempo é consciente de sua mortalidade, de sua condição efêmera e talvez por isso busque a cada momento modificar o mundo que o rodeia e interagir com seus componentes. Talvez seja o próprio tempo que nos faz verdadeiramente humanos.

    Por ser o tempo um conceito humano, tantos existe, quanto os seres que o concebem. Para uns, o tempo é história, aprendizado com as experiências passadas, referencial para nossa compreensão do mundo; o tempo de Hobsmann, crítico analítico, manancial de conhecimento. Para outros, o tempo é o instante, é presente, efêmero, é agora, sem maiores divagações; o tempo de Heriberto, fugaz e irreversível. Alguns, por fim, vêem o tempo com olhos contemplativos, num amanhã sem pressa, por ser inevitável. Tudo chegará um dia, como o amor da canção de Chico Buarque. Nada é para já, e certas coisas serão o que são, não importa em que época. Certas coisas desafiam o próprio tempo.

    A verdade talvez resida nos versos do músico. O tempo, surgido para dar um sentido à existência humana, acabou por escravizá-la. O homem moderno é refém do tempo, seja ele passado ou presente. Sem perder tais tempos de vista, poderia ser mais interessante voltar os olhos para o futuro, aguardar sua chegada com calma, dele desfrutar quando tornar-se presente e dele recordar-se quando virar passado. Seria um resgate à serenidade das eras atemporais, sem descuidar do progresso e da necessidade de mudar que a idéia de tempo traz ao homem.

    “Não se afobe não, que nada é pra já”.