ESQUECER-SE E LEMBRAR-SE.

Não se esqueça de que, se esses verbos não contiverem o pronome (se), serão transitivos diretos, ou seja, serão usados sem a preposição.

Ex.1: Esqueci-me do nome de sua namorada. / Esqueci o nome de sua namorada.
Ex.2: Lembrei-me de que você me ofendera. / Lembrei que você me ofendera.

Obs.: Há um uso erudito desses verbos, que exige a "coisa" como sujeito e a "pessoa" como objeto indireto com a prep. "a": lembrar, no sentido de "vir à lembrança" e esquecer, no sentido de "cair no esquecimento".

Devem-se formar assim as orações: Lembraram-me os dias da infância = Os dias da infância vieram-me à lembrança. Esqueceram-me os passos daquela dança = Os passos daquela dança caíram no esquecimento.

MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE, ESTABELECER-SE

morar

residir

em

uma casa, rua, praça, cidade, país

morador em

residente em

sito em

estabelecido em

SINTAXE DO VERBO HAVER

CONSTRUÇÃO

FUNÇÃO

SENTIDO

1

Há pensado, havia dito

auxiliar

ter

2

Como você houve tanto dinheiro?

principal

conseguir

3

Como você se houve na festa.

principal

comportar-se

4

Você vai haver-se com ela

principal

ajustar contas

5

Hei admiração por você. (arcaico)

principal

ter

6

Ele havia por correta aquela fala.

principal

considerar

7

Ele houve por bem concordar

locução

dignar-se

A regência e o verbo "preferir"

O verbo "preferir" é um verbo transitivo direto e indireto, portanto rege a preposição "a".

A regência verbal é determinante na construção correta de expressões formadas com o verbo "preferir". Embora na língua coloquial empregue-se o termo "do que" em lugar da preposição "a", quando há relação de comparação, a regência adequada da língua culta ainda exige a presença do "a" preposicional.

Exemplos:
Meus alunos preferem o brinquedo do que o livro. [Inadequado]
Meus alunos preferem o brinquedo ao livro. [Adequado]
...[objeto direto: o brinquedo]
...[objeto indireto: ao livro]

O pequeno infante preferiu marchar do que esperar pelos ataques. [Inadequado]
O pequeno infante preferiu marchar a esperar pelos ataques. [Adequado]

...[objeto direto: marchar]
...[objeto indireto: a esperar]

A razão do emprego inadequado do termo "do que" nesse tipo de construção se deve ao processo de assimilação de expressões comparativas como:

Prefiro mais ler do que escrever!

A palavra "mais", nesse caso, caiu em desuso, porém o segundo termo da comparação ("do que") ainda permanece, gerando a confusão quanto à regência: o verbo preferir rege tão só a preposição "a" e não o termo "do que".

A regência e o verbo "proceder"

O verbo "proceder" é um verbo transitivo indireto, e rege a preposição "a".

Freqüentemente se observa na linguagem coloquial o emprego do verbo proceder sem a preposição. Essa é uma licença da língua falada que, por assimilar o sentido do verbo proceder ao sentido de outros verbos sinônimos como realizar, efetuar, etc., transfere para proceder a transitividade direta, ou seja, o não uso de preposição. No entanto, isso não deve ser aplicado na linguagem culta, que exige a presença da preposição "a" (ou a sua contração) junto ao verbo.

Exemplos:
Os apuradores procederam a contagem dos votos das escolas de samba. [Inadequado]
Os apuradores procederam à contagem dos votos das escolas de samba. [Adequado]
...[objeto indireto: à contagem]
...[à: contração = a (artigo) + a (preposição) =crase]
O interrogatório que se procedeu foi decisivo. [Inadequado]
O interrogatório a que se procedeu foi decisivo. [Adequado]
...[a que se procedeu: oração subordinada adjetiva]

No exemplo (2) temos a preposição regida pelo verbo proceder iniciando uma oração adjetiva, ou seja, uma oração que se relaciona a um termo da oração principal, indicando-lhe uma nova informação. Para ficar clara a regência do verbo, vamos inverter a ordem das orações:

"Procedeu-se ao interrogatório que foi decisivo."

...[ao interrogatório: objeto indireto]
...[ao: contração = a (preposição) + o (artigo)]

O verbo proceder também pode ser empregado na sua concepção de verbo intransitivo. Nesse caso ele tem sentido de comportar-se, agir. Como um verbo intransitivo, não há complemento ligado ao verbo, portanto, não há também o uso de preposição.

Exemplos:
De que maneira os turistas procederam?

Espantei-me com aquela mulher que procedeu com firmeza diante da acusação.

...[procedeu: verbo intransitivo = não exige complemento]
...[com firmeza: adjunto adverbial de modo]
...[diante da acusação: adjunto adverbial de tempo]

A regência e o verbo "visar"

O verbo "visar" varia de significação conforme as relações que estabelece com as preposições. Trata-se da regência verbal, responsável, nesse caso, pela alteração de significado da expressão.

O verbo "visar", dentre outras acepções, pode se apresentar como:

verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de pretender, ter por objetivo, ter em vista; rege a preposição "a" e não admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe", mas sim "a ele(s)" e "a ela(s)";

verbo transitivo direto: aponta para o sentido de mirar, apontar (arma de fogo) e não rege qualquer preposição.

A regência verbal é determinante na construção correta de cada uma das expressões acima. Assim, quando o verbo "visar" for empregado para indicar o sentido apontado em (1), é obrigatória a presença da preposição regida.

Exemplos:
Os estudantes visam uma melhor colocação profissional. [Inadequado]
Os estudantes visam a uma melhor colocação profissional. [Adequado]
Os estudantes visam a ela. [Adequado]
...[termo regente: visar a = ter por objetivo]
Os combatentes visavam aos territórios ocupados recentemente. [Inadequado]
Os combatentes visavam os territórios ocupados recentemente. [Adequado]
Os combatentes visavam-nos. [Adequado]
...[termo regente: visar = mirar]

OUTROS VERBOS

Chamar

No sentido de convocar, mandar, vir, exige complemento sem preposição.
O técnico chamou os jogadores.
Chame os trabalhadores.
Nesse caso, admite-se também a construção preposiciponada.
O técnico chamou pelos jogadores
Chamou pelos seus protetores.

No sentido de cognominar, dar, nome, exige indiferentemente complemento com ou sem a preposição "a"e predicativo com ou sem a preposição "de". Daí admitir quatro construções diferentes:

Chamei Pedro de tolo./ Chamei-o de tolo.
Chamei a Pedro de tolo./ Chamei-lhe de tolo.
Chamei Pedro tolo./ Chamei-o tolo.
Chamei a Pedro tolo./ Chamei-lhe tolo.

Chegar

Exige a preposição"a"e não a preposição "em".
Chegamos finalmente a Birigüi.
Chegamos ao colégio.

Informar

Pede dois complementos, um sem e outro com preposição. Admite duas construções:
Informei a nota ao aluno
Informei o aluno da (ou sobre a) nota.

ir

Segue a mesma regência de chegar.
Iremos a Araçatuba.
Vou ao banheiro.

implicar

No sentido de acarretar, exige complemento sem preposição.
Sua atitude implicará demissão.
Tal procedimento implicará anulação da prova.

Namorar

Exige complemento sem preposição.
João namora Maria.
Ela namora uma aluna do segundo ano.

obedecer

Exige complemento com a preposição "a".
O filho obedece ao pai.
Ele obedecia a leis antigas.
Embora transitivo indireto, o verbo obedecer admite voz passiva.
O pai é obedecido pelo filho.
As leis antigas eram obedecidas por ele.

pagar – perdoar

Tem por complemento uma palavra que denote coisa, não exigem preposição. Quanto têm por complmento uma palavra que denote pessoa, exige a preposição "a".

Paguei o livro (coisa).
Paguei ao livreiro. (pessoa)
Paguei o livro ao livreiro.
Perdoei o pecado (coisa).
Perdoei ao pecador (pessoa).
Perdoei o pecado ao pecador.

Querer

No sentido de desejar, exige complemento sem preposição.
Eu quero uma casa no campo.
Quero um refúgio que seja seguro.
No sentido de estimar, ter afeto, exige complemento com a preposição "a"
Quero a meus pais.
Quero a meus colegas.

Ser

a construção verbo SER + PREPOSIÇÃO EM é incorreta. Não se diz:

Somos trinta nesta classe.
Éramos seis em casa.

SIMPATIZAR, ANTIPATIZAR E IMPLICAR

No sentido de antipatizar. Perceba que esses verbos não são pronominais, ou seja, não existe o verbo "simpatizar-se" nem "antipatizar-se". Não se deve, portanto, dizer "eu me simpatizei com ela"; o certo é "eu simpatizei com ela".

Ex.1: Todos nós simpatizamos com o professor.
Ex.2: O pai dele implica comigo demasiadamente.
Ex.: Sua cultura consiste na memorização de sentenças latinas.

SOBRESSAIR.

Perceba que esse verbo não é pronominal, ou seja, não existe o verbo "sobressair-se". Não se deve, portanto, dizer "ele se sobressaiu no campeonato"; o certo é "ele sobressaiu no campeonato".

Ex.: Os jogadores que mais sobressaíram no time conseguiram contratos no exterior.

Observação
Não se usa um mesmo complemento para verbos que têm regências diferentes.

ERRADO:

Precisava e encontrei o material de acampamento.
Assisti, mas não gostei do filme.

CERTO:

Precisava do material de acampamento e encontrei-
Assisti ao filme, mas não gostei dele.

Por: Portrasdasletras.com.br