Quando conferiu a relação de aprovados no vestibular da UFPR, Rafael Hayashi, 18 anos, experimentou aquela sensação de “bola na trave”. Ainda assim, não se deixou abater. Com uma boa colocação na lista de espera, resolveu aguardar a publicação das chamadas complementares.

“Fiquei triste, mas logo fui conferir a minha pontuação. Fiquei em 9º lugar na lista do curso de Direito matutino e estava confiante”, conta. O entusiasmo, porém, durou pouco. Na primeira chamada complementar, apenas três candidatos foram convocados. A segunda não trouxe novos nomes.

Na terceira, cinco estudantes foram chamados e Rafael foi para o topo da lista. “Só que, na quarta chamada, ninguém foi aprovado”, diz. O estudante já havia iniciado as aulas em um cursinho quando finalmente foi convocado, na quinta chamada complementar.

Mal comemorara a aprovação, Rafael se viu diante de mais um desafio: colocar em dia as matérias que havia perdido em quase um mês sem aulas.

A solução foi apelar para os cadernos dos colegas da turma e iniciar uma operação de emergência para aprender, em pouco tempo, o que o restante da sala já havia estudado.

“Tirei cópia dos cadernos dos colegas e de trechos de livros que os professores haviam trabalhado nas aulas. Em uma semana consegui colocar tudo em dia”, afirma. Segundo ele, não foi preciso pedir ajuda aos professores fora do horário de aula nem fazer aulas particulares.

Aluna do 1º ano do curso de Direito noturno da UFPR, Kamila Schneider, 17 anos, foi outra que pegou o bonde andando. A universitária foi aprovada na terceira chamada complementar da instituição e perdeu quase duas semanas de aula.

Mesmo assim, ela diz não ter tido dificuldades em acompanhar a turma. “Fiquei um pouco perdida. A sorte foi que os professores ainda estavam explicando os conteúdos introdutórios às disciplinas.
 
Só com o material complementar deixado por eles na sala de xerox e as anotações dos colegas, já consegui compreender as matérias”, relata.

A grade curricular do curso de Ciências Biológicas também facilitou a vida do estudante Emanuel Luis Razzolini, 20 anos, convocado na quarta chamada complementar. Nem mesmo disciplinas normalmente temidas pelos universitários, como Cálculo Diferencial e Integral, foram um problema para o estudante.

“Por enquanto, os professores estão dando uma espécie de revisão dos conteúdos do ensino médio”, diz ele, que passou a freqüentar as aulas em 19 de março, mais de 20 dias após o início do ano letivo. “Fiquei em sexto lugar na lista de espera e achei que não seria chamado. A gente não imagina que tantas pessoas possam desistir de estudar na Federal”, diz.

Prova de Cálculo dias depois da primeira aula

O grande número de estudantes convocados nas chamadas complementares da UFPR mostra que o vestibular não termina na primeira lista de aprovados. Muitas vagas são abertas em função de desistências e quem não quiser ficar de fora da disputa deve prestar atenção às datas do registro acadêmico.

Mas os estudantes da lista de espera não são os únicos que devem permanecer em alerta. Os candidatos preliminarmente classificados para iniciar as aulas no segundo semestre também precisam acompanhar cada chamada complementar.

Este ano, o primeiro nome na lista de espera do curso de Engenharia Mecânica era o de Eloísa Pereira Cardozo, 18 anos.


Na primeira chamada complementar da UFPR, ela foi convocada para ingressar no segundo semestre. Entretanto, acabou sendo remanejada para o primeiro semestre quando a instituição publicou sua quinta convocação.

“Algumas pessoas desistiram do curso, sobraram vagas e eu fui chamada. O problema é que perdi um mês de matérias. Três dias depois da minha primeira aula já tive prova de Cálculo e de Física. Essa história de remanejamento me prejudicou bastante”, reclama a universitária, que está estudando cerca de seis horas por dia, em casa, para recuperar o tempo perdido. (MC)