Não foi à toa que o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) tornou-se a prova mais esperada do ano por estudantes de todo o Brasil.

Um bom desempenho no Enem garante ingresso no ensino superior gratuito, bolsas em faculdades privadas de primeira linha, financiamento estudantil a juros baixos e até entrada em cursos técnicos profissionalizantes.

No início de 2017 o Enem passou por uma bela reformulação. A estrutura mudou, a aplicação agora é outra e alguns usos da nota do Exame foram repensados. Só as provas continuam difíceis e trabalhosas, como sempre.

Veja a seguir tudo o que você precisa saber sobre as provas do Enem para fazer um exame nota 1.000!

As provas do Enem

O Enem é composto de uma redação e de quatro provas objetivas, uma para cada área do conhecimento:
• Matemática e suas Tecnologias
• Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
• Ciências da Natureza e suas Tecnologias
• Ciências Humanas e suas Tecnologias

Repare que a nomenclatura das provas é diferente do que vemos na escola (Português, Geografia, História, etc.). Mas não se preocupe: as disciplinas tradicionais continuam existindo, só que dentro de cada área de conhecimento, da seguinte forma:
• História, Geografia, Filosofia e Sociologia aparecem na prova de Ciências Humanas.
• Física, Química e Biologia, na de Ciências da Natureza.
• Língua Portuguesa, Língua Estrangeira (Inglês ou Espanhol), Literatura, Artes, Educação Física e Tecnologias da Informação e Comunicação, na de Linguagens.
• A prova de Matemática é a única que trata de apenas uma única disciplina.

Cada prova objetiva tem 45 questões de múltipla escolha. Elas são desenvolvidas para testar a proficiência do candidato em diferentes níveis de conhecimento do ensino médio. Para se dar bem é preciso ter todo o conteúdo na ponta língua e demonstrar maestria em interpretação de texto.

Essa última habilidade, aliás, está presente em todas as provas, até na de Matemática, e será testada à exaustão.

As provas exigem que o candidato também tenha pensamento rápido. São pouco mais de dois minutos e meio para cada questão (descontando o tempo necessário para revisar e marcar o cartão-resposta). É uma verdadeira maratona do conhecimento. Por isso é tão importante enfrentar o desafio bem preparado.

Além das quatro provas objetivas, é preciso também produzir uma redação do tipo dissertativo-argumentativo. O texto deve conter no máximo 30 linhas e nele o candidato precisará demonstrar seus conhecimentos a respeito de um assunto indicado pelo Enem no dia da prova. Geralmente são temas voltados a questões sociais da atualidade.


Quando são aplicadas as provas do Enem

O Enem acontece apenas uma vez por ano, geralmente em novembro. O Exame dura dois dias.

Aqui a dica é ficar atento ao prazo de inscrição, que abre bem antes da realização das provas, no mês de maio. Se o candidato perder o período de inscrição, não vai conseguir fazer o Exame, nem que para isso tenha a melhor justificativa do mundo.

Os resultados saem em meados do mês de janeiro. Logo em seguida começam os processos seletivos para uma vaga no ensino superior. 

Onde utilizar as notas das provas do Enem

O Enem é o critério de classificação usado nos grandes processos seletivos promovidos pelo Governo Federal: o ProUni, o Sisu e o FIES.

Todos os três acontecem duas vezes ao ano, no início de cada semestre letivo, na seguinte ordem:

Sistema de Seleção Unificada (Sisu): O Sisu distribui vagas em universidades públicas de todo o Brasil. Tem para todo tipo de curso, inclusive os disputadíssimos Medicina e Direito. Dos três, é o processo seletivo mais concorrido. Para participar basta ter feito o Enem mais recente e não ter zerado na redação.

Programa Universidade para Todos (ProUni): O ProUni concede bolsas de estudos integrais e parciais em universidades privadas reconhecidas e bem avaliadas. Os critérios de participação aqui são mais rígidos: é preciso ter feito o Enem mais recente, com desempenho de pelo menos 450 pontos na média das provas (não pode ter zerado na redação) e se encaixar nos critérios de escolaridade e renda exigidos pelo MEC. A concorrência é quase tão alta quanto a do Sisu.

Fundo de Financiamento Estudantil (FIES): O FIES oferece a oportunidade de financiar um curso superior em faculdade privada a juros baixos e prazo longo para quitação da dívida. Dos três, é o único que não exige participação no Enem mais recente: o candidato pode apresentar o desempenho de qualquer edição a partir de 2010 – desde que tenha pelo menos 450 pontos na média das provas e nota maior que zero na redação.


Fora desse circuito, existem outros processos seletivos que utilizam a nota do Enem e podem ser bem úteis para turbinar a carreira.

Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec): O Sisutec é um processo seletivo bastante similar ao Sisu. Por meio da nota no Enem, o candidato pode conquistar uma vaga em cursos técnicos gratuitos (de nível médio) em diversas instituições de ensino do país. São formações altamente especializadas, com foco nas demandas do mercado de trabalho.

Ingresso direto em faculdades privadas: Cada vez mais faculdades particulares estão aderindo a essa modalidade de seleção. Com o ingresso direto, o candidato só precisa apresentar a nota obtida no Enem e, se atender ao desempenho mínimo exigido, já garante a vaga. É um processo rápido e descomplicado, sem qualquer burocracia. No entanto, o modelo de seleção pode mudar de acordo com a instituição. Consulte o edital de ingresso via Enem do local onde você quer estudar.


Aproveitando o embalo, separamos algumas instituições de ensino bem avaliadas junto ao MEC onde você pode entrar com ingresso direto (elas também costumam participar do ProUni e do FIES):

Universidade Estácio de Sá (UNESA)
Centro Educacional Anhanguera (ANHANGUERA)
Centro Universitário UNISEB (UNISEB-Estácio)
Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL)
Universidade Cidade de São Paulo (UNICID) 
Universidade de Franca (UNIFRAN)
Universidade Norte do Paraná (UNOPAR)
Centro Universitário do Distrito Federal (UDF)
Faculdade Pitágoras (PITÁGORAS) – em Minas Gerais
Faculdade Unime (UNIME) – na Bahia

Mudança nas provas do Enem

Depois de uma consulta pública que contou com mais de 600 mil participações, o Ministério da Educação resolveu alterar algumas diretrizes do Enem a partir de 2017.

Veja o que mudou:

• Data de aplicação das provas: agora o Enem será aplicado em dois domingos seguidos, e não mais em único fim de semana (sábado e domingo).

Ordem de aplicação das provas: antes, no primeiro dia do Enem eram aplicadas as provas de Ciências da Natureza e Ciências Humanas. No segundo, tínhamos Linguagens, Matemática e Redação. Agora, no primeiro domingo o candidato fará a prova de Linguagens, Ciências Humanas e a Redação. A duração é de cinco horas e meia. No segundo domingo terá que fazer as provas de Matemática e Ciências da Natureza. A duração é de quatro horas e meia.

Cadernos de prova personalizados: agora os cadernos de prova trarão o nome e os números de identificação e inscrição do candidato. A medida visa ao aumento de segurança na realização do Exame. A prova continuará com quatro modelos distintos, só que o estudante não vai mais precisar indicar a cor no cartão de respostas.

Isenção para candidatos de baixa renda: O candidato inscrito no CadÚnico, do Governo Federal, recebe isenção automática da taxa de inscrição.

A prova do Enem não pode mais ser usada para obter certificação do ensino médio: quem precisa de certificação de conclusão do ensino médio terá que fazer uma outra prova, o Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos).

Quem pode fazer as provas do Enem

O Enem serve para avaliar a qualidade do ensino médio público e privado em todo o Brasil. O Exame é aberto a qualquer pessoa, independentemente de idade ou condição financeira.

Mesmo quem está há bastante tempo sem estudar pode fazer o Exame. Quem não terminou o ensino médio também pode participar – mas como “treineiro”, que não pode concorrer a vagas no ensino superior.

O Enem é tão inclusivo que pode ser feito por pessoas em diferentes condições, como:

• Detentos (fazem o Exame em data diferente da aplicação regular)
• Cegos
• Lactantes
• Pessoas com dificuldade de visão
• Surdos (com tradutor de Libras)
• Pessoas com dificuldade de movimento
• Idosos
• Pessoas hospitalizadas
• Pessoas com deficiência visual, intelectual, autismo, déficit de atenção ou dislexia
• Pessoas que não têm condições de escrever ou de preencher o cartão-resposta.

Veja também:
Como funciona o ENEM


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