Na construção de uma unidade significativa, algumas palavras exigem o acompanhamento de outros elementos da língua. Essa relação de dependência com vistas à formação de um significado é chamada regência.

Regência direta e indireta

A regência pode ser direta, quando a relação de dependência é imediata, ou indireta, quando ela é intermediada por outros elementos da língua, como as preposições.

A regência do substantivo sobre o adjetivo (como em "a menina bonita"), ou do verbo transitivo direto sobre seu complemento (ex.: "Maria ama Pedro") se dá de forma direta, enquanto a regência do substantivo sobre outro substantivo (como em "a filha de Maria") ou de um verbo transitivo indireto sobre seu complemento (ex.: "Maria gosta de Pedro") se faz necessariamente por meio de uma preposição.

Nos casos de regência indireta, é preciso observar que nem todas as preposições podem desempenhar o papel de ligar o regente ao regido. Além disso, o uso de uma ou outra preposição pode provocar alterações de significado bastante consideráveis (ex.: "ir para casa", "ir de casa", "ir na casa", etc.). Por isso, é preciso estar atento para o conjunto de preposições exigidas pelo regente, e para as implicações do seu uso.

A seguir alguns verbos da língua portuguesa que envolvem problemas frequentes quanto à regência:

CONSTRUÇÃO INADEQUADACONSTRUÇÃO ADEQUADA
estar de (greve) estar em (greve)
namorar com namorar
arrasar com arrasar
repetir de (ano) repetir o (ano)

Exemplos:

  • Suzana continuava a dizer que namorava com Mário. [Inadequado]
  • Suzana continuava a dizer que namorava Mário. [Adequado]
  • Meus pais não suportariam se eu repetisse de ano! [Inadequado]
  • Meus pais não suportariam se eu repetisse o ano! [Adequado]

Preposição

Preposição é a palavra que estabelece uma relação entre dois ou mais termos da oração. Essa relação é do tipo subordinativa, ou seja, entre os elementos ligados pela preposição não há sentido dissociado, separado, individualizado; ao contrário, o sentido da expressão é dependente da união de todos os elementos que a preposição vincula.

Exemplos:

  • Os amigos de João estranharam o seu modo de vestir.
    • amigos de João / modo de vestir: elementos ligados por preposição
    • de: preposição
  • Ela esperou com entusiasmo aquele breve passeio.
    • esperou com entusiasmo: elementos ligados por preposição
    • com: preposição

Esse tipo de relação é considerada uma conexão, em que os conectivos cumprem a função de ligar elementos. A preposição é um desses conectivos e se presta a ligar palavras entre si num processo de subordinação denominado regência.

Diz-se regência devido ao fato de que, na relação estabelecida pelas preposições, o primeiro elemento - chamado antecedente - é o termo que rege, que impõe um regime; o segundo elemento, por sua vez - chamado consequente - é o temo regido, aquele que cumpre o regime estabelecido pelo antecedente.

Exemplos:

  • A hora das refeições é sagrada.
    • hora das refeições: elementos ligados por preposição
    • de + as = das: preposição
    • hora: termo antecedente = rege a construção "das refeições"
    • refeições: termo consequente = é regido pela construção "hora da"
  • Alguém passou por aqui.
    • passou por aqui: elementos ligados por preposição
    • por: preposição
    • passou: termo antecedente = rege a construção "por aqui"
    • aqui: termo consequente = é regido pela construção "passou por"

As preposições são palavras invariáveis, pois não sofrem flexão de gênero, número ou variação em grau como os nomes, nem de pessoa, número, tempo, modo, aspecto e voz como os verbos. No entanto em diversas situações as preposições se combinam a outras palavras da língua (fenômeno da contração) e, assim, estabelecem uma relação de concordância em gênero e número com essas palavras às quais se liga. Mesmo assim, não se trata de uma variação própria da preposição, mas sim da palavra com a qual ela se funde (ex.: de + o = do; por + a = pela; em + um = num, etc.).

Preposições Essenciais

A, ante, perante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.

Obs.: Dados os numerosos significados e utilizações que podem ser assumidos pelas diversas preposições, aconselha-se a consulta de uma gramática.

Preposições Acidentais

São aquelas que podem ligar termos de uma oração ou ter outras funções: conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, menos, salvo, segundo.

Combinação das preposições com artigos

Ocorre quando a preposição não sofre nenhuma alteração. Exemplos:

  • a + o = ao
  • a + os = aos
  • a + onde = aonde
  • a + diante = adiante

Contração das preposições com artigos

Ocorre quando a preposição sofre alguma alteração. Exemplos:

  • De + o(s) = do(s)
  • De + a(s) = da(s)
  • De + um = dum
  • De + uns = duns
  • De + uma = duma
  • De + umas = dumas
  • Em + o(s) = no(s)
  • Em + a(s) = na(s)
  • Em + um = num
  • Em + uma = numa
  • Em + uns = nuns
  • Em + umas = numas
  • A + a(s) = à(s)
  • Por + o = pelo(s)
  • Por + a = pela(s)

Contração das preposições com pronomes

Ocorre quando a preposição sofre alguma alteração. Exemplos:

  • De + ele(s) = dele(s)
  • De + ela(s) = dela(s)
  • De + aquele(s) = daquele(s)
  • De + aquela(s) = daquela(s)
  • De + aquilo = daquilo
  • De + aqui = daqui
  • De + aí = daí
  • De + ali = dali
  • De + isto = disto
  • De + isso = disso
  • De + este(s) = deste(s)
  • De + esta(s) = desta(s)
  • De + esse(s) = desse(s)
  • De + essa(s) = dessa(s)
  • De + outro = doutro(s)
  • De + outra = doutra(s)
  • Em + este(s) = neste(s)
  • Em + esta(s) = nesta(s)
  • Em + esse(s) = nesse(s)
  • Em + aquele(s) = naquele(s)
  • Em + aquela(s) = naquela(s)
  • Em + isto = nisto
  • Em + isso = nisso
  • Em + aquilo = naquilo

Dá-se a contração de preposições em outros pronomes, como: esse(s), essa(s), aquele(s), aquela(s), isto, aquilo, ele(s), ela(s).

Uso das locuções prepositivas

Certas construções da língua portuguesa constituem casos em que determinados termos se combinam de tal forma que não é permitida a variação seja qual for o contexto em que estão inseridas. Normalmente, trata-se de locuções (conjunto de palavras que formam uma unidade expressiva).

As locuções prepositivas são elementos que não variam em gênero (feminino ou masculino) e número (singular ou plural). São, por isso, expressões fixas na língua portuguesa. A forma fixa dessas locuções, porém, não se resume à variação de gênero e número.

No decorrer da história da língua portuguesa, determinadas formas se consagraram. Muitos gramáticos postulam a adequação de uma forma e não outra para a língua escrita. Por isso, o emprego inadequado dessas construções configura-se um problema de linguagem.

Vejamos alguns exemplos frequentes de uso inadequado de locuções prepositivas:

  • A nível de experiência, tudo é válido. [Inadequado]
  • Em nível de experiência, tudo é válido. [Adequado]
  • Eles estavam em vias de cometer uma loucura. [Inadequado]
  • Eles estavam em via de cometer uma loucura. [Adequado]
EMPREGO INADEQUADOEMPREGO ADEQUADO
a nível de em nível de
à medida em que na medida em que
ao mesmo tempo ao mesmo tempo em que
apesar que apesar de que
de modo a de modo que
a longo prazo em longo prazo
em vias de em via de
ao ponto de a ponto de

Note que o uso corrente das inadequações promove substituição ou supressão das preposições que compõem a expressão.

Além disso, é importante ressaltar que, embora estejamos nos referindo apenas às locuções prepositivas, o mesmo princípio pode ser aplicado às locuções conjuncionais ou locuções adverbiais. Vejamos, por exemplo, um caso em que a inadequação recai sobre uma locução adverbial:

  • Os amigos, na surdina, combinavam sobre tua festa. [Inadequado]
  • Os amigos, à surdina, combinavam sobre tua festa. [Adequado]

A crase e as preposições

A crase não deve ser empregada junto a algumas preposições.

Dois casos, no entanto, devem ser observados quanto ao emprego da crase. Trata-se das preposições "a" e "até" empregadas antes de palavra feminina. Essas únicas exceções se devem ao fato de ambas indicarem, além de outras, a noção de movimento. Por isso, com relação à preposição "a" torna-se obrigatório o emprego da crase, já que haverá a fusão entre a preposição "a" e o artigo "a" (ou a simples possibilidade de emprego desse artigo). Já a preposição "até" admitirá a crase somente se a ideia expressa apontar para movimento.

Exemplos:

  • A entrada será permitida mediante à entrega da passagem. [Inadequado]
  • A entrada será permitida mediante a entrega da passagem. [Adequado]
  • Desde à assembleia os operários clamavam por greve. [Inadequado]
  • Desde a assembleia os operários clamavam por greve. [Adequado]
  • Os médicos eram chamados a sala de cirurgia. [Inadequado]
  • Os médicos eram chamados à sala de cirurgia. [Adequado]
    • termo regente: chamar a / "a" = preposição indicativa de movimento
    • termo regido: (a) sala / "a" = artigo
    • sala: palavra feminina
  • Os escravos eram levados vagarosamente até a senzala.
  • Os escravos eram levados vagarosamente até à senzala.
    • termo regente: levar a / "a" = preposição indicativa de movimento
    • termo regido: (a) senzala / "a" = artigo
    • senzala: palavra feminina

Observe que não foi apontado no exemplo (4) o uso inadequado e adequado das ocorrências de crase. Isso se dá porque atualmente no Brasil o emprego da crase diante da preposição "até" é facultativo.

A regência e os verbos pronominais

Os verbos pronominais são termos que, em geral, regem complementos preposicionados.

São considerados verbos pronominais aqueles que se apresentam sempre com um pronome oblíquo átono como parte integrante do verbo (ex.: queixar-se, suicidar-se). Alguns verbos pronominais, porém, podem requerer um complemento preposicionado. É o caso, por exemplo, do verbo "queixar-se" (queixar-se de) e não do verbo "suicidar-se".

Quando os verbos pronominais exigirem complemento, esse deve sempre vir acompanhado de preposição.

Exemplos:

  • Naquele momento os fiéis arrependeram-se os seus pecados. [Inadequado]
  • Naquele momento os fiéis arrependeram-se dos seus pecados. [Adequado]
    • dos: de + os = dos / de = preposição
    • dos seus pecados: objeto indireto
  • Os biólogos do zoológico local dedicam-se as experiências genéticas. [Inadequado]
  • Os biólogos do zoológico local dedicam-se às experiências genéticas. [Adequado]
    • às: a (preposição) + as (artigo) = às
    • às experiências genéticas: objeto indireto

Note que, no exemplo (2), o verbo "dedicar-se" não é essencialmente pronominal, mas sim acidentalmente pronominal. Isto é, esse verbo pode se apresentar sem o pronome oblíquo e, nesse caso, deixa de ser pronominal (ex.: Ele dedicou sua vida aos pobres).

Casos como esse, porém, demonstram que, em princípio, qualquer verbo pode se tornar pronominal e, portanto, possuir um complemento preposicionado.

Verbo arrasar

Observe a letra da canção "Política voz", gravada pelo Barão Vermelho:

"Eu não sou um mudo balbuciando querendo falar
Eu sou a voz, a voz do outro, que há dentro de mim
Guardada, falante, querendo arrasar
com o teu castelo de areia
Que é só soprar, soprar
Soprar, soprar e ver tudo voar..."

Você notou alguma coisa diferente na letra? Nós vemos, a certa altura:

"Arrasar com o teu castelo de areia"

Existe aí um fenômeno linguístico chamado contaminação. Em tese, o verbo arrasar é transitivo direto: uma coisa arrasa outra.

"O furacão arrasou a cidade.". Muitas vezes encontramos o verbo acabar sendo usado com o mesmo sentido: "O furacão acabou com a cidade."

Assim, o que acontece é a transferência da regência do verbo acabar - com esse sentido de destruir, que requer a preposição "com" - para o verbo arrasar. Os sinônimos de certas palavras acabam recebendo a companhia da preposição que na verdade não exigem. O verbo arrasar é um deles. No padrão formal da língua, deve ser usado sem a preposição "com".

Os linguistas podem argumentar que essa variante deve ser aceita, mas em nosso programa temos sempre a preocupação de ensinar o padrão formal e mostrar o que acontece nas variantes. No texto formal, quando você for escrever uma dissertação, utilize o verbo arrasar sem a preposição.

A regência e o verbo "aspirar"

O verbo "aspirar" varia de significação conforme as relações que estabelece com as preposições. Trata-se da regência verbal, responsável, nesse caso, pela alteração de significado da expressão.

O verbo "aspirar", dentre outras acepções, pode se apresentar como:

Verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de almejar, desejar; rege a preposição "a" e não admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe", mas sim "o(s)" e "a(s)";

Verbo transitivo direto: aponta para o sentido de respirar, cheirar, inalar e não rege qualquer preposição.

A regência verbal é determinante na construção correta de cada uma das expressões acima. Assim, quando o verbo "aspirar" for empregado para indicar o sentido apontado em (1) é obrigatória à presença da preposição regida.

Exemplos:

  • Os quase mil candidatos aspiravam a única vaga disponível. [Inadequado]
  • Os quase mil candidatos aspiravam à única vaga disponível. [Adequado]
  • Os quase mil candidatos aspiravam a ela. [Adequado]
    • termo regente: aspirar a = desejar
  • E eu era obrigado a aspirar ao mau cheiro dos canaviais... [Inadequado]
  • E eu era obrigado a aspirar o mau cheiro dos canaviais... [Adequado]
  • E eu era obrigado a aspirá-lo. [Adequado]
    • termo regente: aspirar = inalar

A regência e o verbo "assistir"

O verbo "assistir" varia de significação conforme as relações que estabelece com as preposições. Trata-se da regência verbal, responsável, nesse caso, pela alteração de significado da expressão.

O verbo "assistir", dentre outras acepções, pode se apresentar como:

Verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de presenciar, ver, observar; rege a preposição "a" e não admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe", mas sim "a ele(s)" e "a ela(s)";

Verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de caber (direito a alguém), pertencer; rege a preposição "a" e admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe(s)";

Verbo transitivo direto: aponta para o sentido de socorrer, prestar assistência e não rege qualquer preposição.

A é determinante na construção correta de cada uma das expressões acima. Assim, quando o verbo "assistir" for empregado para indicar os sentidos apontados em (1) e (2), é obrigatória a presença da preposição regida.

Exemplos:

  • Os mais velhos insistiam em querer assistir o jogo em pé. [Inadequado]
  • Os mais velhos insistiam em querer assistir ao jogo em pé. [Adequado]
  • Os mais velhos insistiam em querer assistir a ele em pé. [Adequado]
    • termo regente: assistir a = ver, observar
  • Assiste o médico o direito de solicitar as informações sobre seu cliente. [Inadequado]
  • Assiste ao médico o direito de solicitar as informações sobre seu cliente. [Adequado]
  • Assiste-lhe o direito de solicitar as informações sobre seu cliente. [Adequado]
    • termo regente: assistir a = caber, pertencer
  • Tua equipe assistiu aos processos de forma brilhante e participativa. [Inadequado]
  • Tua equipe assistiu os processos de forma brilhante e participativa. [Adequado]
  • Tua equipe os assistiu de forma brilhante e participativa. [Adequado]
    • termo regente: assistir = prestar assistência, socorrer

    Verbo custar

    No sentido de ser custoso, ser difícil, pede objeto indireto pede objeto indireto com a preposição "a" seguido de oração infinitiva.

    Exemplo: custou ao aluno aceitar o fato.

    Assim, na linguagem culta são consideradas erradas construções como:

    • O aluno custou para aceitar o fato.
    • Custo a crer que ela ainda volte.
    ERRADO CERTO ACEITÁVEL
    Eu custo a crer Custa-me crer Custa-me a crer
    Tu custas a crer Custa-te crer Custa-te a crer
    Ele custa a crer Custa-lhe crer Custa-lhe a crer
    Nós custamos a crer Custa-nos crer Custa-nos a crer
    Vós custais a crer Custa-vos crer Custa-vos a crer

    Esquecer-se e Lembrar-se

    Não se esqueça de que, se esses verbos não contiverem o pronome (se), serão transitivos diretos, ou seja, serão usados sem a preposição.

    Ex.1: Esqueci-me do nome de sua namorada. / Esqueci o nome de sua namorada.
    Ex.2: Lembrei-me de que você me ofendera. / Lembrei que você me ofendera.

    Obs.: Há um uso erudito desses verbos, que exige a "coisa" como sujeito e a "pessoa" como objeto indireto com a prep. "a": lembrar, no sentido de "vir à lembrança" e esquecer, no sentido de "cair no esquecimento".

    Devem-se formar assim as orações: Lembraram-me os dias da infância = Os dias da infância vieram-me à lembrança. Esqueceram-me os passos daquela dança = Os passos daquela dança caíram no esquecimento.

    A regência e o verbo "preferir"

    O verbo "preferir" é um verbo transitivo direto e indireto, portanto rege a preposição "a".

    A regência verbal é determinante na construção correta de expressões formadas com o verbo "preferir". Embora na língua coloquial empregue-se o termo "do que" em lugar da preposição "a", quando há relação de comparação, a regência adequada da língua culta ainda exige a presença do "a" preposicional.

    Exemplos:

    • Meus alunos preferem o brinquedo do que o livro. [Inadequado]
    • Meus alunos preferem o brinquedo ao livro. [Adequado]
      • objeto direto: o brinquedo
      • objeto indireto: ao livro
    • O pequeno infante preferiu marchar do que esperar pelos ataques. [Inadequado]
    • O pequeno infante preferiu marchar a esperar pelos ataques. [Adequado]
      • objeto direto: marchar
      • objeto indireto: a esperar

    A razão do emprego inadequado do termo "do que" nesse tipo de construção se deve ao processo de assimilação de expressões comparativas como:

    Prefiro mais ler do que escrever!

    A palavra "mais", nesse caso, caiu em desuso, porém o segundo termo da comparação ("do que") ainda permanece, gerando a confusão quanto à regência: o verbo preferir rege tão só a preposição "a" e não o termo "do que".

    A regência e o verbo "proceder"

    O verbo "proceder" é um verbo transitivo indireto, e rege a preposição "a".

    Frequentemente se observa na linguagem coloquial o emprego do verbo proceder sem a preposição. Essa é uma licença da língua falada que, por assimilar o sentido do verbo proceder ao sentido de outros verbos sinônimos como realizar, efetuar, etc., transfere para proceder a transitividade direta, ou seja, o não uso de preposição. No entanto, isso não deve ser aplicado na linguagem culta, que exige a presença da preposição "a" (ou a sua contração) junto ao verbo.

    Exemplos:

    • Os apuradores procederam a contagem dos votos das escolas de samba. [Inadequado]
    • Os apuradores procederam à contagem dos votos das escolas de samba. [Adequado]
      • objeto indireto: à contagem]
        ...[à: contração = a (artigo) + a (preposição) = crase
    • O interrogatório que se procedeu foi decisivo. [Inadequado]
    • O interrogatório a que se procedeu foi decisivo. [Adequado]
      • a que se procedeu: oração subordinada adjetiva

    No exemplo (2) temos a preposição regida pelo verbo proceder iniciando uma oração adjetiva, ou seja, uma oração que se relaciona a um termo da oração principal, indicando-lhe uma nova informação. Para ficar clara a regência do verbo, vamos inverter a ordem das orações:

    • "Procedeu-se ao interrogatório que foi decisivo."
      • ao interrogatório: objeto indireto
      • ao: contração = a (preposição) + o (artigo)

    O verbo proceder também pode ser empregado na sua concepção de verbo intransitivo. Nesse caso ele tem sentido de comportar, agir. Como um verbo intransitivo, não há complemento ligado ao verbo, portanto, não há também o uso de preposição.

    Exemplos:

    • De que maneira os turistas procederam?
    • Espantei-me com aquela mulher que procedeu com firmeza diante da acusação.
      • procedeu: verbo intransitivo = não exige complemento
      • com firmeza: adjunto adverbial de modo
      • diante da acusação: adjunto adverbial de tempo

    A regência e o verbo "visar"

    O verbo "visar" varia de significação conforme as relações que estabelece com as preposições. Trata-se da regência verbal, responsável, nesse caso, pela alteração de significado da expressão.

    O verbo "visar", dentre outras acepções, pode se apresentar como:

    Verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de pretender, ter por objetivo, ter em vista; rege a preposição "a" e não admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe", mas sim "a ele(s)" e "a ela(s)";

    Verbo transitivo direto: aponta para o sentido de mirar, apontar (arma de fogo) e não rege qualquer preposição.

    A regência verbal é determinante na construção correta de cada uma das expressões acima. Assim, quando o verbo "visar" for empregado para indicar o sentido apontado em (1), é obrigatória a presença da preposição regida.

    Exemplos:

    • Os estudantes visam uma melhor colocação profissional. [Inadequado]
    • Os estudantes visam a uma melhor colocação profissional. [Adequado]
    • Os estudantes visam a ela. [Adequado]
      • termo regente: visar a = ter por objetivo
    • Os combatentes visavam aos territórios ocupados recentemente. [Inadequado]
    • Os combatentes visavam os territórios ocupados recentemente. [Adequado]
    • Os combatentes visavam-nos. [Adequado]
      • termo regente: visar = mirar