Uma constatação tem preocupado os professores de matemática: mesmo antes de entrar na escola, muitos alunos criam aversão a essa disciplina. De tanto ouvir que matemática é difícil, complicada e chata, as crianças iniciam a vida escolar dizendo que não gostam da matéria, sem nunca ter visto nada sobre o assunto.
Desatar esse nó é mais um desafio para os professores. Além do esforço em tornar a aula menos cansativa, com o uso dos mais variados recursos, eles têm também que lançar mão da psicologia para reverter esse bloqueio que afeta os alunos novos.
De acordo com o professor Nelson Antônio Pirola, 38 anos, é preciso identificar primeiramente quais são os obstáculos que estão dificultando o aprendizado para depois saber como superá-los. Na opinião dele, essas barreiras são plenamente transponíveis, desde que os professores utilizem uma didática diversificada.
“Hoje, temos muitos recursos à nossa disposição para ensinar. É só saber usá-los”, diz Pirola, que é diretor da Sociedade Brasileira de Educação Matemática de São Paulo, além de professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.
Ele conta que já se deparou com uma sala de aula em que cerca de 90% dos alunos detestavam matemática. A alternativa que ele encontrou foi sair do convencional e usar a criatividade. Até hoje, ele utiliza artigos de revistas e jornais, usa problemas reais para resolvê-los à luz da matemática, ensina geometria por meio de obras de arte e por aí vai.
“É importante que o professor não fique preso apenas ao livro didático. Este é um dos recursos disponíveis, mas não o único. Não pode ser encarado como uma Bíblia, insubstituível”, orienta ele.
Segundo ele, é preciso criar um ambiente dentro da sala de aula que acabe com o medo dos alunos que chegam à escola pré-dispostos a não gostar de matemática. Na opinião dele, isso não é difícil nos primeiros anos do ensino fundamental, porque é uma etapa gostosa para os alunos.
“Pesquisas mostram que até o quinto ano do ensino fundamental a maioria dos alunos faz uma avaliação positiva da matemática. Eles gostam da matéria, porque são cálculos que têm mais a ver com o cotidiano deles”, revela. Mas o cenário dentro da sala de aula muda a partir do momento em que as letras (a, b, c, x e y, entre outras) se misturam aos números.
Isso ocorre no sexto ano (antiga 5ª série). É aí que os alunos começam a estudar álgebra, algo um pouco mais distante do cotidiano, mais abstrato, que exige muita memorização.
“Por volta do oitavo ano, os alunos que gostavam de matemática deixam de gostar”, relata Pirola. A constatação é a mesma da professora Maria Carmem Fernandes Herrera Mucheroni, 53 anos. Segundo ela, o fato da maioria dos alunos do ensino médio não gostar de matemática é uma prova disso. “Eles passam a não entender mais nada da matéria e pegam raiva da matemática para sempre”, comenta.
“Acho que todo professor tem de ter um pouco de psicólogo. É preciso muita sensibilidade para ver o que funciona dentro da sala de aula, o que motiva os alunos a aprender”, afirma.
Olimpíada
Os alunos dos ensinos fundamental e médio das escolas estaduais, federais e municipais de todo o País têm até o dia 16 de maio, próxima sexta-feira, para se inscreverem na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). A competição terá sua 1ª fase no dia 26 de agosto em cada escola, com provas aplicadas pelos professores, que selecionarão 5% dos participantes para a 2ª fase prevista para o dia 8 de novembro, quando a prova ficará sob a responsabilidade da coordenação em cada município. A inscrição pode ser feita pelo site: www.obmep.org.br.
O governo do Estado, por meio da Secretaria da Educação (Seduc), está incentivando a participação de todos os alunos, considerando que o evento é mais uma forma de avaliar a qualidade do ensino público, especialmente matemática, uma das disciplinas em que a maioria dos alunos apresenta dificuldades para aprendizagem.
Para os melhores alunos serão oferecidas 300 medalhas de ouro, 900 de prata e 1.800 de bronze, além de três mil bolsas de Iniciação Cientifica e três mil certificados de menção honrosa. Para os professores, a premiação consta de 127 cursos de aperfeiçoamento no Instituto de Matemática Pura e Aplicada do Rio de Janeiro.
Também são premiadas as escolas municipais e/ou estaduais que obtiverem a maior pontuação em seus respectivos estados e nacionalmente. As secretarias de Educação com maior quantidade de escolas premiadas receberão troféus.


