O que é que Sandy e Júnior, Nelsinho Piquet e Wanessa Camargo têm em comum? Tá, eles são famosos e jovens, mas não é só isso. Todos eles também são reconhecidos por terem seguido os passos profissional dos pais. Mas, afinal, o que faz um filho optar por trabalhar na mesma atividade do pai ou da mãe?

As respostas são as mais variadas... Pode ser admiração pelo trabalho, facilidade de pegar um negócio encaminhado, intimidade com o funcionamento da empresa ou da profissão. E há até quem diga que está no DNA. Será???

Sobre esta última possibilidade, ainda não existe nenhuma comprovação científica, mas vamos combinar que em alguns casos pode até ser mesmo, afinal, os filhos se parecem em muito, principalmente na forma de trabalhar, com os pais.

Bom, mas para descobrir o porquê desta escolha, decidimos conversar com dois jovens. Se você já ouviu a frase "Só podia mesmo ser filho de quem é!" ou "Filho de peixe, peixinho é", provavelmente vai se identificar com o Rodrigo Hoffmann da Rosa e a Natália Bischoff. Confere a história deles.

Em família
Rodrigo Hoffmann da Rosa se dedicou à Publicidade, área em que é formado e até chegou a trabalhar, mas estava sempre opinando sobre os negócios da empresa da família, a óptica Via Monet, e assim começou seu interesse... Depois foi só seus pais anunciarem uma filial na Califórnia que o guri se decidiu rapidinho.

– Eu tinha 20 anos quando apareceu a oportunidade da empresa abrir uma filial no exterior. Como eu sempre tive interesse em morar fora, fiquei empolgado. Então, comecei a trabalhar aqui no Brasil pra pegar bem o espírito da coisa e depois de oito meses fui pra lá administrar o nosso negócio – conta Rodrigo, que atualmente está com 22 anos e trabalha na parte administrativa e no marketing.

O futuro
É sempre bom se envolver com os negócios da família – ainda mais se ele fica na Califórnia, né Rodrigo –, mas é preciso abrir o olho. Se o trabalho não tiver nada a ver com você não vale a pena.

– Acho que não dá pra forçar uma situação, mas no meu caso, eu vejo um futuro muito bom na empresa da minha família. Ela está sempre em constante crescimento e esse fator contribui para que eu veja aonde eu posso chegar. Outro bom motivo é que a família nunca vai dizer que a área que você escolheu pra sua vida não vale a pena – se diverte o guri.

O melhor
Não é porque a empresa é dos seus pais que você pode chegar atrasado e só fingir que trabalha. Bem pelo contrário. Aí mesmo é que é preciso mostrar trabalho. Mostrar que você merece estar no cargo e tem capacidade para seguir adiante. Mas também é preciso admitir que este tipo de emprego tem lá as suas vantagens.

– Imagino que em muitos casos os pais e os filhos saem beneficiados desta “sociedade”. O pai porque precisa de alguém de confiança para ajudar a administrar o negócio e o filho porque tem a sorte de pegar algo que já estava em andamento e, por isso, não tem aquela dificuldade inicial de abrir um negócio novo – revela Rodrigo.

O pior
Todo mundo acha que trabalhar na empresa dos pais é uma barbada, mas não é só coisa boa, não. Segundo o Rodrigo, aquela história de que não se deve levar trabalho pra casa não funciona. Pelo menos para a família dele...

– O lado ruim de trabalhar em família são as discussões que não se limitam ao escritório e acabam parando dentro de casa. Almoço falando sobre trabalho todos os dias... Sabe como é... Quando você tem um problema no trabalho, tem na família ao mesmo tempo.

Como nossos pais
Rodrigo alegrou sua mãe ao se interessar pelo negócio da família, mas será que seus filhos também vão lhe dar esta mesma alegria? Como ele ainda não tem filhos e nós não temos o dom da adivinhação, perguntamos se ele gostaria que isso ocorresse com ele.

– Se for do interesse deles, eu iria adorar! Os meus pais tiveram muito esforço pra criar a Via Monet e hoje ela é um orgulho pra toda a família. Espero que isso dure várias gerações e que eu possa confiar nos meus filhos a administração desta empresa, junto com os filhos da minha irmã, né? Que tem 25 anos e também trabalha na empresa.

Mãe Coruja
Depois de um longo discurso sobre a capacidade do filho, Clara Maria Hoffmann de Oliveira, a mãe do Rodrigo, deixou bem claro que antes de qualquer outra coisa, Rodrigo trabalha na empresa da família porque “tem muito potencial”.

– Eu fico muito feliz de ver meus filhos envolvidos com o negócio da família. Na verdade, acho que todos os pais sempre querem ver os filhos tocando o que eles construíram. O envolvimento dos filhos é bom por dois motivos, o primeiro é que sabemos que o negócio está em boas mãos e o segundo é que eles levam a visão dos jovens para a empresa – defende a mãe do guri.

Em família
Natália Bischoff tem apenas 19 anos, mas já acumula seis de trabalho. Isso mesmo, a guria começou a trabalhar com 13 aninhos. É claro que ela não foi obrigada pelos pais Jorge e Luciane. A idéia surgiu depois de uma conversa natural.

– Em um retorno de férias, conversando com meus pais sobre meus objetivos para aquele ano, meu pai perguntou se eu tinha interesse em assumir algumas responsabilidades na empresa. Na época eu estava com 13 anos e na hora fiquei meio apavorada, pois nunca tinha pensado seriamente sobre trabalho e futuro profissional.

No dia seguinte fui até a empresa e, em uma reunião, ele sugeriu que eu trabalhasse no turno inverso do colégio, passando por todos os setores até encontrar algo que realmente despertasse meu interesse. Pensei que não conseguiria dar conta da responsabilidade, mas confesso que, quando acertamos os detalhes financeiros, topei o desafio na hora, afinal, ter a própria grana é muito bom – conta Natália.

O futuro
A partir daí, motivada pelo pai, a guria entrou de cabeça no projeto, onde mais tarde acabou encontrando seu caminho.

– Meus pais sempre me deixaram a vontade para continuar ou não dentro da empresa. Sempre me falaram também sobre a importância de conhecer todos os setores antes de entrar na faculdade, para que se no futuro eu assumisse a empresa, estivesse capacitada para argumentar com os profissionais de diferentes áreas – diz a guria, que acabou cursando Publicidade e Propaganda e hoje reconhece a importância de dar continuidade ao negócio familiar.

– Acho que os filhos se interessarem pelo trabalho dos pais é ótimo. Não pelo lado de manter a gerencia da empresa nas mãos da família, mas importante para o crescimento pessoal e profissional. Meus pais são extremamente exigentes em tudo o que fazem. Trabalhar com eles foi o maior aprendizado que já tive – confessa a menina.

O melhor
Além da enorme carga de aprendizado, quando questionada sobre os benefícios de trabalhar com os pais, Natália lembrou de algo superimportante: o dia-a-dia.

– Tem várias coisas boas. De inicio é a oportunidade do primeiro emprego, que a grande maioria da galera tem dificuldade de encontrar. Depois é poder adquirir conhecimento global da empresa, acompanhar a sua história e o seu desenvolvimento. E, por fim, vem a convivência. Na correria do dia-a-dia dificilmente as famílias podem ficar reunidas, já que cada um tem seus próprios compromissos. No nosso caso, não temos este problema.

O pior
Pelo visto, Natália é uma privilegiada. Mas nem tudo são flores. Em algumas ocasiões, ser filha dos chefes é complicado.

– O lado ruim é ser tratada pelos funcionários como a “filha do chefe” e não como uma colega de trabalho. Mas acredito que eu consigo driblar isso. Por sempre manter uma postura profissional, nunca tive grandes problemas.

Além disso, meus pais sempre deixaram muito claro, tanto para mim quanto para o pessoal que trabalha na empresa, que sou parte da equipe. Muitas pessoas têm cargos mais importantes que o meu e até me gerenciam, e têm liberdade total para cobrar resultados e me dar uma dura quando faço algo errado – conta Natália.

Como nossos pais
Durante a conversa pudemos perceber que a acadêmica dá muito valor ao trabalho que tem. Será que ela gostaria que no futuro seus filhos também seguissem nesse negócio?

– Nossa... Essa pergunta é bem complicada. Com 19 anos não penso nem no nome dos filhos, imagina com a profissão que terão – brinca ela. Mas acredito que a minha posição será a mesma que os meus pais tiveram comigo. Vou dar a oportunidade de conhecer a empresa e descobrir se tem interesse ou não de entrar no negócio – esclarece ela.

Mãe orgulhosa

Super contente com o interesse de Natty pelo negócio da família, a mãe Luciane Bischoff, se enche de orgulho, mas não deixa de enfatizar a que a filha não tem privilégios por ser “filha do dono”.

– Para nós é motivo de muito orgulho e satisfação. A Natty é filha única e, portanto, herdeira de tudo que estamos construindo ao longo dos anos. Saber que ela vai dar seguimento nos dá segurança, não só por ser da família, mas porque ela tem exatamente o conceito de empresa e negócio que estamos projetando.

É uma pessoa que desde os 13 anos trabalha conosco, não como filha, mas como colaboradora e parte da equipe da empresa, inclusive sob outras chefias, que não a dos pais. Além de conhecer como funciona a empresa na prática, é uma excelente lição de humildade que ensina o valor de todas as conquistas – diz Luciane.

A resposta
– E o fator que para mim é o mais importante é ter o reconhecimento dos pais, saber que confiam em mim, que fazem de tudo para o meu crescimento. Ver nos olhos deles que sentem orgulho de ter uma filha buscando aprender o máximo para no futuro assumir a empresa que foi construída pensando em mim – diz Natália.