Muitas vezes, ingressar na residência médica é mais difícil do que passar no vestibular

O processo seletivo é realizado por meio de uma prova teórica, que contém cerca de cem questões sobre os assuntos absorvidos durante o curso. Essa etapa representa 90% da avaliação. Os outros 10% são divididos entre análise de currículo e entrevista pessoal.

No provão, os recém-formados respondem perguntas sobre clínica médica, cirurgia, pediatria, ginecologia e obstetrícia e medicina social.

Para o coordenador da Comissão de Residência Médica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Alceu Migliavacca, ingressar no período de especialização, muitas vezes, é mais difícil do que passar no vestibular.

- Além da concorrência, que em algumas especializações é mais alta do que a encontrada nos vestibulares das universidades federais, todos os médicos estão em um nível semelhante - diz.

Nos últimos cinco anos, surgiram em Porto Alegre alguns cursos preparatórios para as provas de residência médica, a exemplo do que ocorre nos exames da Ordem dos Advogados Brasileiros (OAB).
 
De acordo com Migliavacca, esses cursos são focados na revisão dos conteúdos e auxiliam os médicos a desenvolverem macetes que podem ser utilizados no momento da seleção.

A residência é obrigatória?

De acordo com a Comissão Nacional de Residência Médica, 7 mil vagas para residências médicas são oferecidas todo o ano no Brasil para recém-formados. Em contrapartida, 10 mil novos médicos surgem no país a cada ano.

Ou seja, desse total, 3 mil profissionais não realizam residências médicas e, por conseqüência, não se especializam em nenhuma área da medicina. Esses médicos podem exercer a profissão normalmente, porém, não poderão portar o título de especialistas. Eles atuam como clínicos-gerais.

Duração das residências

A duração das residências médicas varia de acordo com a especialidade escolhida. No caso de residências na área cirúrgica, é necessário um período de estudos de dois anos voltado para a cirurgia geral. Em média, as residências duram de dois a quatro anos.

Vantagens...

A regulamentação da residência médica existe no Brasil desde 1977 e constitui uma modalidade de ensino de pós-graduação destinada a médicos. Diferentemente de outras profissões, os formados em Medicina não pagam por essa especialização e ainda recebem uma bolsa-auxílio durante o período da residência.

Nos hospitais públicos, a bolsa concedida pelo Ministério da Educação é de R$ 1.620. Nas instituições privadas, o mesmo valor é pago pelos próprios hospitais.

... e desvantagens

A grande desvantagem das residências médicas é dificuldade de ingresso. Se por um lado não há custo para realizá-la, o processo seletivo é bastante concorrido.

Geralmente, os médicos recém-formados chegam a estudar um ano inteiro visando a aprovação na prova que dá acesso às residências.