A história de civilização ocidental começa com a história de civilização grega. Apesar de sua geografia dispersa, a Grécia antiga tem uma vida cultural relativamente homogênea, expressa no idioma comum e em formas de organização política e crenças religiosas semelhantes.

Essa unicidade resulta da união de várias culturas, trazidas por povos que invadiram a Grécia, misturando-se aos habitantes mais antigos.

A origem da polis a partir do século VIII a.C., com o renascimento do comércio, acaba com o isolamento das aldeias. A sociedade torna-se mais complexa. As cidades sofrem mudanças radicais. O local mais importante da cidade passa a ser a "ágora", a praça pública, onde o comércio se desenvolve e as discussões sobre a vida e a sociedade acontecem.

A democracia contribuiu para que "todos" tivessem acesso à ágora, de modo que cidadania passou a ser um direito dos homens adultos e que não fossem estrangeiros ou escravos.

A pólis é uma criação dos cidadãos e não dos deuses. Essa nova forma de organização social e política foi fundamental para o desenvolvimento do pensamento humano.

Na pólis, com os "cidadãos" em igualdade, é vitorioso quem sabe convencer, quem utiliza o raciocínio e a exposição precisa das idéias, não só em relação à política, mas a tudo que se referia à vida dos gregos.

SUPERAÇÃO DA MITOLOGIA

Essa nova forma de pensar a partir da formação da pólis é o oposto ao pensamento mítico. É como se o homem grego do século VI a.C. tivesse se libertado das fantasias da religião e da mitologia para evoluir racionalmente.

A pólis grega, criação da vontade dos homens, estabelece o desaparecimento da vontade divina e celestial de todo um conjunto de relações, quer dos homens entre si, quer dos homens com a natureza. A mitologia apenas narra uma sucessão de fenômenos divinos, naturais e humanos.

Ela é, então, substituída pela Filosofia na compreensão desses fenômenos. Co isso, ao utilizar a razão, o homem busca uma explicação para entender a relação entre o caos e a ordem do mundo.