Atenção na interpretação dos enunciados das questões é a principal cautela que os professores sugerem aos vestibulandos. Confira outras sugestões que podem garantir uns pontos a mais.

Química

O organizador do “Show dos professores”, Márcio Novaes, não acredita que a prova de Química da Fuvest deste ano seja tão difícil, já que a do ano passado foi a mais fácil dos últimos anos. Já a segunda fase do exame da Unicamp, segundo ele, costuma exigir mais conhecimento dos alunos, e apenas os mais preparados conseguem ir bem. O professor aconselha que os alunos não se assustem com os nomes das substâncias apresentadas nos enunciados. Como exemplo, ele conta um caso vivido em sala de aula, quando passou um exercício e ninguém conseguiu responder, mas que, depois de ele substituir o nome da substância “permanganato de potássio” por "suco Tang”, todos acertaram.

Márcio Novaes diz que fez uma pesquisa sobre as provas da Fuvest desde o ano de 1977 e concluiu que os temas forças intermoleculares e Ph caem todo ano. Química orgânica, soluções e cálculo estequiométrico também são bastante recorrentes.

Matemática

Willian Tama, baixista da banda, diz que muitos alunos deixam para fazer a prova de Matemática por último por acharem que não vão acertar os exercícios, mas ele acredita que uma leitura atenta dos enunciados e a identificação rápida das questões mais fáceis garantem um melhor desempenho.

Para a prova da Fuvest, o professor Willian espera que temas como relações métricas e trigonométricas nos triângulos retângulos, porcentagem, regra de três, PA e PG, funções, propriedades dos logaritmos, áreas e volumes de figuras e sólidos geométricos e probabilidade sejam abordados. Regra de três, porcentagem, cálculo de áreas e uma leitura atenta de gráficos e tabelas devem ser exigidos na prova da Unicamp.

O professor Edson Ferreira de Souza, guitarrista da banda, chama a atenção para erros sutis, como o esquecimento de parênteses e o famoso “corta-corta”, sistema que simplifica a conta, mas que, se for utilizado sem cuidado, pode fazer o aluno “cortar” o que não deve. Edson acredita que as provas da Fuvest e da Unicamp devem cumprir uma tendência iniciada nos últimos exames, relacionando as questões com eventos cotidianos.

Inglês

A interpretação dos textos é a grande barreira a ser superada pelos vestibulandos na prova de Inglês, segundo o professor Alexandre Máximo Pevarello Bacci, um dos vocalistas da banda. O professor lembra que os mesmos tipos de erro que os alunos costumam cometer na interpretação das questões em português acabam se repetindo em inglês, portanto a atenção na leitura deve ser redobrada.

Trabalhos jornalísticos e científicos com temas atuais são recorrentes nas provas da Fuvest. Alexandre sugere que, antes dos textos, os alunos leiam os enunciados das questões, para facilitar, depois, a localização das respostas. O professor alerta para uma maior atenção no exame da Unicamp, que costuma abordar literatura e poesia, o que pode requerer mais habilidade do candidato.

Português

Caroline de Souza Andrade, professora de português e uma das vocalistas, diz que os vestibulares exigem uma grande competência na leitura, na interpretação e na escrita do candidato. A interpretação dos enunciados e uma articulação eficiente das idéias na comunicação escrita são essenciais. É isso que está em foco nas provas de Português, principalmente na de Redação.

Aliás, com relação à redação, a professora avisa que o fato de um assunto ser bastante discutido durante o ano não garante que vá ser o tema da proposta. Ela cita como exemplo o caso do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no qual se esperavam como tema o aquecimento global, os ataques do PCC ou a crise aérea, mas nenhum desses tópicos foi abordado. De todo modo, estar atualizado permite que o aluno tenha o que dizer em qualquer discussão proposta.

Para as questões de Literatura, a vocalista e professora Cristiane Bastos lembra que os vestibulandos devem não apenas conhecer o tema das obras literárias obrigatórias, mas também comentá-las e analisá-las criticamente. Conhecer o período histórico e o estilo dos autores também são fatores essenciais para responder às questões.

Física

Circuito elétrico, gases, calorimetria, conservação da quantidade de movimento, ótica e movimento uniforme e variado são temas que o professor Rogério Vogt, tecladista da banda, acredita que serão abordados na prova da Fuvest, já que têm sido assuntos recorrentes nesse exame. Vogt pede aos alunos muita atenção durante a leitura das questões, já que em diversos casos o vestibulando saberia resolver o exercício se apenas entendesse o que o enunciado.

A professora Melissa Rebelo, também vocalista, corrobora a opinião sobre a atenção na leitura dos enunciados. Ela afirma que, devido à ansiedade, alguns vestibulandos fazem uma leitura rápida das questões à procura de valores para serem aplicados em equações, porém, dessa forma, muitas informações importantes, não necessariamente expressas em números, podem ser perdidas.

Bassam Ferdinian, outro vocalista da banda, também condena a prática de aplicar as fórmulas sem ler e interpretar o enunciado. Ele explica como deve ser o procedimento na hora da prova: “A primeira parte da resolução de uma questão é: leia a questão. A segunda parte é: leia a questão. A terceira parte é: leia a questão. Só depois é pra resolver”. Bassam sugere, ainda, atenção na hora da conversão de unidades, já que a pressa e a distração podem acarretar erros “bobos”.

Biologia

Edson Futema, professor e coordenador, acredita que a prova de Biologia da Fuvest deste ano trará assuntos que de alguma forma se relacionam, trazendo um pouco de interdisciplinaridade para o exame. Como exemplo, cita a saúde humana e questões sócio-econômicas, culturais e políticas, como o desequilíbrio ambiental ligado a processos históricos e geográficos.

Futema pede que os alunos tenham cuidado com a leitura dos enunciados e sugere uma revisão dos seguintes assuntos: funcionamento celular; fisiologia comparada animal e vegetal; ciclos do nitrogênio, carbono e oxigênio; herança biológica; evolução; fluxo energético na dimensão celular; divisões celulares e desequilíbrios ambientais.

Geografia

Para o professor de Geografia André Guibur, os vestibulandos que farão a prova da Fuvest devem ter mais trabalho na segunda fase do exame, quando o conteúdo da disciplina é mais aprofundado. André alerta para um detalhe importante: “Eles precisam identificar se o texto apresentado no enunciado contém realmente a resposta ou se está lá apenas como mote do assunto a ser desenvolvido”.

O professor avisa que, em alguns casos, o texto fornecido pelo exame serve apenas como referência. Já no caso de mapas e gráficos, a situação é diferente, e a leitura deve ser cuidadosa, uma vez que a resposta geralmente é fornecida através das informações neles contidas.

André diz que é difícil adivinhar os assuntos que serão abordados nos vestibulares da Fuvest e da Unicamp, mas arrisca alguns palpites: questões ligadas ao crescimento desordenado da população urbana, que acarreta problemas sociais e ambientais; a política atual da América Latina, como a aproximação do Brasil com outros países emergentes e suas relações com a chamada “guerra contra o terrorismo”, aplicada pelos Estados Unidos.

História

Identificar o que as questões realmente estão pedindo é a grande dificuldade que os alunos terão de enfrentar na prova de História da Fuvest, e isso só será possível com uma leitura atenta dos enunciados, avisa o professor e coordenador Elias Feitosa de Amorim Jr.

Para a prova da Unicamp, que é dissertativa, ele lembra que objetividade e precisão nas respostas são essenciais, e de nada adianta escrever linhas e linhas sem sentido.

Quando houver imagens, como fotos, charges e pinturas, o professor aconselha que o candidato considere o autor e a data da produção e reflita sobre esse contexto. Ao elencar possíveis assuntos a serem abordados, Elias brinca: “Terrorismo e seu combate; expansão capitalista; 90 anos da Revolução Russa; 200 anos da fuga da Família Real para o Brasil; 18 anos da queda do Muro de Berlim Pode ser que alguns desses assuntos apareçam em alguma prova. Ou não, como diria Caetano Veloso”.

Só pra lembrar, “Show dos professores” acontece sempre na véspera do exame da Fuvest e tem como finalidade aliviar todo o estresse acumulado durante a preparação para os vestibulares. A banda formada por professores do Cursinho da Poli canta sucessos nacionais e internacionais e torna a tarde de sábado uma festa. Este ano, o evento acontecerá no dia 24 de novembro, no Anhanguera Nikkey Clube (av. Ermano Marchetti, altura 229, esquina com a rua Tenente Landy), a partir das 12h. A entrada é franca.