A palavra “botânica” provém do grego botané, significa “planta forrageira, erva” e é derivada do verbo boskein, “alimentar”. É o ramo das Ciências Biológicas que estuda as plantas. 

O estudo das plantas tem se desenvolvido por milhares de anos, a exemplo de todos os ramos da ciência, ela se tornou diversa e especializada apenas durante os três últimos séculos. Até pouco mais de um século atrás, a botânica era uma subárea da medicina, a qual de dedicavam principalmente médicos que estudavam as plantas para fins medicinais e que estavam interessados na determinação de similaridades e diferenças entre plantas e animais.

Todas as ciências biológicas colaboram estritamente para responder aos problemas básicos comuns. Assim, cabe à botânica um papel especial: muitas reações vitais se dão no homem e no animal de modo bem complicado, ao passo que na planta se observam de maneira mais simples.

Não foi por acaso que os nossos conhecimentos sobre os fenômenos osmóticos, que hoje constituem uma das bases da fisiologia, tiveram por ponto de partida os estudos dos botânicos De Vries e Pfeffer, realizados com a célula vegetal. Também as leis de hereditariedade foram constatadas em primeiro lugar nas plantas por Mendel.

A botânica está intimamente ligada a outros domínios das ciências naturais. Sob este ponto de vista são de grande importância a química, a física, a geologia, a zoologia, a geografia e a meteorologia. Estas ligações são representadas por várias ciências intermediárias. A fitoquímica, por exemplo, une a química à fisiologia do metabolismo das plantas.

Hoje a botânica é uma importante disciplina científica que apresenta várias subdivisões. De acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o programa básico da botânica é dividido em cinco subáreas, podendo incluir as seguintes linhas de pesquisa:

Botânica Aplicada
 
Biologia da reprodução; Biologia geral; Fenologia; Polinização; Cultura de tecidos;
Fitoquímica; Interação microrganismos-planta; 

Fisiologia Vegetal

Nutrição e crescimento vegetal; reprodução vegetal; ecofisiologia vegetal; 

Fitogeografia
 
Dinâmica de vegetação; sensoriamento remoto; ecologia vegetal;  Morfologia Vegetal; 
morfologia externa; citologia vegetal; anatomia vegetal;

Paleobotânica

Palinologia; paleoecologia;  Taxonomia vegetal; taxonomia de Criptógamas; taxonomia de Fanerógamas;           

Como escreveu o laureado Prêmio Nobel Albert Szent-Györgyi: “O que move a vida é... um modesto fluxo mantido pela luz do sol”. Com esta simples sentença ele resumiu uma das maiores maravilhas da evolução – a fotossíntese. Uma vez que a energia luminosa é aprisionada sob a forma química, ela se torna disponível como fonte de energia para todos os outros organismos, inclusive os seres humanos. Todas as formas de vida dependem direta ou indiretamente das plantas.

A importância econômica dos recursos obtidos do reino vegetal é inegável. O homem depende para sua sobrevivência e bem estar de recursos naturais, os quais em grande parte provém das plantas. O conhecimento do que se explora comercialmente e como os transformar para atender as necessidades humanas, é importante para o biólogo a fim de que ele possa dialogar em sua atividade profissional, com especialistas de outras áreas, como agrônomos, engenheiros, farmacêuticos, entre outros.

Desde Pero Vaz Caminha, nós brasileiros acomodamo-nos em uma sensação de segurança de que esta generosa Terra “tudo dá”. Isto foi verdade durante cinco séculos, enquanto a extração de riquezas se fazia em moldes ainda relativamente comedidos por uma população que, na imensidão do território, era de densidade escassa, o que já não acontece hoje.

A manutenção das comunidades vegetais promove simultaneamente a conservação da fauna, que depende diretamente dos habitats. A pressão das expansões agrícola, pastoreia e urbana, além das inundações por barragens, extrações de madeira, plantas medicinais, ornamentais e alimentícias, têm feito desaparecer diversas espécies, causando desequilíbrio no ecossistema. É com urgência que devemos voltar os olhos para nossos recursos renováveis e tratar, realmente, de renová-los.

Por: Simone Rodrigues Slusarski