Progesterona:
Normalmente é secretada pelo corpo lúteo do ovário e durante a gestação também pela placenta. O corpo lúteo é fundamental na secreção deste hormônio nos 60 primeiros dias.

A partir desta data, a progesterona produzida pelas células sinciciais do trofoblasto eleva-se gradativamente até chegar ao máximo na 28a semana, permanecendo neste nível até o parto. Para que a placenta produza a progesterona,  ela necessita de precursores, como colesterol e pregnenolona. Alguns precursores são fornecidos pelas adrenais da mãe e do feto. A produção de progesterona parece ser proporcional a sua massa.

Provavelmente, a progesterona diminui a excitabilidade da fibra muscular uterina, talvez por promover fortes ligações do íon Ca++ nas fibras musculares, diminuindo seu movimento entre as membranas. Assim, a sua principal função é diminuir o tono desta musculatura. Ela também aumenta a vascularização do corpo e colo uterinos, além do desenvolvimento dos lóbulos-alveolares das mamas.

Estrógenos:
Como a progesterona, os estrógenos são secretados pelo corpo lúteo do ovário e durante a gestação também pela placenta. Durante a gestação, seus níveis plasmáticos são inicialmente baixos, e depois da 6a semana crescem, chegando ao máximo nas últimas semanas.
Na fase inicial, o corpo lúteo é o grande contribuinte, porém a partir dos 60 dias, a placenta produz o hormônio. Os estrógenos que predominam na circulação são 17-betaestradiol, estrona e estriol. Entretanto, na urina foram isoladas mais de 27 substâncias estrogênicas, que diferem em sua potência fisiológica.

As enzimas necessárias para a produção  estrogênica estão nos tecidos fetais (fígado e adrenais) e placenta, necessitando de uma ação conjunta destas estruturas.

Os estrógenos induzem ao aumento da vascularização uterina, hiperplasia e hipertrofia das fibras musculares; aumenta a espessura e a vascularização do epitélio vaginal e a mucosa cervical, além de amolecer o cérvix uterino (estriol); tem ação antagônica à da progesterona, aumentando a excitabilidade da fibra muscular e quantidade de material contrátil.

Na mama, ajuda no desenvolvimento dos ductos e no aumento do tamanho e mobilidade dos mamilos. Auxiliam a distensão facilitada do colo uterino, a retenção de água pelo tecido conjuntivo (edema) e ganho de sensibilidade. Além disso, os estrógenos também determinam o aumento do volume do líquido extracelular, pela retenção de sódio e água no túbulo renal. Elevam-se também os níveis de proteínas plasmáticas e dos fatores de coagulação sanguínea.

Gonadotrofina Coriônica (HCG):

É uma glicoproteína, que atua na manutenção do corpo lúteo gravídico, sendo produzido pelo sinciciotrofoblasto. Tem ação luteotrófica, aumentando a duração do corpo lúteo.

Além disso, determina o aparecimento de uma reação decidual indistinguível daquela observada no início da gestação. O pico da secreção de HCG é  em torno dos 60 dias, quando o corpo lúteo deixa de exercer seu papel importante para manter a gestação. A extirpação do corpo lúteo não determina o aborto.

Além da ação luteotrófica na mãe, parece ser adrenocorticotrófico para o feto, com aumento de 10 vezes na excreção urinária. Quando os níveis de estrógenos diminuem, ocorre aumento na secreção de HCG, que estimula a produção de um precursor estrogênico.

Hormônio lactogênico placentário (HPL):
É semelhante ao hormônio de crescimento hipofisário, sendo produzido pelas células do sinciciotrofoblasto. Sua composição de aminoácidos e peso molecular é semelhante ao GH. Embora tenham mobilidade eletroforética diferente, possuem reações imunológicas cruzadas.

É produzido pela placenta a partir da 2a semana da implantação, elevando-se gradativamente até a 36a semana. O HPL possui funções prolactínicas, aumentando a insulina plasmática, a lipólise, os níveis de ácidos graxos livres e a neoglicogênese. É ele também que determina o desenvolvimento mamário.

Hormônios hipofisários:
A hipófise materna aumenta de tamanho durante a gravidez, provavelmente pelo aumento do número e  tamanho das células basófilas e acidófilas. Durante a gravidez, as gonadotrofinas hipofisárias (LH e FSH) encontram-se em níveis altos.

Função tireoidiana
Esta função encontra-se aumentada durante a gestação, provavelmente pela secreção de TSH pela placenta.

Função adrenal
Os níveis de cortisol aumentam na gestação, devido a o ACTH hipofisário. Este hormônio é encontrado ao nível da placenta, provavelmente pela sua concentração neste tecido, e não porque seja produzido aí.

Hormônio melanóforo estimulante (MSH)
Durante a gestação ocorrem modificações na pele da gestante, como o escurecimento da aréola dos mamilos e a linha alba, devido ao MSH hipofisário. Outro exemplo é a máscara gravídica (cloasma).

Papel da prolactina na fisiologia do aparelho reprodutor feminino

A prolactina é produzida pelas células acidófilas da adeno-hipófise. A prolactina tem peso molecular de cerca de 23.500 daltons, e 198 aminoácidos e se  encontra na hipófise sob a forma de vários isoormônios. É um hormônio que controla grande número de processos fisiológicos. Existem receptores para a prolactina em vários tecidos humanos, como nas glândulas mamárias, gônadas, fígado, rins e outros. A prolactina exerce papel importante no início e durante a lactação e na manutenção do corpo lúteo.

Ações sobe a mama:
O crescimento dos dutos mamários ocorre durante o processo puberal e continua durante a primeira parte da vida sexual. Este crescimento mamário depende dos estrógenos, progesterona, hormônio de crescimento e dos glicocorticóides. Entretanto, o desenvolvimento completo das mamas depende da ação sinérgica destes hormônios e da prolactina.

O hormônio lactogênio-placentário contribui para o desenvolvimento lóbulo-alveolar durante a gestação. Quando este sistema está desenvolvido, a prolactina e os corticosteróides constituem os requisitos mínimos essenciais para a lactação. O GH, TSH, hormônios  tireoidianos e insul8inasao importantes em todas as fases do desenvolvimento mamário, estes requisitos hormonais para ao desenvolvimento da lactação variam com as diferentes espécies animais.

Ações gonadotróficas:

Luteotrófica: o corpo lúteo produz progesterona, essencial para a nidação do ovo fecundado, manutenção da gravidez e supressão da ovulação. A manutenção da produção da progesterona pelo corpo lúteo depende de um complexo luteotrófico, que na maioria dos mamíferos consiste de prolactina , FSH e LH.

Ciclo menstrual: a prolactina é importante para a manutenção do corpo lúteo. Durante o ciclo menstrual, a prolactina parece acompanhar os níveis de estradiol. Quando aumentam os níveis de prolactina citoplasmática, ocorrem uma série de alterações, como a deficiência luteínica, anovulação, infertilidade ou esterilidade. A hiperprolactinemia pode atuar tanto ao nível hipotalâmico-hipofisário como gonadal. Geralmente a supressão dos níveis altos de prolactina restaura o ciclo menstrual, eleva a concentração de testosterona e promove a libido.

Vida intra-uterina: Tem papel sobre o crescimento, desenvolvimento e metabolismo do feto.

Regulação da secreção de prolactina

O controle hipotalâmico da secreção da prolactina pela adeno-hipófise  é predominantemente inibidor. Acredita-se que a dopamina seja o maior inibidor da secreção da prolactina. A bromo-ergo-criptina também tem efeito nesse processo,  pois ocupa os receptores dopaminérgicos exercendo ação antagonista a da dopamina.

Demonstra-se a existência de um fator liberador, o TRH, na secreção do hormônio tireotrófico, que também promove a liberação de prolactina. Por isso nos casos de hipertireoidismo há com frequência hipoprolactinemias. A prolactina na mulher aumenta após a puberdade, sofre flutuações cíclicas durante o ciclo menstrual e diminui depois da menopausa.