A exemplo da Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), a UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) adotará o sistema de cotas. De acordo com o reitor da UFGD, Damião Duque de Farias, a partir de 2009, 25% das vagas

oferecidas nos vestibulares da universidade serão destinadas aos alunos que concluíram o ensino médio em escolas da rede pública de ensino. São as chamadas cotas sociais.

A medida adotada pela UFGD vem de encontro com os debates envolvendo universidades, movimentos estudantis e raciais.

Atualmente, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que trata da reserva de 50% das vagas nas universidades públicas para alunos egressos das escolas públicas. O projeto já passou pelas comissões de Justiça e Educação e está trancando a pauta da Câmara dos Deputados.

Na Uems, desde 2003, vigora o sistema de cotas raciais que destina vagas a negros e índios. Do total de vagas oferecidas nos vestibulares da instituição, 20% são exclusivas para negros e 10% índios. No entanto, o sistema ainda gera polêmica.

No ano passado, alguns vestibulandos conseguiram na Justiça o direito de matrícula na universidade, após alegarem a inconstitucionalidade do sistema.

Alguns movimentos também debatem o estabelecimento de cotas raciais para negros e índios na UFGD. O assunto é uma das temáticas do “I Seminário Racismo e Anti-Racismo – Dos mecanismos Jurídicos às Ações Afirmativas”, promovido pela universidade, com o apoio da prefeitura. O evento começou ontem e vai até sexta-feira.

De acordo com o professor doutor Márcio Macedula Aguiar, do curso de ciências sociais, que organiza o seminário, o objetivo é levar para dentro da universidade o debate sobre a igualdade racial para suscitar a discussão sobre as cotas.

Na opinião do professor, em longo prazo o ideal é o investimento no ensino público para garantir oferta de vagas a todos, mas em curto prazo as cotas são importantes para promover a igualdade de oportunidades. Neste sentido, ele acha que o assunto precisa ser discutido. “Já existe uma posição no conselho da universidade sobre cotas sociais, mas acho importante ampliá-las para raciais e étnicas”, ressalta.

No entanto, Damião argumenta que ainda não há nenhuma discussão mais avançada na UFGD sobre a utilização de cotas raciais e étnicas. “É possível que aconteça mais para frente à adoção de cotas para raças e etnias. No entanto, no momento, o assunto não está na pauta porque ainda existem muitas dúvidas sobre a eficiência deste sistema como mecanismo de inclusão social”, disse o reitor.