Os pesquisadores revelam que a cidade de Atenas tinha por volta de 300 mil habitantes. Apenas 40 mil eram considerados “cidadãos”, isto é, filhos de pais e mães atenienses. Atenas possuía, na passagem do século VI para o século V a.C., cerca de 100 mil trabalhadores escravos.

A democracia ateniense atingia somente 40 mil cidadãos. Os benefícios políticos e sociais oferecidos pela legislação de Clístenes não chegavam à outras classes sociais.

 Na época de Péricles, existiam em Atenas três escravos para cada dois cidadãos livres. Os escravos eram empregados em atividades domésticas, comércio, artesanato e agricultura. Com isso, os cidadãos podiam contar com um tempo livre muito grande.
 
Esse tempo livre era dedicado às atividades físicas e culturais, que caracterizavam a cultura grega, mas que eram um privilégio de um grupo de cidadãos proprietários rurais, que desfrutavam das vantagens de uma vida urbana avançada.

 Relacionar escravidão e democracia pode parecer uma contradição, mas não na Grécia antiga. Apesar de existir nos países do Oriente, a escravidão nunca foi a forma mais importante para a produção de riquezas necessárias à sociedade. Para os gregos resumiu-se na produção de bens necessários.

 Enfim, foi graças à total ausência de liberdade de uns que uma parcela da população produziu um das manifestações culturais que mais marcaram a História Ocidental.

A DEMOCRACIA GREGA E ARISTÓTELES

Há, na espécie humana, indivíduos tão inferiores a outros como o corpo o é em relação à lama, ou a fera ao homem; são os homens nos quais o emprego da força física é o melhor que deles se obtêm.
 
Partindo dos nossos princípios, tais indivíduos são destinados, por natureza, à escravidão; porque, para eles, nada é mais fácil que obedecer. Tal é o escravo por instinto: pode pertencer a outrem (também lhe pertence ele de fato), e não possui razão além do necessário para dela experimentar um sentimento vago; não possui a plenitude da razão.

Os outros animais dela desprovidos seguem as impressões exteriores... A ciência do amo consiste no emprego que ele faz dos seus escravos; ele é senhor, não tanto porque possui escravo, mas porque deles se serve. Esta ciência do amo nada tem, aliás, de muito grande ou muito elevado; ela se reduza a saber mandar o que o escravo deve saber fazer. Também todos a que ela pode se furtar deixam os seus cuidados a um mordomo, e vão-se entregar à Política ou à Filosofia.

ARISTÓTELES. Política II, 13-23. 14. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d.

A DEMOCRACIA GREGA E PLATÃO

A massa popular é assimilável por natureza a um animal escravo de suas paixões e de seus interesses passageiros, sensível à lisonja, inconstante em seus amores e em seus ódios; confiar-lhe o poder é aceitar a tirania de ser um incapaz da menor reflexão e do menor rigor.

 Quando a massa designa seus magistrados, ela o faz em função das competências que acredita ter constatado – em particular, as qualidades no uso da palavra – e disso infere irrefletidamente a capacidade política.

Quanto às pretensas discussões na Assembléia, são apenas disputas contrapondo opiniões subjetivas, inconsistentes, cujas contradições e lacunas traduzem bastante bem o seu carácter insuficiente.
 Em suma, a democracia é ingovernável...

PLATÃO, apud. CHATELET, F. História das idéias políticas. Rio de Janeiro: Zahar, 1997. p. 17.

RECORDANDO HISTÓRIA

Civilização Grega – Atenas

- Transforma-se em pólis aristocrática:

1. Drácon: leis escritas (rígidas)
2. Sólon: abolição da escravidão por dívidas
3. Clístenes: pai da democracia
4. Péricles: consolidou a democracia
5. Democracia, cultura, filosofia, comércio.

- Liga de Delos: hegemonia ateniense
- Guerra do Peloponeso: Esparta x Atenas
- Decadência grega: invasão estrangeira (macedônicos)
- Fim das cidades-estado gregas independentes