O Conselho Universitário (Coun) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) discutiu, nesta quarta-feira (23), a inclusão de portadores de deficiência na instituição. A decisão sobre a possibilidade da implantação de um novo sistema de cotas na universidade ficou para próxima reunião do conselho no dia 15 de maio.

Os conselheiros se mostraram preocupados com a estrutura didática e pedagógica, além dos investimentos que serão necessários para o atendimento adequado destes estudantes.

De acordo com a assessoria de imprensa da UFPR, a inclusão dos deficientes será debatida pelos coordenadores dos cursos de graduação e dos diretores dos setores.

A discussão foi incluída na pauta do Coun depois que o Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública contra a UFPR e Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – antigo CEFET.

Na ação, o MP exige que as universidades implantem o percentual de 5% de cotas para as pessoas portadoras de deficiências, a exemplo do sistema de cotas já existente para estudantes afrodescendentes e oriundos de escolas públicas.

O reitor da UFPR, Carlos Moreira Júnior, se posicionou contra a proposta. “É preciso vivenciar o problema, sou contra os 5% propostos neste momento, mas sou a favor de enfrentar esse problema, essa situação que nunca terá solução se não a vivenciarmos”, disse o reitor pela assessoria de imprensa.

Moreira sugeriu que a universidade oferte uma vaga de expansão por curso ou por setor para os candidatos deficientes. O conselho, porém, optou por discutir melhor as duas opções: reservar 5% das vagas no sistema de cotas ou abrir novas vagas.

O reitor disse, ainda, que será necessário o estabelecimento de critérios claros para definir o deficiente que teria direito à inclusão. A data limite para que todas as regras sejam definidas é 30 de maio, quando será fechado o edital do Vestibular 2009.

O UFPR informou que seu Núcleo Apoio ao Portador de Necessidades Especiais (NAPNE) está levantando dados sobre o número de estudantes com deficiência que já estão na instituição e quais suas necessidades.

A pesquisa preliminar aponta que 92 estudantes da UFPR são portadores de necessidades especiais: 8 surdos, 11 cegos, 23 deficientes físicos e 50 com outras necessidades, em que se incluem as dificuldades de aprendizagem, superdotação e dislexias.