Setenta e seis anos depois da sua vinda do Japão para o Brasil, 7 filhos, 21 netos e 9 bisnetos, e prestes a completar 98 anos de idade, Shunji Nishimura não sossega. Ele inventou a primeira colheitadeira de café do Brasil, fundou a Jacto, um império que hoje reúne quase dez empresas, emprega 3 mil trabalhadores, exporta para 90 países e fatura anualmente algo em torno de R$ 900 milhões.
Além disso, criou a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia e abriu três escolas - o Colégio Técnico Agrícola de Pompéia, uma escola de ensino fundamental e a Escola Profissionalizante Chieko Nishimura, esta,em convênio com o Serviço Nacional da Indústria (Senai).
E ele quer mais. “Se eu tivesse mais 100 anos, iria brigar para que todos os estudantes brasileiros tivessem pelo menos um ano de ensinamentos agrícolas”, diz, com frases curtas, em português. “Brasil tem potência, tem terra grande, clima bom, não falta nada.
Mexer com agricultura faz aluno aprender a respeitar ecologia, a pensar na sua comida, a querer trabalhar e não só encher a barriga”.Nishimura sabe, no entanto, que é difícil mudar a cultura do País. Ele próprio enfrentou dificuldades para que o seu colégio fosse reconhecido pelo Ministério da Educação e Cultura, por fugir dos padrões de outras escolas.
Nos três anos de duração do curso, há atividades práticas na área de 35 alqueires da escola até nos fins de semana. “A praga não tem dia certo para atacar a lavoura: pode ser num fim de semana ou no carnaval”, costuma dizer.
Mas não é só por isso que a escola é diferente. O aluno cuida da sua roupa, planta e colhe verduras, frutas e legumes, prepara refeições, colabora na limpeza. A idéia é incutir neles sentimentos de responsabilidade, cooperação e convivência comunitária.
“A escola prepara os jovens para atuar no mercado agrícola com competência e dignidade”, diz Nishimura, que decidiu fundar o colégio, em 1982, porque sentiu falta de opção do ensino de nível médio. “Ou tinha gente em nível superior, fazendo agronomia, ou tinha o lavrador, com calo na mão, sem estudo nenhum.”
Ele sente orgulho em revelar que, neste ano, forma a 25.ª turma e que até agora já formou 797 alunos, alguns vindos de fora do País, como da Argentina, Venezuela, Paraguai e Costa do Marfim. Terminado o curso, os jovens fazem estágio de um ano em outros Estados, ou até mesmo nos Estados Unidos ou no Japão.
Nishimura criou esse colégio também como retribuição à acolhida que teve no Brasil desde a sua chegada. “Aqui nunca me faltou nada, todo mundo me ajudou. Se eu tivesse ficado no Japão, seria um empregado de nível médio de uma empresa”, diz.
Ele se sente particularmente grato ao ex-presidente Humberto Castelo Branco, que, em 1964, liberou-o de pagar o depósito compulsório no valor de 100% de uma máquina que queria importar da Alemanha.“Ele não me conhecia, eu nem falava português direito, mas me recebeu em sua sala em Brasília”, lembra, emocionado.
Com a isenção do imposto, Nishimura pôde importar uma sopradora de plástico da marca Kautex para fazer o reservatório de pulverizadores que enfrentavam problemas de corrosão, marcando, assim, a entrada
do plástico na agricultura brasileira. “Fiquei em dívida moral para com o Brasil”, diz Nishimura, que confessa ter decidido naquela hora não sair mais do País e fazer tudo para retribuir a generosidade do marechal Castelo Branco.
Em seu quase um século de vida, ele visitou países de todos os continentes. Quando perguntam a ele de qual país gostou mais, seus olhinhos brilham e ele responde, rápido, apontando para baixo: aqui. Se Nishimura sente gratidão por todos os que o ajudaram no Brasil, os que foram ajudados por ele também manifestam reconhecimento.
É o caso do prefeito de Pompéia, Álvaro Prizão Januário. Do PMDB, em seu terceiro mandato como prefeito, Januário é um entre os 18 mil habitantes da cidade que têm algo a agradecer a ele. “Trabalhei durante 20 anos na Jacto, na área de controladoria”, conta.
Não é só isso. Segundo o prefeito, o grupo Jacto contribui com 87% da arrecadação de impostos de Pompéia. O plano de saúde que dá assistência médica hospitalar aos funcionários e dependentes do grupo beneficia cerca de 10 mil pessoas, ou seja, mais da metade dos habitantes do município.
Para Januário, Pompéia teve muita sorte por ter atraído um empreendedor como Nishimura. Este, por sua vez, retribui a gentileza, batendo de leve, na barriga de Januário, repetindo: “Este é o melhor prefeito que Pompéia já teve”.
Além disso, criou a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia e abriu três escolas - o Colégio Técnico Agrícola de Pompéia, uma escola de ensino fundamental e a Escola Profissionalizante Chieko Nishimura, esta,em convênio com o Serviço Nacional da Indústria (Senai).
E ele quer mais. “Se eu tivesse mais 100 anos, iria brigar para que todos os estudantes brasileiros tivessem pelo menos um ano de ensinamentos agrícolas”, diz, com frases curtas, em português. “Brasil tem potência, tem terra grande, clima bom, não falta nada.
Mexer com agricultura faz aluno aprender a respeitar ecologia, a pensar na sua comida, a querer trabalhar e não só encher a barriga”.Nishimura sabe, no entanto, que é difícil mudar a cultura do País. Ele próprio enfrentou dificuldades para que o seu colégio fosse reconhecido pelo Ministério da Educação e Cultura, por fugir dos padrões de outras escolas.
Nos três anos de duração do curso, há atividades práticas na área de 35 alqueires da escola até nos fins de semana. “A praga não tem dia certo para atacar a lavoura: pode ser num fim de semana ou no carnaval”, costuma dizer.
Mas não é só por isso que a escola é diferente. O aluno cuida da sua roupa, planta e colhe verduras, frutas e legumes, prepara refeições, colabora na limpeza. A idéia é incutir neles sentimentos de responsabilidade, cooperação e convivência comunitária.
“A escola prepara os jovens para atuar no mercado agrícola com competência e dignidade”, diz Nishimura, que decidiu fundar o colégio, em 1982, porque sentiu falta de opção do ensino de nível médio. “Ou tinha gente em nível superior, fazendo agronomia, ou tinha o lavrador, com calo na mão, sem estudo nenhum.”
Ele sente orgulho em revelar que, neste ano, forma a 25.ª turma e que até agora já formou 797 alunos, alguns vindos de fora do País, como da Argentina, Venezuela, Paraguai e Costa do Marfim. Terminado o curso, os jovens fazem estágio de um ano em outros Estados, ou até mesmo nos Estados Unidos ou no Japão.
Nishimura criou esse colégio também como retribuição à acolhida que teve no Brasil desde a sua chegada. “Aqui nunca me faltou nada, todo mundo me ajudou. Se eu tivesse ficado no Japão, seria um empregado de nível médio de uma empresa”, diz.
Ele se sente particularmente grato ao ex-presidente Humberto Castelo Branco, que, em 1964, liberou-o de pagar o depósito compulsório no valor de 100% de uma máquina que queria importar da Alemanha.“Ele não me conhecia, eu nem falava português direito, mas me recebeu em sua sala em Brasília”, lembra, emocionado.
Com a isenção do imposto, Nishimura pôde importar uma sopradora de plástico da marca Kautex para fazer o reservatório de pulverizadores que enfrentavam problemas de corrosão, marcando, assim, a entrada
Em seu quase um século de vida, ele visitou países de todos os continentes. Quando perguntam a ele de qual país gostou mais, seus olhinhos brilham e ele responde, rápido, apontando para baixo: aqui. Se Nishimura sente gratidão por todos os que o ajudaram no Brasil, os que foram ajudados por ele também manifestam reconhecimento.
É o caso do prefeito de Pompéia, Álvaro Prizão Januário. Do PMDB, em seu terceiro mandato como prefeito, Januário é um entre os 18 mil habitantes da cidade que têm algo a agradecer a ele. “Trabalhei durante 20 anos na Jacto, na área de controladoria”, conta.
Não é só isso. Segundo o prefeito, o grupo Jacto contribui com 87% da arrecadação de impostos de Pompéia. O plano de saúde que dá assistência médica hospitalar aos funcionários e dependentes do grupo beneficia cerca de 10 mil pessoas, ou seja, mais da metade dos habitantes do município.
Para Januário, Pompéia teve muita sorte por ter atraído um empreendedor como Nishimura. Este, por sua vez, retribui a gentileza, batendo de leve, na barriga de Januário, repetindo: “Este é o melhor prefeito que Pompéia já teve”.


