Memórias Póstumas de Brás Cubas representou um marco decisivo tanto no desenvolvimento da obra de seu autor, quanto na evolução da literatura brasileira. Não é mais um romance romântico, como os anteriores de Machado de Assis (1839-1908), e é tido como o primeiro romance realista brasileiro.

Mas ele é ainda mais que isso: é a primeira narrativa fantástica brasileira e, ainda mais importante, é a primeira obra da literatura brasileira que ultrapassa os limites nacionais dessa literatura, pois é um grande romance universal, que mereceria lugar de destaque em qualquer grande literatura do mundo.

Brás Cubas, o narrador, está morto, e é dessa perspectiva extraordinária (daí o caráter fantástico do livro) que ele nos relata sua vida e nos dá um quadro de sua classe social e do mundo em que viveu, tudo num estilo ziguezagueante, coerente com a vontade de um morto caprichoso e debochado, sem qualquer compromisso com os formalismos da vida – sejam os formalismos das relações sociais, sejam os da narrativa literária.

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Resumo do Livro Memórias Póstumas de Brás Cubas


O livro é imensamente divertido e pode-se lê-lo, com prazer, de diversas formas e com diversos interesses: seja pelo interesse da história, contada com comicidade e irreverência; seja pela forma da narrativa, cheia de surpresas e desenvolvida (ou desmontada) por meio de um vaivém constante (começa pela morte do protagonista, pula para o seu nascimento e prossegue com muitos saltos);

seja ainda pela representação corrosivamente irônica de um mundo social parasitário (a "alta sociedade" do Segundo Império), mundo do qual o narrador – um completo parasita – é o perfeito representante.

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Por trás de tanto bom humor, contudo, está uma perspectiva desencantada (o famoso pessimismo machadiano) que não só põe a nu as estruturas daquela sociedade, mas ainda deixa visível o esqueleto que suporta as estruturas da vida e da arte.

Por: Curso Objetivo