O CAPITALISMO COMERCIAL

Essa etapa do capitalismo estendeu-se desde fins do século XV até o século XVIII. Foi marcada pela expansão marítima das potencias da Europa Ocidental na época (Portugal e Espanha), em busca de novas rotas para as Índias, objetivando romper a hegemonia italiana no comercio com o Oriente via Mediterrâneo.

Foi o período das Grandes Navegações e descobrimentos, das conquistas territoriais, e também da escravização e genocídio de milhões de nativos da América e da África.

Grande acumulo de capitais se dava na esfera da circulação, ou seja, por meio do comercio, daí o temo capitalismo comercial para designar o período. A economia funcionava segundo a doutrina mercantilista, que, em sentido amplo, pregava a intervenção governamental na economia, a fim de promover a prosperidade nacional e aumentar o poder do Estado.
 
Nesse sentido, defendia a necessidade de acumulação de riquezas no interior dos Estados, e a riqueza e o poder de um pais eram medidos pela quantidade de metais preciosos (ouro e prata) que possuíam.

Esses princípios ficou conhecido como metalismo. Após a descoberta de ouro e prata na América houve um enorme fluxo de metais preciosos para a Europa, sobretudo para a Espanha, Reino Unido e Portugal.

Outro meio de acumular riquezas era manter uma balança comercial sempre favorável, daí o esforço para exportar mais que importar, garantido saldos comerciais positivos. Assim, o Estado deveria ser forte para apoiar a expansão marítima e o colonialismo, que garantiram alta lucratividade, já que as colônias eram obrigadas a vender seus produtos às metrópoles a preços baixos e a comprar delas o que necessitavam a preços altos.

O CAPITALISMO INDUSTRIAL

O Capitalismo industrial foi marcado por grandes transformações econômicas, sociais, políticas e culturais. As maiores mudanças resultaram do que se convencionou chamar de Revolução Industrial (estamos nos referindo aqui à Primeira Revolução Industrial, ocorrida no Reino Unido na segunda metade do século XVIII).
 
Um de seus aspectos mais importantes foi a enorme potencializarão da capacidade de transformação da natureza, por meio da utilização cada vez mais disseminada de máquinas movidas a vapor, produzindo pela queima do carvão, tornando acessível aos consumidores uma quantidade cada vez maior de produtos, o que multiplicava os lucros dos produtores.

O comercio não era mais a essência do sistema. O lucro – o objetivo dessa nova fase do capitalismo-advinha fundamentalmente da produção de mercadorias. Mas de que modo se lucrava com a produção em serie de tecidos, maquinas, ferramentas armas? Ou com os rápidos avanços nos transportes, graças ao surgimento dos trens e barcos a vapor?

Foi Karl Marx, um dos mais influentes pensadores alemães do século passado, quem desvendou o mecanismo da exploração capitalista, que é a essência do lucro, chamado-o de mais-valia. Vejamos no que consiste:

A toda jornada de trabalho corresponde a uma remuneração, que permitira a subsistência do trabalhador. No entanto, o trabalhador produz um valor maior do que aquele que recebe na forma de salário, e essa fatia de trabalho não-pago é apropriada pelos donos das fabricas, das fazendas, das minas, etc.

Dessa forma, todo produto ou serviço vendido traz esse valor não transferido ao trabalhador, permitindo o acumulo de lucro pelos capitalistas. Há duas maneiras principais de aumentar a taxa de exploração ou mais-valia do trabalhador: a forma absoluta e a relativa. A mais-valia absoluta consiste em alongar ou aumentar a jornada diária de trabalho. A mais-valia relativa consiste em aumentar a produtividade do trabalho, aumentar o rendimento do trabalhador sem alongar a jornada diária.

Ficou fácil entender por que o regime assalariado é a relação de trabalho mais adequada ao capitalismo? O trabalho assalariado é uma relação tipicamente capitalista, pois se dissemina à medida que o capital começa a ser reproduzido, provocando uma crescente necessidade de expansão dos mercados consumidores.

O trabalhador assalariado alem de apresentar maior produtividade que o escravo, tem renda disponível para o consumo, ao contrario daquele. Assume, a escravidão, uma relação de trabalho típica da fase comercial do capitalismo, foi “extinta” quando o trabalho assalariado passou a predominar.

Se, no mercantilismo (fase comercial), o Estado absolutista era favorável aos interesses da burguesia comercial, no tocante à atuação da nova burguesia industrial, ou capitais ta, era um empecilho. Ele não deveria intervir na economia, que funcionaria segundo a lógica do mercado, guiada pela livre concorrência.

Consolidava-se, assim, uma nova doutrina econômica: o liberalismo. Disseminava-se entre os capitalistas essa nova ideologia, difundida por economistas britânicos, como Adam Smith e David Ricardo. Adam Smith lançou as bases do liberalismo no livro A riqueza das nações, publicado na Inglaterra em 1776.

Essas novas idéias interessavam principalmente à Inglaterra, “oficina do mundo” – devido ao seu avanço industrial – e “rainha dos mares” – devido ao seu poderio naval. O país vendia seus produtos aos quatro cantos do planeta.

Dentro das fábricas, mudanças importantes estavam acontecendo: a produtividade e a capacidade de produção aumentavam veloz mente; a profundava-se a divisão de trabalho e crescia a produção em série.
 
Nessa época, segunda metade do século XIX, estava ocorrendo o que se convencionou chamar de Segunda Revolução Industrial. Uma das características mais importantes desse período foi a introdução de novas tecnologias e novas fontes de energia no processo produtivo.

Pela primeira vez, tendo como pioneiros os Estados Unidos e a Alemanha, a ciência era apropriada pelo capital, ou seja, era posta a serviço da técnica, não mais como na Primeira Revolução Industrial, ocorrida no século XVIII, quando os avanços tecnológicos eram resultado de pesquisas espontâneas e autônomas. Agora havia uma verdadeira canalização de esforços por parte das empresas e do Estado para a pesquisa científica com o objetivo de desenvolver novas técnicas de produção.

A siderurgia avançou significativamente, assim como as indústrias mecânicas, graças ao aperfeiçoamento da fabricação do aço. Na indústria química, com a descoberta de novos elementos e materiais, ampliaram-se as possibilidades para novos vários setores, como o petroquímico. A descoberta da eletricidade beneficiou as indústrias e a sociedade em geral, pois promoveu grande melhoria na qualidade de vida.

O desenvolvimento do motor a combustão interna, e a conseqüente utilização de combustíveis derivados do petróleo, abriu novos horizontes para os transportes, que se dinamizaram intensamente, em virtude da expansão da indústria automobilística e aeronáutica.

Com o brutal aumento da produção, pois a industrialização expandia-se para outros países, acirrou-se cada vez mais a concorrência. Era cada vez maior a necessidade de se garantirem novos mercados consumidores, novas fontes de matérias-primas e novas áreas para investimentos lucrativos.

Foi dentro desse quadro que ocorreu a expansão imperialista na Ásia e na África. Em 1885, na conferência de Berlim, retalhou-se o continente africano, partilhando entre as potências européias.

À s duas potências hegemônicas da época, Reino Unido e França couberam as maiores extensões de territórios coloniais. Portugal e Espanha há muitos decadentes, tentavam conserva seus domínios, conquistados no século XVI. Bélgica e Países Baixos, apesar de terem perdido muito do poderio alcançados no século XVIII, ocuparam importantes possessões. Finalmente, Alemanha e Itália, recentemente unificadas, apoderam-se de pequenas possessões territoriais.

Essa partilha imperialista das potências industriais consolidou a divisão internacional do trabalho, pela qual as colônias se especializavam em fornece matérias-primas baratas para os países que então se industrializavam. Tal divisão, delineada no capitalismo comercial, consolidou-se na fase do capitalismo industrial. Assim, estruturou-se nas colônias uma economia totalmente subordinada à das potências imperialistas.

Nessa época, também surgiu uma potência industrial fora da Europa: Os Estados Unidos da América. Em 1823, o então presidente norte-americano James Monroe decretou a doutrina Monroe, que tinha como lema “A América para os americanos”. Assim, os Estados Unidos delimitava a América Latina como sua área de influência econômica e geopolítica.

Na Ásia, também em fins do século XIX, o Japão emergiu como potência, sobre tudo após a ascensão do imperador Mitsuhito, que deu inicio à chamada Era Meiji. O império do sol passou a competir com as potências européias na conquista de territórios no leste da Ásia, como a rica China, disputada com os britânicos e os russos.

A Alemanha, por Ter se unificado tardiamente (1871), perdeu a fase mais importante da corrida imperialista e sentiu-se lesada, especialmente frente ao Reino Unido e à França. Além disso, como a sua indústria crescia em rítmico mais rápido a dos demais países, também se ressentia mais da falta de mercados consumidores. O choque de interesses internos e externos entre as potências imperialistas européias acabou levando a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918).

Assim, a primeira metade do século XX, marcado por significativos avanços tecnológicos, foi também um período de grande instabilidade econômica e geopolítica. Além da Primeira Guerra mundial, ocorreu a Revolução Russa de 1917, a crise de 1929, e a Grande Depressão, a ascensão do nazi-fascismo na Europa e a Segunda Guerra Mundial (1939- 1945). Nessas poucas décadas, o capitalismo passou por crises e transformações, adquirindo novos contornos.

O CAPITALISMO FINANCEIRO

Uma das conseqüências mais importantes do crescimento acelerado da economia capitalista foi o brutal processo de concentração e centralização de capitais. Várias empresas surgiram e cresceram rapidamente: indústrias, bancos, corretoras de valores, casas comerciais, etc.
 
A acirrada concorrência favoreceu as grandes empresas, levando a fusões e incorporações que resultaram, a parti de fins do século XIX, na monopolização ou oligopolização de muitos setores da economia.

O capital entrava desse modo, em sua fase financeira e monopolista. É consenso marca como início dessa nova etapa da evolução capitalista a virada do século XIX para o século XX, coincidindo com o período da expansão imperialista (1875-1914).

No entanto, a consolidação só ocorreu efetivamente após a Primeira Guerra Mundial, quando empresas tornaram-se muito mais poderosas e influentes, acentuando a internacionalização dos capitais.

Boa parte dos grandes grupos econômicos da atualidade surgiram nesse período.

Consolidou-se, particularmente nos Estados Unidos, um vigoroso mercado de capitais: as empresas foram abrindo cada vez mais seus capitais através da venda de ações em bolsas de valores. Isso permitiu a formação das gigantescas corporações da atualidade, cuja ações estão pulverizadas entre milhares de acionistas.

Em geral, essas grandes empresas têm um acionista majoritário, que pode ser uma pessoa, uma família, uma empresa, um banco ou um holding, e o restante, muitas vezes milhões de ações, está na mão de pequenos investidores. No Brasil, uma empresa de capital aberto leva sua razão social o termo S.A . (sociedade anônima).

Não é mais possível distinguir o capital industrial do capital bancário. Fala-se agora em capital financeiro. Os bancos passam a ter um papel cada vez mais importante, indústrias incorporam ou constituem bancos para lhes dar retaguarda.

O liberalismo restringe-se cada vez mais ao plano da ideologia, pois o mercado passa a ser oligopolizado, dominado por grandes corporações, substituindo a livre concorrência e livre mercado.
 
O Estado, por sua vez, passa a intervir na economia, seja como agente planejador ou coordenador, seja como agente produtor ou empresário. Essa atuação do Estado na economia intensificou-se após a crise de 1929, que viria sepultar definitivamente o liberalismo clássico.

A crise de 1929 deveu-se ao excesso de produção industrial agrícola, pois os baixos salários pagos na época impediam a expansão do mercado de consumo interno; à recuperação da indústria européia, que passou a importa menos dos Estados Unidos; e à exagerada especulação com ações na bolsa de valores. A ideologia capitalista vigente na época, porém, foi decisiva: acreditava-se, segundo os preceitos liberais, que o Estado não deveria intervir na economia.
 
Mesmo depois da fase mais aguda da crise, que foi a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, o Estado ainda relutou durante meses antes de intervir na economia para evitar o aprofundamento da crise. Resultado: milhares de indústrias e bancos foram à falência, gerando cerca de quatorze milhões de desempregados em 1933. Assim, sucumbindo às evidências, foi elaborado um plano de combate à crise.

Colocado em prática em 1933, pelo então presidente Franklin Roosevelt, o New Deal (“novo acordo”) foi um clássico exemplo de intervenção do Estado na economia. Baseado em um audacioso plano de obras públicas, com o objetivo principal de acabar com o desemprego, o New Deal foi fundamental para a recuperação da economia norte-americana.

Essa política de intervenção estatal numa economia oligopolizada, que acaba favorecendo o grande capital, ficou conhecida como keynesianismo, por te sido o economista inglês John Maynard Keynes (1883-1946) seu principal teórico e defensor.

Em cada setor da economia - petrolífero, elétrico, siderúrgico, têxtil, naval, ferroviário, etc. -, passam a predominar alguns grandes grupos. São os trustes, que controlam todas as etapas da produção, desde a retirada da matéria-prima da natureza, passando pela transformação de produtos até a distribuição de mercadorias. Quando esses trustes fazem acordo entre si, estabelecendo um preço comum, dividindo os mercados potenciais e, portanto, inviabilizando a livre concorrência, criam um cartel.

No cartel não há, como no truste, a perda de autonomia das empresas envolvidas. O truste é resultado de um processos tipicamente capitalistas (concentração e centralização de capitais), que levam a fusões e incorporações de empresas de um mesmo setor de atividade. Já o cartel surge quando as empresas fazem acordos visando partilha entre si determinados mercados ou setores da economia.

Em 1928, constitui-se um dos mais famosos e poderosos cartéis de todos os tempos, reunindo as companhias petrolíferas Exxon, Chevron, Gulf Oil, Mobil Oil, Texaco, British Petroleum e Royal Dutch/Shell, mundialmente conhecido como as “setes irmãs” do petróleo.

Essas empresas (as cincos primeiras, norte-americanas; a outra britânica e a última anglo-holendesa) tinham, e ainda tem mais poder do que muitos Estados; controlam, em muitas regiões, todas as etapas da atividade petrolífera (extração, transporte, refino e distribuição do petróleo).

Muitos trustes, surgidos no final do século XIX e início do século XX, transformaram-se em conglomerados. Resultante de um processo mais amplo de concentração e centralização de capitais, de uma brutal ampliação e diversificação do negócios, visando dominar as ofertas de determinados produtos ou serviços no mercado, os conglomerados, também chamados de grupos ou corporações, são o exemplo mais perfeito de empresas que atuam no capitalismo monopolista.

Controlado por um Holding, eles estendem seus “tentáculos” por diferentes setores da economia. O objetivo fundamental é a manutenção da estabilidade do conglomerado, garantindo uma instabilidade média, já que há rentabilidades diferentes em cada setor.

Os maiores conglomerados surgem hoje no Japão. O Mitsubishi Group, o maior do mundo, fabrica desde alimentos e lapiseiras até navios e aviões, passando por automóveis, aço, aparelhos de som, vídeos cassetes, televisores, etc., sem contar que as indústrias Mitsubishi têm tradicionalmente, como agente financiador, o Banco Mitsubishi.

Este que já contava na lista dos maiores bancos do mundo, após a fusão com o banco de Tokyo, transformou-se no maior do planeta, o Tokyo-Mitsubishi. Outros exemplos de grandes conglomerados que atum em vários setores e tem interesses globais são AT&T (Estados Unidos), General Motors (Estados Unidos), Daimler-Benz (Alemanha), Siemens (Alemanha), Fiat (Itália), Nestlé (Suíça), Matsushita (Japão), Hitachi (Japão), Unilever (Países Baixos-Reinos Unido).

As necessidades do capitalismo industrial-liberal _ matéria-prima, fontes de energia e mercado_ continuaram existindo no capitalismo financeiro-monopolista? Na verdade, tais necessidades se ampliaram, pois a produção industrial, movida pela Segunda Revolução Industrial, aumentou cada vez mais.

Até meados deste século, a maior parte do mundo ainda era formada por colônias que apresentavam uma economia complementar à das potências, definindo a tradicional divisão internacional do trabalho. O imperialismo continuou, portanto, garantindo a expressão dos negócios nos paises que estavam se industrializados.

O desfecho da Segunda Guerra Mundial agravou o processo de decadência das antigas potências européias, que se verificava desde o final da Primeira Guerra Mundial. Aos poucos, elas foram perdendo os seus domínios coloniais na Ásia e na África e, com a destruição provocada pela guerra, houve o deslocamento do centro de poder mundial com a emergência de duas superpotência: os Estados e a União Soviética.

Do ponto de vista econômico, o período do pós-guerra foi marcado por acentuada mundialização da economia capitalista, sob o comando dos grandes conglomerados, agora chamados de multinacionais ou transnacionais. Foi o período de gestação das profundas transformações econômicas pelas quais o mundo iria passar, principalmente a partir dos anos 80, ou seja, o atual processo de globalização da economia.

CARACTERÍSTICAS DO CAPITALISMO

Apesar das profundas diferenças existentes entre os países capitalistas, algumas características básicas são comuns a todos eles, pois fazem parte do molde do sistema capitalista.

Estrutura de propriedade: Predomina a propriedade privada, pois a maioria dos meios necessários para a produção, tais como fábricas, terras, maquinas usinas, portos, ferrovias, minas, etc., pertencente a agentes econômicos privados. No entanto, em muitos paises, o estado também é dono de muitos meios de produção. Atua como capitalista através de empresas estatais, principalmente em setores básicos e de infra-estrutura.

Objetivo: Os agentes econômicos, privados ou estatais, buscam incessantemente a reprodução do capital, ou seja, a constante obtenção de lucros. A diferença fundamental é que uma empresa privada que opera no vermelho pode ir a falência, ao passo que uma estatal normalmente recebe subsídio governamentais (ou seja, recursos dos contribuintes) para manter-se.

Mecanismo de funcionamento da economia: Os agentes econômicos (Indivíduos ou empresas instituições publicas ou privadas) fazem seus investimentos guiando-se pela lógica do mercado, ou seja, como base na lei da oferta e da procura. Investem sempre com o objetivo de obter a maior rentabilidade possível, daí a concorrência se estabelece em todos os setores.
No entanto, há também muitas outras áreas monopolizadas, oligopólizadas e cartelizadas, nas quais na prática, não há concorrência. O Estado, muitas vezes, intervém, numa economia oligopolizada como agente planejador ou simplesmente como agente econômico. Esses processos, generalizados entre os paises capitalistas, varia apenas quanto ao grau da intervenção.

Relação de trabalho: Predomina o trabalho assalariado. No entanto, ao lado dessa relação tipicamente capitalista convivem relações não capitalista de trabalho, principalmente em regiões subdesenvolvidas e rurais: parcerias, arrendamento, em regiões mais remotas, até relação ilegais, como a escravidão e o trabalho forçado por divida.

Meios de troca e instrumentos de crédito: O dinheiro (moeda metálica ou papel-moeda) é o principal meio de troca; surgiu no século VII aC, como resultado da descoberta de técnicas de fundição, e facilitou o comércio. O cheque, outra moeda muito usada para as trocas na economia capitalista, é uma ordem escrita, nominal ou ao portador, que permite movimentar um fundo em dinheiro depositado num banco.

Com os avanços na eletrônica e nas telecomunicações, surgiu o cartão bancários, um “dinheiro virtual” que permite fazer pagamentos sem a intermediação de cheques ou dinheiro real. Mais recentemente, tornou-se possível movimentar fundos através de rede de computadores. Há ainda instrumentos de credito que facilitam as trocas, como os cartões de credito e as duplicatas.

Relação social: Há uma divisão de classes no interior da sociedade capitalista, com uma concentração de renda nos setores ou classes detentores do capital. Portanto, o capitalismo é marcado por desigualdade social, mais acentuadas nos paises subdesenvolvidos. Ultimamente, porem, a distancia entre ricos e pobres tem aumentado também nos paises desenvolvido.

O CAPITALISMO NO BRASIL

O início da economia brasileira foi colonial, especializada em completar a economia metropolitana; exportando matéria-prima e importando produtos industrializados. Esse padrão de comércio efetivou-se por meio do monopólio comercial metropolitano burguês.

A economia colonial organizou-se então para cumprir uma função: instrumento de acumulação primitiva de capital. Os mecanismos de exploração foram:

_A economia colonial deveria produzir um excedente que se transformasse em lucro, ao comercializar no mercado externo.

_Criação de mercados coloniais para a produção metropolitana.

_O lucro gerado pela colônia deveria ser repassado a metrópole por meio da compra dos produtos industrializados.

A produção colonial deveria ser mercantil, comercializável em todo o mundo não atrapalhando a metrópole.

Só haveria a produção colonial se houvesse trabalho compulsório, servil ou escravo, tratando-se assim de rebaixar ao máximo o custo de reprodução da força de trabalho.

O tráfico negreiro abriu um setor do comercio colonial altamente rentável, e representou poderosa alavanca à acumulação de capitais.

A exclusividade na compra rebaixava ao máximo os preços de aquisição dos produtos coloniais, e a exclusividade na venda estabelecia para os produtores metropolitanos os preços mais altos. Aumentando assim a tributação.

O capitalismo industrial na América Latina reinventou o trabalho servil e escravo.

Com o capitalismo industrial houve a exigência de um outro tipo de colônia. A produção de matéria-prima em massa começa a ser cobrada pelos industrialistas, era necessário que fossem abertas às portas da colônia para expandir as relações comerciais; o trabalho escravo já não era mais viável aos burgueses, pois esses necessitavam de mercado consumidor assalariado.

No período de 1880 a 1900 emerge o capitalismo monopolista (concentração do poder em poucas mãos).

O capitalismo tardio foi à política de incorporar as idéias capitalistas a países que eram colônias.

A segunda revolução industrial conhecida como monopolizadora (concentração de capital), capital bancário, formando o capital financeiro, inicia o colonialismo monopolizador, e as principais potências capitalistas terminam por repartir o mundo.

Entre 1880 a 1900, na América Latina começou a importação de mão-de-obra assalariada, e o nascimento das economias exportadoras capitalistas.

No Brasil a formação da Estada Nacional e a queda do exclusivo metropolitano, marca o inicio da crise da economia colonial no Brasil.

O setor mercantil financiou a montagem da economia cafeeira. Nas três primeiras décadas do século XX, o café tornou-se consumido no mundo inteiro. Produzindo muito e barato, em 1830, o Brasil tornou-se o primeiro produtor mundial de café, esse passando a ser o principal produto destinado à exportação.

Houve a generalização do consumo mundial de café e a pós-generalização. Até que houvesse a generalização o preço do café seria baixo para que houvesse a conquista de mercado consumidor, após esse período estabelecer-se-ia um teto máximo, e os preços oscilariam.

Produzir em larga escala a preços baixos era a única forma de expandir a produção auferindo lucros e enfrentando com êxito a concorrência dos demais produtos.

No Brasil existia o trabalho vazio, falta de uma população superabundante que procurasse se submeter ao regime monótono das grandes fábricas.

O entrelaçamento de investimentos externos com os internos induziu ao surgimento das estradas de ferro, facilitando a escoação da produção e abrindo caminho para a importação da mão-de-obra assalariada, pois o mercado nacional era concentrado nas mãos dos grandes produtores de café. Havia a necessidade por parte dos burgueses nacionais de aumentar os assalariados para conseqüentemente haver ao aumento da circulação de capital, aumentando o lucro industrial.

A INDUSTRILIZAÇÃO RETARDÁRIA

A industrialização brasileira é considerada retardaria, pelo motivo de que o capitalismo industrial já estava desenvolvido e concretizado em outros países.

A burguesia cafeeira foi a responsável pela introdução do capitalismo no Brasil através dos investimentos em importações e exportações.

A imigração em massa fez com que um grande contingente de trabalhadores ficasse a disposição dos industriais brasileiros. O abastecimento alimentício era importado, pois não havia ocorrido a mudança na economia interna.

Os cafeicultores ao acumular, geraram capital dinheiro que se transformou em capital industrial, criando as condições necessárias para as transformações internas.

No início vieram para o Brasil indústrias de mecanismos simples de fácil manuseio, explicando a preferência de indústrias de bens de consumo para trabalhadores.

O período de 1888 a 1933 marca o momento do nascimento e da consolidação do capital industrial.

Com a quebra da bolsa em 1929, a economia cafeeira sofreu um grande impacto, assim sendo necessária a interferência do governo na economia. Houve a necessidade de expandir, aumentar os modos de produção, tornando-os agora industriais.

Favorecida pelo forte intervencionismo, e protecionismo estatal, a indústria de bens de consumo obteve altas taxas de lucro. Por outro lado, o investimento em melhorias nas indústrias foi bloqueado por meio da proibição nas importações de novos equipamentos, isso foi vigente entre 1931 a 1937.

De 1933 a 1955, ocorre a industrialização restringida, pois as bases técnicas e financeiras de acumulação não são suficientes para que se implante o núcleo fundamental da indústria de bens de produção, que permitiria a capacidade produtiva crescer adiante da demanda.

O nascimento tardio da indústria pesada implicava na descontinuidade tecnológica muito mais dramática, pois essa tecnologia era praticamente indisponível no mercado internacional, pois era controlada pelas empresas oligopolistas dos países industrializados.

Nesse período o que se exige do Estado é bem claro: garantir forte proteção contra importações concorrentes; impedir a formação de sindicatos; realizar investimentos em infra-estrutura.

O governo de Juscelino caracterizou-se por um período de grande desenvolvimento econômico. A produção industrial chegou a crescer cerca de 80% nesse período. Foi marcado por um grande processo inflacionário.

No final de seu governo, a dependência ao capital estrangeiro já se evidenciava. Influenciado pelos setores que se beneficiavam como crescimento industrial e pela situação, Jk seguiu com seu plano desenvolvimentista, 50 anos de desenvolvimento em cinco de mandato.

Jânio quadros tinha o dever de controlar a inflação e quitar a dívida externa deixada pelo governo anterior em seu mandato. Essas medidas atingiram principalmente os líderes do regime deposto e as organizações que exigiam as reformas de base.

O movimento vitorioso legitimava-se como restaurador da economia, abalada pelas constantes greves, e favorável à definição de um padrão de desenvolvimento baseado no capital estrangeiro e na livre empresa.

Ao nível econômico o governo tentou estabelecer um controle sobre a inflação, incentivou as exportações e procurou atrair investimentos externos. Para controlar a inflação houve um arrocho dos salários, o aumento das tarifas públicas e uma diminuição dos gastos do estado. Essas medidas favoreceram acordos com os Estados Unidos, e empresas Norte americanas instalaram-se no país.

A inflação chegou a 46% em 1976, ficou impossível conciliar o combate a inflação com o crescimento econômico, pois para combater ou estabilizar a inflação era preciso reduzir o crédito bancário, e isso provocaria naturalmente a desaceleração da economia.

No governo de Geisel foram feitos vários empréstimos, para que se pudesse manter um índice de crescimento estável ao ano e melhorar a distribuição de renda para evitar um desgaste político. Com os novos empréstimos o governo Geisel conseguiu manter o crescimento econômico, porém a inflação também continuou a crescer em ritmo acelerado.

O desequilíbrio entre as exportações e importações também exigia cuidados especiais. O petróleo sofreu um reajuste, o que foi prejudicial para o país haja vista que 80% do petróleo consumido naquela época era importado. A solução encontrada foi o uso do álcool como combustível alternativo.

Apesar dos esforços de Geisel, o presidente Figueiredo herdou uma inflação que foi além dos 200% em 1983, e uma situação econômica que resultou na gigantesca recessão do início dos anos 80.

No entanto, a divida externa, a inflação e o desemprego eram problemas que não poderiam ser enfrentados, somente com a criação de um novo combustível.

O governo pediu empréstimos as FMI, não podendo pagar esta dívida, devido aos ajustes feitos pelos banqueiros internacionais, o governo e as empresas começaram pedir mais empréstimos para pagar a dívida externa. A inflação superou a cifra de 200%, prejudicando os trabalhadores que viam a desvalorização de seu dinheiro dia a dia.

O desemprego aumentou devido a redução do crescimento econômico. Com o exagero de desemprego, os saques a supermercados foram absurdos.

O agravamento da crise econômica desagradou à maioria da população, o que fez com que grande número de candidatos da oposição se elegessem.

Esse foi o período que viveu a federação brasileira até 1988.