Conciliar o vestibular com um relacionamento sério requer compreensão e jogo de cintura. Nesse período, a falta de tempo e o excesso de estudos costumam provocar desentendimentos e é aí que muitos namoros acabam.

“Quando eu estava no terceirão, comecei a namorar um menino da minha sala, mas nós quase não nos encontrávamos fora do colégio. Eu tinha o vestibular como prioridade, estudava quatro horas por dia em casa, e ele só queria sair, curtir a vida.

Acabamos nos afastando e terminamos depois de seis meses”, conta Gabriela Sielski de Oliveira, 19 anos, caloura do curso de Nutrição da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

A falta de sintonia nos estudos também fez com que o relacionamento de Leonardo Luiz Limas e Bhárbara Berto, ambos de 19 anos, balançasse. Os dois se conheceram em uma escola de Itajaí (SC), onde cursavam o terceiro ano do ensino médio. Segundo Leonardo, o convívio diário dificultava a preparação para o vestibular.
 
“Ficávamos o dia inteiro juntos e o estudo não rendia”, recorda. No ano seguinte, ele e a namorada se matricularam em um cursinho e as brigas começaram. “Ela queria pegar firme nos livros, preparar-se para o vestibular de Medicina, e se sentia incomodada por eu não ter a mesma preocupação.
 
Eu fazia cursinho, mas achava que ainda estava no ensino médio”, admite o estudante, que hoje estuda em um pré-vestibular de Curitiba. Bhárbara faz cursinho em São Paulo e os dois se encontram pelo menos uma vez por mês. “Sentimos saudades, mas um se preocupa em cobrar do outro a dedicação aos livros”, afirma Leonardo.

Combinação que pode dar certo

Se em alguns casos a relação afetiva prejudica os estudos, em outros ela funciona como um estímulo para agüentar a pressão do vestibular. Juntos há três anos, Ronile Hoeslich e Luiz Gazzoni Neto são um exemplo de que a combinação “namoro e apostilas” pode dar certo. “Começamos a namorar no 2º ano do ensino médio e, como estudávamos na mesma sala, um ajudava o outro.

Ele me ensinava as disciplinas de Humanas e eu o ajudava nas de Exatas, em que tenho mais facilidade. Nos fins de semana também combinávamos de nos encontrar para estudar”, conta Ronile, que disputa uma vaga no Instituto Militar de Engenharia (IME).

Luiz foi aprovado no concurso público de admissão à Escola Preparatória de Cadetes do Exército (Espcex) e mudou-se para Campinas, no interior paulista. Ronile conta que, mesmo a distância, continua recebendo o apoio do namorado. “Ele me liga só para saber se eu estou estudando direitinho”, diz.

Hora marcada

Para que o relacionamento de pouco mais de um ano sobreviva, Jéssica Navarro Guérios, 16 anos, e Rafael Gaete Muñoz, 19 anos, fizeram alguns tratos. “Quando eu estava no 2º ano, ficávamos o dia inteiro juntos, mas agora que passei para o terceirão, comecei a levar o vestibular mais a sério.

Por isso, combinamos de nos encontrar apenas nas sextas à tarde, nos sábados e nos domingos”, afirma a estudante, candidata ao curso de Medicina. De acordo com ela, as conversas pelo telefone também têm hora marcada e normalmente acontecem no começo da tarde ou à noite. ”Nós nos falamos todos os dias, mas não durante muito tempo. Quando eu preciso estudar, peço para ele me ligar depois”, diz.

Na avaliação de Jéssica, o relacionamento continua porque o namorado compreende a importância que o vestibular tem para ela. “Às vezes, quando tenho matérias acumuladas, vou para a casa dele no fim de semana e fico estudando.

O Rafael sabe que quero um curso bem concorrido e entende. Até porque ele pretende, mais para a frente, prestar vestibular para Design Gráfico”, afirma.

Os encontros da vestibulanda Paula Schuartz, 17 anos, com o namorado, já universitário, também ficam restritos aos fins de semana.

Curtir o namorado nos momentos livres é prioridade para a estudante, para quem, se houver maturidade, nem o namoro atrapalha os estudos, nem os estudos atrapalham o namoro. “Às vezes até ajuda ter alguém ao meu lado, pois saio um pouco da rotina e consigo relaxar”, conclui. (MC)