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TER DIPLOMA PARA QUÊ?
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“Não me preocupei com isso na época em que prestei vestibular para Design. Assim como eu, muitas pessoas da minha sala não sabiam que a profissão não era regulamentada”, afirma Felipe Seeling Segui, 23 anos, formado em 2007.
Hoje, no mercado de trabalho, ele reclama da falta de reconhecimento profissional. “As empresas vêem uma pessoa formada em Design como um estagiário e não como um profissional. Além disso, você acaba disputando vagas com gente que tem um cursinho de Photoshop ou Coreldraw. Essas pessoas se autodenominam designers, mas não têm nenhuma graduação”, reclama.
Assim como a carreira de Design, profissões como Turismo e Ciência da Computação não são regulamentadas. Em conseqüência, os egressos desses cursos não têm piso salarial, carga horária definida e código de ética profissional. Outro ponto negativo é que disputam vagas no mercado de trabalho com pessoas de diferentes formações – muitas vezes, sem diploma de curso superior.
De acordo com Denis Luiz Parize, supervisor do Setor de Identificação e Registro Profissional (Seprof) da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Paraná (SRTE/PR), a regulamentação é benéfica não apenas para os trabalhadores como para os consumidores, pois garante que os serviços serão prestados com qualidade e por pessoas habilitadas.
Mesmo assim, uma enxurrada de pedidos de regulamentação tem sido arquivada pelo Congresso Nacional nos últimos anos. Contra o reconhecimento, pesam argumentos como o de que é o mercado de trabalho que deve definir se o profissional precisa de diplomas, certificados ou formação específica. Também há o entendimento de que o exercício de algumas carreiras não requer o ensino superior.
Decepção
Monique Reway Beira Noldin, 24 anos, soube que a profissão de Turismo não era regulamentada por lei durante a faculdade e, depois de formada, encontrou uma realidade diferente da que esperava. “Além do curso de graduação, as empresas exigiam cursos técnicos”, afirma. Atualmente, ela não exerce a função de turismóloga e admite que “a falta de um conselho ou leis para a profissão acabam com o incentivo de crescimento na carreira”.
Formada em 2006 em Turismo, Juliana Gomes de Oliveira, 23 anos, também não sabia da importância da regulamentação. “É frustrante ter estudado durante quatro anos em uma faculdade e acabar disputando vagas com pessoas que não têm a mesma qualificação que você”, diz. Para driblar as dificuldades, a turismóloga recomenda aos estudantes que busquem outros cursos para complementar a graduação.
Segundo o coordenador do curso de Turismo da Universidade Positivo (UP), Dario Luiz Dias Paixão, as empresas turísticas preferem profissionais que tenham experiência, mas o diploma também é valorizado. “O mercado de trabalho é amplo e há mais vagas do que profissionais”, afirma. Sobre a não-regulamentação, ele diz que grande parte dos alunos sabe da situação e conhecem os pontos a favor e contra a medida.
Divergências
Descubra quais são os argumentos a favor e contra a regulamentação das profissões.
Contra
- diploma não é garantia de qualidade - a sociedade já “pune” os profissionais sem qualificação - corporativismo da área, tornando-a mais burocrática
A favor
- piso salarial - carga horária de trabalho definida - maior qualidade do serviço prestado - criação de normas técnicas e de um código de ética para a área
Você sabia?
Graduados em Turismo, Design e Ciência da Computação tentam há muitos anos regulamentar suas profissões.
Turismo
De acordo com o coordenador do curso de Turismo da UP, Dario Luiz Dias Paixão, a regulamentação da carreira foi proposta três vezes ao Congresso Nacional.
A primeira tentativa aconteceu nos anos 80, sem sucesso. A segunda foi em 1994, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso negou o pedido e justificou que não poderia promover a reserva de mercado na área. A terceira tentativa foi no atual governo do presidente Lula, que também vetou o projeto.
Design
Cinco projetos para regulamentar a carreira já foram enviados ao Congresso Nacional nos últimos 30 anos. Todos acabaram arquivados.
Ciência da Computação
A Sociedade Brasileira de Computação (SBC) encaminhou dois projetos de lei para a regulamentação da área. O primeiro foi enviado em 2003 e o segundo, em 2007. Ambos foram vetados.


