– Assassinato do arquiduque Francisco Fernando de Habsburgo, herdeiro do trono austro-húngaro, na cidade de Sarajevo (capital da Bósnia), por um estudante bósnio de religião cristã ortodoxa, partidário da anexação da Bósnia-Herzegovina à Sérvia (a maioria dos bósnios, muçulmana, não era favorável a essa união). Tomando o assassinato como pretexto, a Áustria-Hungria declara guerra à Sérvia, cujo projeto de formar uma “Grande Sérvia” ameaçava a integridade do Império Austro-Húngaro.
– Em rápida sucessão, entram no conflito a Rússia (protetora da Sérvia), Alemanha, França, Bélgica (invadida pelos alemães, que pretendiam alcançar o território francês através dela) e Grã-Bretanha. A Itália permanece neutra até 1915, quando rompe a Tríplice Aliança e se engaja na guerra ao lado da Entente; a esta também se juntam o Montenegro, a Romênia, a Grécia e Portugal.
O Japão, interessado em alguns arquipélagos alemães no Pacífico, igualmente declara guerra à Alemanha. O Império Otomano e a Bulgária unem-se à Alemanha e Áustria-Hungria, constituindo o bloco dos Impérios Centrais. A Tríplice Entente e os países que lutam a seu favor passam a ser conhecidos pelo nome de Aliados.

Trotsky (à esquerda) e Stalin, importantes personagens da Revolução Russa, disputaram o poder após a morte de Lenin, não apenas atendendo a ambições pessoais, mas também em nome de diferentes interpretações da teoria marxista.
1914-17
– “Guerra de trincheiras” na Frente Ocidental (alemães contra franceses, britânicos e belgas). Relativa estabilização da linha de batalha, com ambos os lados efetuando ataques pouco produtivos em ganhos de terreno, mas extremamente pesados quanto às baixas sofridas. Na Frente Oriental (alemães e austro-húngaros contra russos), os Impérios Centrais dominam os Bálcãs e impõem graves reveses ao exército czarista.

Lenin, ideólogo marxista e líder dos bolcheviques, foi o chefe incontestável
da Revolução Socialista na Rússia e criador da União das
Repúblicas Socialistas Soviéticas.
1916
– Batalha da Jutlândia. Grande choque naval entre as esquadras britânica e alemã, ao largo da costa dinamarquesa, com resultado indeciso. Único engajamento significativo da frota de superfície alemã durante toda a guerra.
1917
– Guerra submarina alemã (janeiro). O governo alemão anuncia que serão torpedeados quaisquer navios encontrados nas zonas de guerra, inclusive neutros e barcos de passageiros.– Constituição Mexicana (fevereiro): proibição dos latifúndios, reforma agrária parcial, restabelecimento dos “ejidos” (terras comunais indígenas) e direitos trabalhistas para o proletariado urbano.
– Revolução Russa, 1ª fase (março). Queda do czar Nicolau II, proclamação da República e formação de um governo provisório liberal burguês, chefiado pelo príncipe Lvov. Anistia política e conseqüente retorno, para a Rússia Européia, de milhares de presos ou exilados bolcheviques – entre os quais Lenin, Trotsky e Stalin.
– Declaração de guerra dos EUA aos Impérios Centrais (abril), sob o pretexto de que submarinos alemães haviam torpedeado navios norte-americanos.
– Tentativa de golpe bolchevique (julho). O príncipe Lvov é substituído pelo advogado Kerensky, que insiste em manter a Rússia na guerra, contra o desejo popular. Os sovietes de operários, soldados e camponeses exigem “Paz, Pão e Terra”.
– Revolução Russa, 2ª fase (novembro). Golpe de Estado bolchevique: queda de Kerensky e ascensão de Lenin ao poder, instaurando uma ditadura.
– Declaração Balfour (novembro). O governo britânico anuncia ser favorável à criação de um Estado Judeu na Palestina (então em poder do Império Otomano).
1918
– Os 14 Pontos (janeiro). O presidente norte-americano Wilson divulga seus “Quatorze Pontos para uma Paz Justa”, que passam a ser o programa de paz semi-oficial dos Aliados até ao final da guerra.
– Tratado de Brest-Litovsk (março). O governo bolchevique assina uma paz em separado com a Alemanha, abrindo mão da Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia e Ucrânia Ocidental (com exceção desta última, que a Rússia retomou em 1920, as demais tornaram-se independentes ao final da I Guerra Mundial). Com o encerramento da Frente Oriental, os alemães realizam uma ofensiva maciça na Frente Ocidental; mas a chegada dos norte-americanos (desde fevereiro) permite aos Aliados contra-atacar.
– Capitulação da Bulgária (setembro), do Império Otomano (outubro) e da Áustria (3 de novembro, depois que checoslovacos, húngaros e eslavos do sul já haviam declarado suas respectivas independências).
– A Alemanha assina o armistício com os Aliados (11 de novembro), depois de uma revolução conduzida por social-democratas (socialistas) e comunistas ter proclamado a República no dia 9. Os Aliados impõem condições bastante duras para aceitar a cessação de fogo.
1918-21
– Guerra Civil na Rússia entre o Exército Vermelho (organizado por Trotsky) e os Brancos (contra-revolucionários de diversas tendências, apoiados inicialmente pelo desembarque de tropas anglo-franco-norte-americanas e japonesas), com a vitória final dos Vermelhos. Durante o conflito, a Rússia vive sob o “comunismo de guerra” (socialização radical).
1919
– O Exército Alemão esmaga em Berlim a Revolução Espartaquista (comunista) liderada por Rosa Luxemburg, que é assassinada. Na cidade de Weimar é promulgada uma Constituição que organiza a República Alemã dentro de um sistema parlamentarista e inclui direitos sociais.
– Conferência de Paz de Paris, reunindo todos os beligerantes, exceto a Rússia (a Itália, insatisfeita em suas pretensões coloniais, retira-se da conferência antes de seu término). Em junho, os “Três Grandes” (EUA, Grã-Bretanha e França) impõem à Alemanha o Tratado de Versalhes, contendo pesadas cláusulas territoriais, militares e financeiras (origem do revanchismo alemão). Nos meses subseqüentes, outros tratados são impostos à Áustria, Bulgária e Hungria. Esses tratados criam graves problemas para o futuro, pois colocam várias minorias étnicas (sobretudo alemãs) dentro das fronteiras de alguns dos novos Estados surgidos na Europa (Polônia, Checoslováquia e Iugoslávia).
1920
– Tratado de Sèvres, imposto ao Império Otomano. Este é despojado de todos os territórios árabes que dominava e fica reduzido a sua porção estritamente turca.
– A Síria e o Líbano são colocados sob domínio francês. A Grã-Bretanha controla a Transjordânia e a Palestina (onde aumenta a imigração de judeus, gerando conflitos com a população árabe local). A Arábia constitui um Estado independente, mas os britânicos mantêm seu protetorado sobre numerosos emirados e sultanatos nos litorais do Golfo Pérsico e do Mar da Arábia. Também o Iraque, embora formalmente um reino independente, é colocado sob influência britânica.
– Instalação da Liga das Nações (uma das poucas concretizações dos 14 Pontos de Wilson) em Genebra. Não participam os EUA (posição insolacionista), além da Alemanha e Rússia (não convidadas). A ineficácia da Liga se agrava devido à falta de poder militar. Obs.: A Alemanha ingressará na Liga em 1926 e a URSS, em 1934.
As nações surgidas no Pós-Primeira Guerra Mundial


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