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CONCORRÊNCIA PÓS-VESTIBULAR
Ter o nome na lista dos aprovados é o sonho de todo vestibulando. No entanto, quem decidir cursar Direito ou Medicina, depois de ralar por cinco ou seis anos na faculdade, vai precisar passar por uma nova avaliação antes de entrar definitivamente no mercado de trabalho: o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a residência médica, respectivamente.
“É um ônus a mais no final do curso. Temos de cursar 5 anos de graduação e ainda fazer o exame. Mas eu acho necessário, porque ele vai selecionar os que estão capacitados para advogar”, avalia Jéssica Rigatti, estudante do 2º ano de Direito.
O bacharel em Direito, independentemente da aprovação no exame da OAB, pode atuar como professor, consultor, assessor jurídico, delegado, investigador criminal e auditor fiscal do Tesouro Nacional, entre outras funções.
No entanto, a diretora do curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Sheila do Rocio Cercal Santos Leal, explica que a prova é obrigatória para o profissional que deseja trabalhar como advogado e, conseqüentemente, para o ingresso em algumas áreas que exigem comprovação do exercício da advocacia, como a magistratura e o Ministério Público.
O exame é autorizado pela Lei Federal 8.906/94 e ocorre anualmente em três datas. Na primeira avaliação de 2007, de um total de 5.647 candidatos no Paraná, apenas 1.016 (cerca de 18%) foram aprovados. No segundo exame, o número foi ainda menor: 823 (cerca de 15%) dos 5.380 inscritos passaram na prova.
O terceiro exame aprovou 2.358 candidatos (35%), de um total de 6.676. “O nível de responsabilidade do aluno, a qualidade de algumas instituições e a proliferação de cursos de Direito, sem sombra de dúvida, justificam o grande número de reprovações no exame da OAB”, avalia Sheila, que integra a Comissão de Ensino Jurídico da OAB Paraná.
Para a professora, o exame também tem servido como um indicador de qualidade diante do grande número de cursos que são abertos todos os anos no Brasil. Apenas no Paraná, segundo dados da OAB, estão em funcionamento 82 graduações em Direito, que ofertam anualmente 13.634 vagas. “O exame da OAB representa importante indicador de qualidade dos cursos, pois as instituições com a melhor colocação recebem o selo ‘OAB recomenda’”, explica.
Filipe Merlin Ramão é calouro de Direito. Ele mal entrou no curso, mas já demonstra preocupação com o exame da OAB. “Acho bom ter de fazer a prova. O curso acabou banalizado. São poucos os alunos que levam os estudos a sério. Na primeira oportunidade que eu tiver, pretendo fazer. Na minha turma a grande maioria também quer prestar o exame”, relata.
Já a residência médica é um curso de especialização regulamentado pelo Ministério da Educação (MEC) que dura de 2 a 3 anos, dependendo da especialidade escolhida. De acordo com Ângelo Luiz Tesser, diretor de Ensino, Pesquisa e Extensão do Hospital de Clínicas (HC) da UFPR, esta é a melhor forma de o estudante se aprofundar em uma área específica da profissão.
“É um treinamento em serviço. Durante cerca de 90% do tempo o aluno está envolvido com atividades práticas”, afirma ele, que também é coordenador da Comissão de Residência Médica (COREME) do HC.
Na residência médica existem dois programas: um de acesso direto (basta ter a graduação para cursá-lo) e outro que exige a residência prévia em outra especialidade. Antes de se candidatar à residência em cirurgia plástica, por exemplo, o candidato precisa ter feito dois anos de cirurgia geral.
Segundo Tesser, o concurso para a residência no HC está dividido em duas etapas. “A primeira fase é composta de uma prova teórica sobre conhecimentos médicos e a segunda, de análise de currículo e entrevista. Desde o ano passado, foi instituída mais uma fase na avaliação do HC: a prova prática para o programa de acesso direto”, afirma.
Alunos de Medicina recorrem a cursinho
Desde o ano passado, William Massami Itikawa, aluno do 6º ano de Medicina, está estudando para o teste de residência em cirurgia geral. “Precisamos saber sobre todas as áreas. Assim como eu, a maioria dos alunos acaba tendo de recorrer aos cursinhos para passar na prova. É quase regra”, diz o estudante.
Para a candidata à residência em dermatologia, Gisele Leache de Arruda Mota, a residência é como um segundo vestibular: “Temos de estudar bastante. Por existirem muitas faculdades, não tem vaga para todo mundo. De qualquer forma, estou tranqüila. A prova de residência é igual ao vestibular: tem todo ano. Vou tentar até passar”, diz.


