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Odontologia, muito além dos Dentes
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Nota:




Dentistas abrem mercado esculpindo próteses para devolver órgãos e expressões faciais aos pacientes
Ver um sorriso bonito e saudável é recompensa comum por anos de estudo e investimento na odontologia. Mas o dentista pode ir além do cuidado com dentes e gengivas. Com o mesmo talento usado para esculpir pequenas peças que se encaixam com perfeição na boca, pode devolver órgãos e expressões faciais a pacientes.
O trabalho em prótese bucomaxilofacial se tornou foco da dentista Adriana Corsetti, 30 anos. Há um mês, ela recebeu o título de especialista na área em São Paulo e se tornou uma pioneira no Estado.
- Posso levar dois meses para esculpir uma face ou pintar 30 vezes uma íris para chegar ao resultado que quero. É muito gratificante. Isso mexe com o lado psicológico do paciente, que só chega a prótese depois de esgotar todas as possibilidades de reconstrução cirúrgica - diz Adriana.
Para seguir a profissão fora da clínica tradicional, o primeiro passo é o mestrado ou a residência na área de cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial. O nome complicado dá ao dentista o conhecimento para atuar em blocos cirúrgicos, em pequenas e grandes cirurgias, e na pesquisa de diferentes casos que envolvam a face.
- É uma especialidade com um número de profissionais pouco expressivo porque exige maior tempo de formação - diz Joaquim Cerveira, presidente do Conselho Regional de Odontologia e professor do curso de Odontologia da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra).
Violência no trânsito aumenta demanda por dentistas
Para o presidente do conselho regional, a violência no trânsito, cujos acidentes afetam muito a face, e a popularização de aparelhos ortodônticos abrem campo de trabalho ao dentista que se especializa na área. Conforme o Conselho Federal de Odontologia, a Santa Casa de Misericórdia de Pelotas é a única opção de residência no Estado.
O curso abre quatro vagas por ano. Depois de três anos de prática, o dentista deve prestar uma prova no Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial para obter o título, diz o coordenador do curso e especialista Ronaldo da Silva Lemes. O mestrado e o doutorado também habilitam para a especialidade que une dentistas e médicos no bloco cirúrgico.
- Estou formado desde 1976 e não me arrependo. É um bom campo para quem gosta de cirurgia e de trabalhar em hospital - diz o cirurgião e professor Ronaldo.
Como eu fiz
Passei por três vestibulares e entrei na Odontologia da UFRGS com 18 anos. Na faculdade, não consegui me definir por um campo de trabalho. A Odontologia é muito maior do que se imagina. Quando me formei (em 2000), viajei ao Canadá para estudar inglês e lá, como precisava trabalhar, acompanhei o cotidiano de um cirurgião e acabei me decidindo pela área.
Voltei para o Brasil e ingressei no programa de capacitação em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial da UFRGS, coordenado pela Profa. Dra. Edela Puricelli. Por um ano, estagiei na Faculdade de Odontologia e no Hospital de Clínicas, conhecendo o sistema público de saúde. Depois disso, passei pela prova de seleção do mestrado e concluí o pós-graduação em 2005.
Comecei a atuar profissionalmente em cirurgias com a minha orientadora, integrando a equipe do Instituto Puricelli & Associados. Fiquei um ano como contratada e, em 2006, me tornei sócia do instituto.
Somos sete profissionais atuando nos ambulatórios do Complexo Hospitalar da Santa Casa de Porto Alegre e no Hospital Moinhos de Vento. No convívio com outros profissionais, fui entendendo a necessidade de reabilitar a face e seus anexos, especialmente dos pacientes com perdas de olhos, orelhas, maxilares, e me interessei pela especialidade de prótese bucomaxilofacial.
Cursei a especialização de dois anos na área em São Paulo, na Associação Brasileira de Ensino Odontológico. A especialidade já está reconhecida há muitos anos, porém seu campo de atuação precisa ser melhor divulgado. Quero me aperfeiçoar muito, porque cada prótese precisa ser personalizada. Não existe uma regra.
Cada face é uma e precisamos criar, esculpir e associar o melhor da tecnologia. Atualmente, estou buscando um estágio na Suécia e outro na Alemanha, onde pretendo estudar novos materiais e tecnologias. Com essa iniciativa, nossa equipe estará buscando organizar, em Porto Alegre, um centro de excelência nesta área.
Adriana Corsetti, 30 anos, cirurgiã-dentista
Odontologia
Na pré-clínica, os estudantes de Odontologia treinam em bonecos. Na Universidade Luterana do Brasil (foto), o currículo incorpora as novas diretrizes do Ministério da Educação (MEC), que prevê a chegada do aluno à clínica com visão integral sobre a complexidade das doenças bucodentais. O curso foi escolhido para realizar a pesquisa nacional Observatório do MEC com o objetivo de analisar pedagogicamente a adequação da nova filosofia de ensino em odontologia no país.
O curso
Começa com disciplinas como fisiologia, anatomia e patologia. Entre as profissionalizantes, aparecem
farmacologia, cirurgia, traumatologia e odontologia social. O curso prepara para as áreas preventiva, curativa e reparadora das doenças bucodentais. A partir do terceiro semestre do curso, que dura nove, o estudante atende pacientes com supervisão na faculdade.
Mercado
4 O custo dos equipamentos leva os profissionais a dividir consultórios, a vincular-se a convênios de saúde ou buscar emprego. Cursos de especialização são importantes para o dentista oferecer um trabalho diferenciado e atuar em áreas de grande procura, como a ortodontia. No Estado, há cerca de 13 mil profissionais ativos. A relação é de um dentista para menos de mil habitantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um para 1,5 mil habitantes.
Remuneração
Há um piso de três salários mínimos, mais 20% de insalubridade, para até quatro horas de trabalho diário. Em consultórios particulares, varia de acordo com a especialidade do profissional e o tipo de atendimento.
Dica
Ao se decidir pela Odontologia, o estudante deve estar preparado para arcar com despesas de material durante o curso. Em escolas públicas e privadas, a lista de compras de instrumentos por semestre, a partir do terceiro ou quarto período, custa em média R$ 2 mil
O dentista leva hoje de quatro a cinco anos para se estabilizar como profissional liberal. O mais indicado é a especialização e a perseverança. Joaquim Cerveira, cirurgião-dentista e presidente do Conselho Regional de Odontologia
2 Comentários:
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Mar 15, 2011
Nota:
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BRUNA SOUSA disse:
quero ser uma exelente pr
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Jun 11, 2008
Nota:
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Autor/Admin)
