Direito ou Medicina, Odontologia ou Publicidade, Ciência Política ou Relações Internacionais? O mercado está cada vez mais competitivo. A grana, curta para investir em formação. O desejo de uma boa colocação profissional é tudo.

Para escolher a profissão certa valem os conselhos de pai e mãe e os testes vocacionais. Uns conseguem decidir. Outros, não. E aí metem as caras em duas graduações. Especialistas alertam que cursar duas faculdades nem sempre é a melhor opção. Antes de se matricular em dois vestibulares é recomendável saber se os currículos se complementam.

Rosângela Guedes, caçadora de talentos da Crossing — empresa de consultoria em Recursos Humanos —, avisa que o mercado de trabalho não exige dois cursos superiores. O mais usual são as especializações, como as pós-graduações, mestrado, extensão e línguas. ‘‘Tocar duas graduações não faz parte do perfil do profissional brasileiro, que mal tem tempo e dinheiro para fazer um curso superior’’, enfatiza Rosângela.

Não quer dizer que todo estudante matriculado em mais de uma graduação perde tempo. Dois cursos simultâneos podem, sim, trazer benefícios, desde que tenham afinidades. Daí, abre-se uma gama de opções em dobradinhas acadêmicas. Direito e Relações Internacionais ou Ciências Políticas ou Comércio Exterior. Comunicação e História ou Economia ou Ciências Política... Até mesmo Odontologia e Psicologia podem ter afinidades.

Pelo menos para Ludmila Campos, 24 anos, que se divide entre o divã e a cadeira de dentista. A estudante está no 9º semestre dos dois cursos superiores. Odonto de manhã na Universidade de Brasília e Psicologia à noite no UniCeub. Detalhe. Ela faz estágio nas duas áreas. ‘‘Tem horas que é tão difícil que dá vontade de fugir. Estou na reta final e não vou desistir’’, garante. A moradora do Lago Sul quer ser ortodontista com boa formação em psicologia infantil. Nada mal para uma demanda de pacientes que prima, cada vez mais, por um tratamento mais pessoal.

  Boa escolha, na opinião do gerente de marketing do UniCeub, Hare Klain. Segundo ele, o estudante deve conciliar cursos que acrescentem conteúdos em uma mesma área de atuação no mercado. É por isso mesmo que Sabrina Silva Nascimento, 19 anos, não poupará esforços para se formar em Relações Internacionais pelo UniCeub e Ciências Políticas na UnB. Ela quer se especializar antes mesmo da formatura. A meta da estudante era cursar Relações Internacionais na UnB. Tentou três vezes. Na quarta, mudou de opção para Ciências Políticas e não se arrepende. ‘‘Quando eu estiver formada, terei uma boa formação em política de direito internacional’’, planeja.

 A rotina não será fácil, mas Sabrina vai fazer uma forcinha. Ela pretende dividir os horários da manhã e da tarde entre as disciplinas na UnB, o curso de espanhol e as leituras e trabalhos para a faculdade de Direito. À noite nada de Casa dos Artistas ou Big Brother. Sabrina enfrentará mais uma maratona de cinco horas em sala de aula. ‘‘O que me motiva é saber que vou estar a frente de muitos concorrentes, quando me formar’’, acredita.

Esforços divididos

Nem sempre a escolha de dois cursos superiores significa investimento reforçado em uma carreira. Cursar duas faculdades pode demonstrar indecisão profissional. Caso da estudante Renata Delforge Curado, 19 anos. No começo de 2001, ela passou em Direito no UniCeub. Ótimo. Era o sonho de criança. Um semestre foi suficiente para o desencanto. Renata fez novo vestibular para Fisioterapia, área que se interessa desde pequena também. Passou. Sem coragem de escolher um ou outro, a estudante decidiu pelos dois. A empolgação não durou mais que um semestre. ‘‘Os períodos de prova coincidiam e ficou muito corrido’’, reclama.

As notas baixas nas disciplinas de Direito obrigaram Renata a dar um tempo no curso. Este semestre, dedica-se à fisioterapia. Semestre que vem, vai tentar criar uma rotina para conciliar as duas graduações. ‘‘Fisioterapia por hobby e advocacia por dinheiro’’, conta. O professor Eustáquio Antón Câmara, especialista em testes vocacionais e consultor de recursos humanos, alerta que a escolha aleatória por cursos superiores pode demonstrar imaturidade. Na visão do mercado, essas pessoas não têm um foco a seguir e podem ter problemas para crescer profissionalmente em ambas as carreiras. ‘‘Hoje, as
pessoas precisam ser criativas e ter o poder de adaptação a novas realidades, qualidades que não necessariamente estão restritas ao meio acadêmico’’, considera.
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Professores universitários e consultores em recursos humanos dão as dicas sobre algumas combinações de cursos superiores que têm afinidades e podem contribuir para uma formação mais completa.


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