Governo federal prepara a retomada do ensino técnico
Uma das diretrizes mais claras da reforma do ensino que o ministro da Educação Fernando Haddad prepara é a retomada dos cursos técnicos profissionalizantes. Ele afirmou este mês, segundo a Agência Brasil, que a pasta está investindo R$ 600 milhões para criar 150 novas escolas técnicas federais nos próximos dois anos. Com isso, a rede federal passará das 140 unidades existentes em 2002 para 354 ao final de 2010, com um total de 274 mil vagas (hoje são 160 mil).
Ao mesmo tempo ele propõe mudanças no sistema S (Sesi/Senai, Sesc/Senac) que privilegiam o ensino técnico em relação às atividades culturais promovidas por esses órgãos. E ainda começa a reforçar a estrutura do ensino profissionalizante nos estados: o MEC está investindo R$ 900 milhões de 2008 a 2011 para integrar os cursos médio e técnico nas escolas públicas estaduais.
A retomada desse tipo de ensino, praticamente extinto em 1998 (uma lei federal o separou do ensino médio) ocorreu em 2003, quando essa lei foi revogada e as escolas puderam voltar a oferecer cursos técnicos equivalentes ao ensino de segundo grau. “Com a separação, os cursos profissionalizantes minguaram, pois os estudantes passaram a preferir os de graduação, seqüenciais ou tecnológicos, que lhes conferem diploma de terceiro grau”, diz José Augusto Mattos Lourenço, presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep).
Atualmente, parece haver demanda para todos os segmentos de cursos profissionalizantes. Os técnicos de ensino médio, inclusive, já não disputam espaço com os seqüenciais, de acordo com Lourenço. Mas faltam vagas para atender os estudantes. Basta verificar a disputa pelas disponíveis em escolas como a Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec): no último vestibular para Análise e Desenvolvimento de Sistemas em São Paulo, por exemplo, havia mais de 20 candidatos por vaga.
Pesquisa do Departamento de Matemática da Unicamp revela que apenas 1% dos estudantes brasileiros se forma em cursos técnicos ou tecnológicos. No Chile, esse percentual é de 22%. Tal cenário remeteria, segundo o estudo, a uma certa tradição do Brasil de considerar o ensino técnico como de “segunda classe”, especialmente pelos estudantes que têm acesso ao ensino superior.
Ensino técnico federal
Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefet) - Os 33 Cefets são autarquias de ensino superior, graduação e pós-graduação na área tecnológica e pedagógica. Também oferecem cursos de nível básico, técnico e ensino médio. São integrados por 43 Unidades de Ensino Descentralizadas, subordinadas aos Cefets.
Escolas Agrotécnicas Federais - 36 estabelecimentos que atuam prioritariamente na área agropecuária, oferecendo habilitações de nível técnico, ensino básico e de nível médio. Mantêm duas Unidades de Ensino Descentralizadas.
Escolas Técnicas Vinculadas a Universidades Federais - São 33, sem autonomia administrativa, financeira e orçamentária. Mantêm cursos de nível técnico voltados para o setor agropecuário, de indústria e serviços, além de ensino médio.
Escola Técnica Federal - Há uma, em Palmas (TO). Autarquia federal que atua prioritariamente nas áreas de indústria e serviço, mas também oferece ensino básico e de nível médio.
Universidade Tecnológica Federal - Existe uma, em Curitiba (PR).
Campus vinculados a universidades tecnológicas - 11


