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PROFISSÃO: REPÓRTER
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Nota:




Para o jornalista, saber ouvir bem é tão importante como escrever bem.
Ele é curioso, gosta de pessoas e de suas histórias, tem senso crítico apurado e raciocínio rápido. Traduz o dia-a-dia, nas mais diversas áreas, em informação para o público. Por isso, muita gente pensa que o jornalista é um sabe tudo. Ou que sabe pouco de muito. De fato, ele pode ser um generalista e se manter muito bem informado. Mas esse profissional tem um só foco: a notícia.
Como repórter, coleta informações. Como editor, as seleciona. Com uma máquina na mão, conta histórias com imagens. E se preocupa com a forma de apresentá-las, no texto, na edição e na programação visual. Seja qual for a atividade, está a serviço da comunicação, uma área que se desenvolve por meio de veículos como jornal, revista, rádio, TV, Internet ou para os veículos, na assessoria de imprensa. O jornalista pode ainda tornar-se um professor.
O sonho mais comum de quem ingressa na Faculdade de Jornalismo, conforme os professores, é o de atuar em veículos de comunicação. Nesse caso, é importante saber de antemão que a jornada de trabalho costuma ultrapassar o horário estabelecido (varia de cinco a sete horas por dia). Também é exigido do profissional disposição para atuar sábados, domingos e feriados. É preciso ainda estar preparado para acontecimentos inesperados ou coberturas longas e difíceis, como a de um acidente aéreo ou uma Copa do Mundo, que exigem fôlego extra. E voltar para a redação em um dia de folga.
Em compensação, pela natureza de seu trabalho, o jornalista tem a oportunidade de conhecer lugares e pessoas interessantes. Talvez por isso a profissão carrega um certo glamour. Característica pouco ou nada comprovada no mercado de trabalho.
- Os estudantes chegam à faculdade com muito a dizer e acreditam que o jornalismo dará a elas poder e direito de dar opiniões. No entanto, este é um longo caminho e muitas vezes nunca é alcançado. O mais importante é exercer a profissão com dignidade e saber ouvir. Ouvir bem é tão importante como escrever bem. Esse é o aprendizado que faz o jornalista crescer todos os dias - diz a professora Sandra de Deus, coordenadora da área de jornalismo da UFRGS e diretora do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo.
Mercado
Houve crescimento do mercado de assessorias de imprensa. No Interior, há falta de profissionais, enquanto na Capital ainda há excesso de jornalistas.
Remuneração
Os pisos em vigor no Estado são: R$ 1.174 (Capital) e R$ 955 (Interior). Pode variar de acordo com a empresa, a mídia e o cargo
Onde estudar
Feevale, IPA, PUCRS, UCPel, UCS, UFRGS, UFSM, Ulbra, Unicruz, Unifra, Unijuí, Unipampa, Unisc, Unisinos, Univates, UPF, Urcamp
O futuro online
O mercado para o jornalista online está aquecido. O jornal de papel, o rádio ou a TV que não tiver sua versão no computador logo estará ultrapassado. Assim, mais empresas de comunicação estão desenvolvendo redações para a Internet, e os profissionais se transformando em multimídias, atuando nos diferentes veículos. O maior mercado para o novo meio está nas assessorias de imprensa porque empresas começam a criar seus sites e precisam de quem desenvolva conteúdo. Características mais interessantes do novo meio são: instantaneidade, interatividade, capacidade de armazenamento de informação, multimediação, hipertextualidade (ligação com outros conteúdos), personalização de conteúdo (escolha de temas que mais interessam ao acessar a página).
O que é importante
- O texto ainda é o elemento mais importante de qualquer publicação. Quem tem um bom texto para jornal de papel, rádio ou TV, terá bom texto para o jornalismo online. O desafio é entender como o leitor, telespectador ou ouvinte busca a informação. O internauta, por exemplo, passa pelas telas à procura de palavras-chave. Não tem tempo nem paciência para textos longos. O jornalista precisa adequar o texto para cada meio de comunicação.
- Criatividade
- Língua estrangeira: o conhecimento do inglês facilita e impulsiona a carreira do jornalista.
Entrevista
Jornalista da TV Globo que coordena um grupo de jovens na série Profissão Repórter, exibida no programa Fantástico.
O que você sempre diz aos jovens repórteres? Quanto mais longe de qualquer forma de poder, maior a nossa chance de se aproximar da verdade. A pessoa simples e anônima representa a síntese do brasileiro e deve ser o nosso foco.
Como está o mercado de trabalho?
Eu suspeito que seja muito complicado. Há um excesso de faculdades de comunicação e o mercado não tem como absorver tanta gente formada. A procura por talentos na Globo envolve um sistema de seleção profissional que chega a 8 mil pessoas para cerca de 30 vagas no Jornalismo. Na Suíça, a faculdade é proibida, porque não tem mercado. Eles estimulam as profissões que necessitam. Temos de repensar o nosso sistema.
Porque você escolheu ser jornalista?
Porque eu sou um observador. E ver primeiro é um privilégio do jornalismo. Também venho de uma família de contadores de histórias, são trovadores aí do sul.
O que é mais difícil para quem está começando?
O acesso ao mercado. Uma vez na redação, acho que é encontrar um bom espaço para a reportagem e um veículo que valorize essa técnica. A reportagem é o produto mais caro do jornalismo.
O que há de melhor e pior na profissão?
O melhor é a oportunidade de conhecer gente nova, diferente. Isso representa um aprendizado. O processo de captação de informações é o mais fascinante. O pior são as limitações editoriais. No passado, foi a censura. Hoje, são os interesses econômicos de cada veículo. Outra coisa ruim é que em um país injusto como o nosso, o jornalista vê tudo de perto, sofre, fica revoltado e ainda com o dever de contar para os outros.
Qual é a maior qualidade de um jornalista?
É ver o mundo pelos olhos dos outros. É fugir dos assuntos que são vinculados ao interesse particular e manter as antenas ligadas ao interesse da maioria. Pode parecer simples, mas não é. Isso faz com que você corra riscos, tenha de entrar em uma favela, por exemplo, e não a observar de fora.
Quem é ele
Nasceu na periferia de Porto Alegre. Foi taxista e estudante de Matemática antes de se decidir pelo curso de Jornalismo. Cursou a faculdade na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Começou a carreira como estudante no jornal Folha da Manhã, na Capital, em 1972. Quando concluiu o curso, embarcou para uma viagem de cinco anos pela América Latina em busca de histórias de povos latinos. Para sobreviver, vendia matérias para a grande imprensa e revistas alternativas da época. Antes de trabalhar para a Rede Globo, atuou nos maiores jornais do Brasil e nas revistas IstoÉ e Veja. No jornalismo impresso, foi correspondente em Nova York, escreveu livros e recebeu prêmios importantes. Com a obra Rota 66, de 1993, que conta a história da polícia que mata, ganhou oito prêmios de direitos humanos e o Prêmio Jabuti, na categoria Reportagem. Em 2004, com o livro-reportagem Abusado, o dono do morro Dona Marta, no qual relata como nascem os traficantes nos morros cariocas, Caco foi vencedor do Grande Prêmio Jabuti, como melhor obra de não-ficção. Para a TV, trabalhou em Londres e em Paris. Foi repórter do Globo Repórter e do Jornal Nacional e por seis anos apresentou um programa semanal na Globo News . Caco recebeu mais de vinte prêmios por reportagens especiais e documentários produzidos para TV, entre eles o Prêmio Vladimir Herzog.
Dica
O jornalista deve saber como distribuir a informação. Conhecer tipos de letras, composição visual, uso de cores, corte e edição de fotos, áudio e vídeo são importantes. Na TV, meios online e impresso deve saber usar infografia e ser capaz de auxiliar na criação de um gráfico informativo a partir de dados para ilustrar uma reportagem.
Por Caco Barcellos, 57 anos
2 Comentários:
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Jan 12, 2009
Nota:
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Priscila. disse:
adoro o Caco Barcellos e
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Nov 10, 2008
Nota:
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Autor/Admin)
