Por: FERNANDO TADEU SANTOS - Folha de São Paulo
Uma das carreiras mais procuradas
em todos os vestibulares, o curso de engenharia exige sólida formação
em exatas (matemática, física e química). É por meio dessa "bagagem"
que o profissional transforma recursos naturais em bens e serviços.
Independentemente
da área, a principal atividade do engenheiro é criar novas alternativas
de desenvolvimento. Devido aos avanços tecnológicos, o curso passou a
se fragmentar e estima-se existir pelo menos 30 tipos diferentes de
especialidades em todo o país.
Na Escola Politécnica da USP
(Universidade de São Paulo), o estudante faz vestibular para uma
carreira única -engenharia e ciências exatas. Após o primeiro ano
básico, ele deve escolher uma das grandes áreas da engenharia,
divididas em civil, elétrica, química e mecânica.
"A mudança
garante que o aluno tenha certeza de qual engenharia ele irá seguir
após um ano básico", disse Marcos Ribeiro Pereira, coordenador do curso
de engenharia mecânica da Poli.
Em outras instituições, como o
Mackenzie, o aluno tem de fazer a opção de carreira na hora da
inscrição. Nessa universidade, os cursos de engenharia têm uma divisão
parecida à da Poli: mecânica, elétrica, civil e engenharia de materiais.
Para
Roque Theóphilo Júnior, diretor da escola de engenharia do Mackenzie, a
idéia é garantir a formação do engenheiro em grandes áreas. "Isso cria
condições para atender melhor a demanda de mercado", disse.
Grandes áreas
No curso de engenharia mecânica, o estudante pode especializar-se em naval, produção, mecatrônica e mecânica pura.
No
de engenharia química, é possível atuar nas áreas de metalúrgica, minas
e de materiais. O profissional dessa área vai trabalhar com reações,
purificações e processos químicos para laboratórios industriais.
Por
conta da Internet, a área elétrica abriu boas oportunidades para
engenheiros especializados em eletrotécnica (potência e energia),
eletrônica, telecomunicações e engenharia da computação.
Só a
área da engenharia civil não sofreu ramificações. "O engenheiro civil
tem de ter formação única e consistente para se ocupar de todas as
fases num projeto, da fase inicial à sua realização, seja ele de uma
ponte, um edifício, uma estrada ou um túnel", afirmou Alex Kenya Abiko,
chefe de departamento de engenharia civil da Poli.
Orientar a
compra de materiais na construtora Hochtief (SP) é uma das atribuições
da estudante da Poli Heloísa Dias, que trabalha num setor onde as
mulheres são minoria. "Antigamente, o preconceito era pior. Mulher não
tinha vez numa obra. Hoje os homens reconhecem a eficiência do nosso
trabalho", disse.
Empresas que se preocupam em racionalizar
custos muitas vezes optam em contratar um engenheiro de produção do que
um administrador de empresas. Da simples compra de uma matéria-prima ao
preço final da mercadoria ao consumidor, o engenheiro de produção
costuma ser ponte entre todos os diferentes setores de uma mesma
organização.
"Algumas empresas preferem contratar engenheiro
de produção até para gerir recursos humanos. Ele é um faz-tudo bem
remunerado", diz Márcia Terra da Silva, coordenadora do curso de
graduação de engenharia de produção da Poli.
Para Márcia, o
setor de serviços tem sido um dos mais promissores para quem está nessa
área. "Redes de comércio, empresas de consultoria, de entretenimento,
de transporte e até hospitais buscam engenheiros de produção para seus
quadros funcionais hoje."
Na Unesp (Universidade Estadual
Paulista), a disputa de vagas para quem pretende fazer o curso de
engenharia de produção é de 20 candidatos por vaga, o dobro das outras
engenharias. "O mercado procura profissionais que tenham boa formação
técnica e saibam administração e economia. Vale até psicologia", disse
Edgard Dias Batista Júnior, coordenador da área na Unesp.
O
estudante Fábio Monteiro Chehab é um exemplo. Nem pôs ainda a mão no
diploma e já trabalha como analista financeiro no Citibank da avenida
Paulista. "Tenho a oportunidade de colocar em prática o raciocínio
lógico do curso para orientar aplicações e investimentos", disse.