O movimento operário do início do século foi bastante influenciado pelo anarquismo. Na década de 20, o Partido Comunista passou a disputar com os anarquistas a liderança dos trabalhadores.

No entanto, a sociedade continuava dominada pelas oligarquias rurais que, ao lado de alguns elementos ligados à indústrias, ocupavam as posições de maior importância política e econômica. Os militares também tinham lugar de destaque na Primeira República.

Depois da Revolução de 1930, os trabalhadores começaram a ter maior importância no organismo social. As populações do campo mantiveram-se, nos trinta primeiros anos do século, sob o domínio dos senhores rurais, sem conseguir melhorias sociais significativas.

Entre 1890 e 1930, a população do Brasil aumentou de pouco mais de 14 milhões de habitantes para mais de 33 milhões, ou seja, quase 6% ao ano.

Durante a Primeira República, começaram a desenvolver-se as classes médias urbanas, assim como a classe operária, que cresceu extraordinariamente à medida que a industrialização se expandiu. Nas cidades que concentravam a maior parte das indústrias ( São Paulo e Rio de Janeiro), cerca de 50% dos operários eram imigrantes europeus--- portugueses, italianos e espanhóis -- ou seus descendentes.
 
As condições de trabalho eram bastante precárias e não havia leis regulamentado a relação patrões--- empregados. As jornadas de trabalho eram muito longas; não havia férias, aposentadoria ou descanso semanal remunerado; não havia proteção para o trabalho de mulheres e crianças; muitas fábricas tinham o ambiente insalubre.

Os operários procuraram se organizar para defender seus interesses, criando associações de auxílio mútuo, fundando jornais e sindicatos, reunindo-se em congressos. Houve também muitas greve nas cidades que concentravam o maior número de indústrias.

A maior delas ocorreu em São Paulo, em 1917, envolvendo cerca de 45 000 trabalhadores e paralisando a cidade por vários dias. Durante a Primeira República os movimentos eram tratados pelas autoridades como "caso de polícia". Os sindicatos eram fechados, as lideranças eram presas ou expulsas do país, caso fossem imigrantes.

O movimento operário do início do século foi bastante influenciado pelo anarquismo. Na década de 20, o Partido Comunista passou a disputar com os anarquistas a liderança dos trabalhadores.

No entanto, a sociedade continuava dominada pelas oligarquias rurais que, ao lado de alguns elementos ligados à indústrias, ocupavam as posições de maior importância política e econômica. Os militares também tinham lugar de destaque na Primeira República.

Depois da Revolução de 1930, os trabalhadores começaram a ter maior importância no organismo social. As populações do campo mantiveram-se, nos trinta primeiros anos do século, sob o domínio dos senhores rurais, sem conseguir melhorias sociais significativas.

A Proclamação da República - Entenda este período da nossa história

Quando a República foi proclamada?

A República do Brasil foi proclamada 15 de novembro de 1889. A data marcou o fim da monarquia brasileira. Um governo provisório foi estabelecido. No mesmo dia 15, o decreto número um, redigido por Rui Barbosa, anunciava a escolha da forma de República Federativa, com as antigas províncias constituindo, juntamente com a federação, os Estados Unidos do Brasil.

Quem proclamou a República?

A República do Brasil foi proclamada pelo marechal Deodoro da Fonseca. No dia 15 de novembro, o marechal entrou no Quartel-General do Exército (hoje Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste, no Rio de Janeiro), montado num cavalo, e terminou com o último Gabinete da Monarquia, que se encontrava em reunião naquele local.

Como se deu a proclamação da República?

O estabelecimento da República no Brasil não teve uma participação popular. A conspiração que derrubou a monarquia ficou restrita a poucos republicanos. Entre eles estavam Rui Barbosa, deputado e jornalista, Aristides Lobo e Quintino Bocaiúva, as maiores lideranças republicanas do Rio de Janeiro, Francisco Glicério, proeminente chefe do Partido Republicano Paulista, e Benjamim Constant, estadista, militar e professor.

Benjamim Constant começou a conspirar para a derrubada da monarquia no início de novembro de 1889. No dia 11 do mesmo mês, Rui Barbosa, Aristides Lobo, Benjamim Constant e Quintino Bocaiúva, entre outros, conseguiram a adesão do Marechal Deodoro da Fonseca, figura de maior prestígio do Exército que relutara em participar do movimento devido à sua amizade com o imperador. Eles decidiram que o golpe seria efetuado no dia 20 de novembro.

Diversos boatos foram espalhados pelos jovens oficiais, entre os quais o Major Sólon Ribeiro. Circulava a notícia que o governo tinha ordenado a prisão dos envolvidos, em especial Deodoro e Benjamim Constant, transferido batalhões para as províncias e, até mesmo, extinto o Exército, substituindo-o pela Guarda Nacional. Essas especulações provocaram uma reação imediata.

Na manhã de 15 de novembro de 1889, Deodoro, à frente de um batalhão, marchou para o Ministério da Guerra, depondo o Gabinete de Ouro Preto. Não houve resistência. Os revoltosos conseguiram a adesão das tropas governistas.

Deodoro, que estava doente, retirou-se para a sua residência e os militares voltaram aos quartéis. Alguns republicanos, entre os quais José do Patrocínio, preocupados com a indefinição do movimento, dirigiram-se à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, proclamando a República. Patrocínio intitulou-se "proclamador civil da República".

Quais os fatos que levaram à proclamação?

Existia um descompasso entre a monarquia escravista e uma boa parcela da oficialidade jovem do Exército, abolicionista e republicana. Este abismo não foi solucionado com a abolição da escravidão, em 13 de maio do mesmo ano. A propaganda republicana também se tornava mais intensa através da imprensa e de comícios buscando a adesão da população.

As críticas contundentes aos membros da família imperial, em especial ao "decrépito" imperador Pedro II, visavam evitar o estabelecimento de um Terceiro Reinado, sob a égide da Princesa Isabel e do Conde d'Eu, seu marido de nacionalidade francesa. Criticava-se o Poder Moderador, a vitaliciedade do Senado, a ausência de liberdade religiosa e a inexistência de autonomia das províncias.

Enfim, desejava-se uma descentralização administrativa e política. O estabelecimento do último Gabinete do Império, liderado pelo liberal Visconde de Ouro Preto, em junho de 1889, foi uma tentativa de implementar as reformas reivindicadas pelos setores oposicionistas, porém sem sucesso.

Por que acabou a monarquia?

A derrubada da monarquia foi produto das suas próprias dificuldades em lidar com as mudanças econômico-sociais ligadas à crise do escravismo e o início de relações capitalistas. Outras adversidades eram: a falta de apoio de parte das elites fundiárias, que se sentiram traídas pela abolição; as críticas da imprensa republicana e de uma parcela da intelectualidade urbana, além das chamadas questões religiosa e militar, especialmente os conflitos envolvendo militares.

Os monarquistas não reagiram à proclamação da República?

No dia seguinte à Proclamação, decretou-se o banimento da família real. Deu-se a ela vinte e quatro horas para deixar o País. Depois, foram aprisionados aqueles tidos como monarquistas perigosos, como o Visconde de Ouro Preto e seus filhos, o senador Gaspar Silveira Martins, Ferreira Viana e outros. Alguns deles, mais tarde, também foram banidos, acusados de financiar as rebeliões que se seguiram.

O Imperador D. Pedro II ainda tentou manter o sistema monárquico, ao sugerir a formação de um ministério comandado por Silveira Martins, inimigo pessoal do marechal Deodoro. A decisão, porém, ocorreu-lhe tarde demais, não conseguindo impedir que, já na manhã do dia 16 de novembro, o Diário Oficial publicasse a notícia da Proclamação e também a do governo provisório na mudança do Regime.

Não houve resistência monarquista nos Estados. O governo provisório nomeou pessoas de confiança para substituir os presidentes das províncias. A tropa e grupos republicanos asseguravam a transição para o novo governo. Na Bahia, houve proposta de resistência e até de separação, que desapareceu com a notícia da partida da família real. As posteriores adesões de monarquistas sepultaram a possibilidade de reação nas províncias. Políticos da monarquia, como o conselheiro Antonio Prado, aconselhavam a aceitar o fato consumado.