A determinação do sexo nos seres humanos atravessa estágios ou fases, a partir do encontro dos gametas. Por exemplo, na fase gonadal, os ovários ou os testículos ainda não estão diferenciados; somente por ação de substâncias morfogenéticas inicia-se a construção dos duetos que levarão à formação dos genitais, o masculino ou o feminino.



A sexualidade

Imagine-se com muita fome. Agora mentalize uma deliciosa refeição (inclua a sobremesa, por exemplo, um sorvete ou uma torta caramelizada). Que sensações você percebeu em sua mente e em seu corpo? A comida despertou algum tipo de reação no seu organismo? Por exemplo, você salivou?

No caso da fome, o nosso corpo promove o desencadeamento de vários mecanismos para atender a uma necessidade básica dos seres vivos. Os sentidos da visão, do olfato e do paladar ficam em estado de „alerta‰. São os preparativos psíquicos e orgânicos para comer. Sentimos um antegozo. Nesse mesmo nível, insere-se a sexualidade, segundo as teorias psicanalíticas de Freud. Aqui devemos clarificar e não confundir sexual com genital. Os genitais - o pênis e a vagina - são as estruturas anatômicas que podem atender a uma das necessidades da sexualidade, qual seja, a função fundamental da sobrevivência.

Em verdade, os seres humanos estão em busca permanente da alegria, da satisfação, do prestígio, da plenitude etc., porque isso traz prazer. Sendo assim, a sexualidade, a nossa vida sexual, deve ser recheada de inúmeros acontecimentos predominantemente sensitivos, afetivos, emotivos e agradáveis. Para Freud, a manifestação da sexualidade já é perceptível aos 3 anos de idade, na amamentação, quando a criança começa a experimentar o prazer da alimentação e do ato de sugar (auto-erotismo).

A mesma linha psicanalítica freudiana reconhece que o indivíduo adulto, que foi criança, pode carregar recalques, devido às informações e à formação repletas de barreiras (repugnância, pudor e as normas sociais) impostas ao desenvolvimento sexual sadio.

A intersexualidade e o homossexualismo

Muitas pessoas ainda têm uma idéia equivocada da intersexualidade, confundindo-a com o homossexualismo e, o que é pior, carregando preconceitos.

No campo biológico/anatômico, intersexualidade significa a presença de caracteres sexuais primários masculinos e femininos num mesmo indivíduo.

Os especialistas denominam de intersexual tipo 1 os casos em que os genitais externos não estão bem definidos e as glândulas sexuais - os testículos e os ovários - estão implantados na cavidade abdominal. O tipo 2 tem a glândula sexual em desacordo com o órgão anatômico. Por exemplo, o indivíduo pode apresentar pênis e testículo e, ainda, ovários atrofiados e não

funcionais, ou vice-versa. O tipo 1 também é chamado de hermafrodita e o tipo 2 de pseudohermafrodita. Clinicamente, existem diferentes graus do hermafroditismo e do pseudo-hermafroditismo.

A ocorrência dos casos de intersexualidade pode ser corrigida com cirurgia, preferencialmente em idade precoce, evitando-se, assim, traumas e angústias.

O homossexualismo nada tem a ver com a intersexualidade ou outras irregularidades biológicas (anomalias genitais ou hormonais).

Homossexualidade

Muitas pessoas sentem-se atraídas sexualmente por pessoas do outro sexo. Este é um fenômeno extraordinariamente comum. Outras pessoas se sentem atraídas sexualmente por pessoas do mesmo sexo. A heterossexualidade - atração entre indivíduos de sexos distintos - é a experiência sexual humana mais freqüente durante a idade adulta. A homossexualidade, embora menos freqüente, não é um fenômeno incomum.

Dentre as pessoas que se sentem atraídas por indivíduos do mesmo sexo, encontramos, da mesma forma que entre os que o são pelo outro sexo, gente rude e gente suave, pessoas muito inteligentes e pessoas pouco brilhantes, crentes e ateus, fumantes e não fumantes, indivíduos que usam óculos ou lentes de contato e outros que não usam nenhum deles. Entretanto, é curioso observar como - inclusive entre pessoas muito esclarecidas e mesmo profissionais gabaritados uma grande quantidade de membros da nossa sociedade acredita que, de acordo com a orientação sexual, é possível determinar, dentre outras coisas, o tipo de roupa que se usa, a maneira de falar e mexer as mãos, as atividades profissionais que realiza, a orientação ideológica que assume, sua solidez moral, honestidade, confiabilidade e sua estabilidade emocional. O contrário também acontece: muitas pessoas acham que podem afirmar qual a orientação sexual de um indivíduo somente pelo tom da sua voz, pela sua militância em algum tipo de envolvimento comunitário, pelas músicas que ouve, as amizades que freqüenta, as cores de sua roupa ou o estilo de sapatos...

Na nossa sociedade, as expectativas previstas no sistema de valores encontram-se voltadas, no que concerne ao comportamento sexual, para a procura de um parceiro de outro sexo. Outros comportamentos representam „desvios‰ do que a sociedade espera que venha a acontecer. Entretanto, isso de forma alguma significa que outros padrões de expressão da sexualidade sejam melhores ou piores que aquele que a comunidade endossa oficialmente. Porém, com o passar do tempo, a noção de „desvio‰ tem adquirido uma conotação pejorativa, que expressa idéias que vão além da mera descrição sociológica. A expressão „viado‰, com a qual muitas vezes se designa o homossexual masculino, talvez seja uma transformação do termo „desviado‰, utilizado neste caso com um sentido moralista, isto é, designando alguém como um „afastado‰ do caminho „certo‰.

Em relação à homossexualidade, já se levantaram inúmeras hipóteses e discussões. Já foi considerada neurose, sintoma de imaturidade, pecado, doença endócrina, fraqueza genético-constitutiva, perversão, alternativa de vida ou até forma de vida requintada. Os enfoques perante um fenômeno humano mudam em relação ao nível de conhecimento que dele se tem, do momento histórico em que se vive e do lugar em que se está.

Sendo assim, qualquer tentativa para demonstrar uma causa única determinante de um comportamento sexual específico não pode ser bem sucedida. Antes o contrário, todas as evidências parecem indicar que o comportamento sexual humano se encontra regulado por uma enorme quantidade de fatores que agem durante a vida toda do indivíduo.

São todos esses fatores que determinam que alguém experimente sentimentos ou realize contatos com outras pessoas do mesmo ou do outro sexo; que o faça com maior ou menor freqüência; que procure este ou aquele tipo de experiência.