Laptops, palmtops, pocket PCs e outros equipamentos semelhantes começam a substituir o caderno dos estudantes e a fazer parte do ambiente acadêmico nas universidades públicas e particulares.

No entanto, como a inserção da tecnologia em sala de aula é muito recente, ainda é difícil avaliar as conseqüências do uso desses recursos no ambiente universitário.

Apesar das vantagens, os usuários concordam que, se não houver bom senso no uso, os laptops podem tirar a atenção e a concentração dos alunos, principalmente nas escolas onde o acesso à internet é liberado.

Estudante de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), André Valier Bavaresco é um dos defensores do uso de laptops em sala de aula. “Comprei meu laptop por causa da faculdade e meu desempenho melhorou bastante depois que passei a usá-lo.

Quando estou digitando as minhas anotações sobre a aula, eu me concentro mais e presto mais atenção, além de poder inserir informações e editar o material quando quiser. E digitar é bem mais rápido do que escrever no caderno”, afirma.

Ele conta que somente em sua turma cerca de dez alunos utilizam laptops para fazer anotações sobre a aula, substituindo o caderno pelo computador.

Na mesma instituição, o estudante de Medicina Mauro Tamessawa optou por um pocket PC, um equipamento de tecnologia intermediária entre o laptop e o palmtop. Ele afirma que a principal vantagem de seu “computador de bolso” é poder carregá-lo para todos os lugares, mesmo que esteja atendendo pacientes no ambulatório do Hospital de Clínicas (HC).

No entanto, muitos dos próprios usuários da tecnologia em sala de aula apontam as desvantagens do uso desses equipamentos, principalmente nas faculdades particulares, onde o acesso à internet é liberado.

“Como a conexão é liberada, acabo perdendo bastante a concentração na aula porque fico lendo os jornais, coisa que não posso fazer quando estou trabalhando”, explica o estudante de Relações Internacionais da Faculdades Integradas do Brasil (Unibrasil) Disney Barroca.

Máquinas ajudam na aprendizagem

Especialistas da área da educação aprovam os computadores portáteis em sala de aula, mas alertam que o uso deve ser acompanhado pelos professores.
 
“O professor tem de estar preparado para usar a tecnologia a favor da aprendizagem”, avalia a professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Dilmeire Sant’Anna Ramos Vosgerau. De acordo com ela, os aparelhos celulares são muito mais prejudiciais, pois são desnecessários durante as aulas.

“O professor tem de ter a percepção de que as novas gerações convivem com o teclado desde cedo e devem acompanhar essa modernização do ensino adaptando-se às novas tecnologias de forma saudável e agregando os recursos tecnológicos a sua metodologia”, completa a mestre em Tecnologia e chefe do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Paraná, Gláucia Brito. (ACB)