Os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) divulgados na semana passada mostraram que estudantes gaúchos ficaram com a mais alta média geral do país. Mas a prova ainda assusta muita gente, que precisa melhorar o desempenho em escolas públicas e privadas. A 10 edição do Enem está marcada para o dia 31 de agosto. As inscrições ocorrem de 5 a 30 de maio.

Em 10 anos, o exame do Ministério da Educação (MEC) se tornou um objetivo de quem conclui o Ensino Médio. Em 1998, 157 mil estudantes participaram. Em 2007, foram 2,7 milhões. Bom para o governo, que pode medir a qualidade do ensino no país.

Bom para o estudante, que pode testar conhecimentos e ainda usar o desempenho no vestibular. E melhor ainda para quem estudou em escola pública e pode abrir uma porta na universidade por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni).

- Nos primeiros anos, os alunos tinham receio. Em 2000, começaram a aderir e, à medida em que quebraram a barreira, se entusiasmaram. Hoje, eles buscam informações sobre datas de inscrição e sobre como é a prova - diz Karen Nodari, do Núcleo de Psicologia e Orientação do Colégio Aplicação de Porto Alegre.

O medo dos estudantes com o Enem, conforme professores, está ligado ao tipo de questão apresentada. Os 63 testes do exame são elaborados com base em uma matriz de competências. A palavra competência significa a capacidade do estudante em dominar o português, compreender fenômenos naturais, enfrentar situações-problema, construir argumentações consistentes e elaborar propostas para as questões sociais.

- O Enem quer captar se as informações que foram passadas para o aluno da Educação Básica se transformaram em conhecimento - diz o diretor-geral do Enem, Dorivan Ferreira Gomes.

Com essas características, fica difícil enfrentar o Enem. A prova se diferencia dos vestibulares comuns e, mesmo sem obrigatoriedade, virou teste para escolas e estudantes que desejam saber o que aprenderam ou uma chance de ingressar no Ensino Superior.

Este ano, as provas serão aplicadas em cerca de 1,4 mil cidades, com uma expectativa de 3 milhões de participantes, público que está buscando preparação. Para atender à demanda, professores se mobilizam em cursos pré-Enem. Em Canoas, o curso é gratuito e oferecido em 14 escolas estaduais.


Como são as questões objetivas
Quem já fez sabe. O Enem é uma prova diferente do vestibular. As 63 questões objetivas não favorecem pegadinhas, nem exigem macetes. A prova é interdisciplinar e não é dividida por disciplinas como nos vestibulares. Ela reúne conhecimentos de diversas áreas em uma mesma questão, relacionando-os. O Enem avalia a capacidade do estudante em resolver situações-problema. Por isso, o que conta é o conhecimento adquirido na vida escolar e no dia-a-dia.
Serviço
Correios: alunos da rede pública podem retirar a ficha na escola e entregá-la em uma das agências dos Correios. A inscrição é gratuita para estudantes das escolas públicas. Estudantes da rede privada pagam R$ 35
Internet: interessados deverão acessar a página www.inep.gov.br/inscricao
O que é avaliado na redação
Demonstrar domínio da norma culta
Ninguém precisa escrever como Machado de Assis, mas é necessário demonstrar regras básicas da língua escrita, como a pontuação. O respeito às normas gramáticas, ainda que não seja o requisito mais importante na construção do sentido do texto, demonstra o grau de conhecimento da língua e isso pode contar a seu favor.
Compreender a proposta da redação
Entender a proposta de redação é o primeiro passo para se sair bem na prova. Além de disso, é preciso lembrar de que o texto deve respeitar as estruturas do texto dissertativo, o que significa adotar um posicionamento crítico e reflexivo diante do tema (situação-problema apresentado) e expressar sua opinião de modo claro e coerente. Para isso, é essencial se manter atualizado
com a leitura de textos diversificados, sobretudo os jornalísticos, para que você tenha o que dizer em sua redação.
Argumentar em defesa de um ponto de vista
Não basta apresentar dados ou expor argumentos se você não for capaz de selecionar os que apresentam pertinência com o tema proposto. É preciso organizar as idéias e apresentar a sua interpretação sobre a questão, estabelecendo relações e fazendo uma leitura própria da realidade.
Demonstrar conhecimento de mecanismos lingüísticos
Além da seleção adequada dos argumentos é necessário organizá-los no texto de modo lógico e coerente. Para isso, é fundamental utilizar os chamados elementos de coesão textual e/ou os organizadores argumentativos, como, por exemplo, advérbios, locuções adverbiais e conjunções, estabelecendo relações adequadas entre termos e também entre os parágrafos, sobretudo no desenvolvimento do texto, a fim de que o sentido seja construído de maneira clara e objetiva. Use um vocabulário simples, direto e que atenda aos objetivos de seu texto, sem usar de palavras para impressionar a banca.
Elaborar proposta de solução para o problema
Toda a construção da argumentação deve ter como objetivo a apresentação de possíveis soluções para a questão levantada. As soluções, porém, devem resultar de uma relação lógica e coerente com os argumentos, opiniões, informações e dados apresentados no desenvolvimento. É aconselhável cautela diante de seu posicionamento a respeito de determinadas questões consideradas o calcanhar-de-aquiles das sociedades contemporâneas.