O Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, completa uma década este ano.
E, se em 1998 apenas o desempenho dos alunos que concluíam o ensino
médio era avaliado, em 2008 o cenário é outro.
O aproveitamento, cada vez maior, da nota da prova para a entrada no ensino superior e a isenção da taxa de inscrição, a partir de 2001, para alunos de escolas públicas e da rede particular considerados carentes são alguns dos motivos que fizeram sua popularidade disparar.
O número de inscritos, em dez anos, aumentou 2.177% . Mas especialistas apontam outros aspectos importantes ao avaliarem esta primeira década de Enem. Para o professor William Campos, coordenador do GPI da Tijuca e do Méier, o Enem se consolidou como uma avaliação eficiente.
'O que mais mudou na prova em dez anos foi a sua importância. O exame democratizou a educação e, hoje, temos um termômetro de acordo com cada cidade, por escola', acredita Campos. 'Seu maior defeito, no entanto, é sua maior qualidade: ter estabelecido um padrão nacional que, na verdade, não existe.
Se na região Sudeste a prova é considerada fácil, em outras áreas do país ela é vista como complexa. Há quem diga que o Enem pressionou as escolas a se adaptarem ao ensino interdisciplinar, previsto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, aprovada em 1996. O próprio coordenador-geral do exame, Dorivan Ferreira Gomes, levanta essa questão: 'O Enem foi criado para que a reforma do ensino médio pudesse ser implantada de forma mais rápida.
Nós não temos dados se as escolas estão ensinando de acordo com os parâmetros do exame, mas temos visto que cada vez mais universidades adotam o modelo interdisciplinar, como é o caso da Unicamp'.
Campos concorda e explica que o Enem foi um dos grandes responsáveis por transformar a LDB em realidade: 'Ele forçou as escolas a se adaptarem, e os professores também. A formação dos docentes não é geral, como o Enem, mas específica.
Por causa do exame, temos professores de português e história dando aulas juntos, de química e física, e assim por diante', afirma. PUC-Rio No início, apenas quatro universidades aceitavam a nota do Enem como critério de seleção. Hoje, mais de 600 instituições em todo o país usam a prova como uma das modalidades de acesso.
Das universidades cariocas, a PUC-Rio foi a pioneira. Atualmente, ela reserva metade das vagas do seu processo seletivo. Das públicas, a Unirio, desde 2002, e o Cefet-Química, a partir de 2003, aproveitam o resultado como forma de ingresso dos estudantes. De acordo com o coordenador do vestibular da Unirio, Roberto Viana, 2.543 candidatos já foram aprovados pelo Enem. 'Em 2002, reservávamos 20% das vagas e, hoje, ampliamos para 50%.
É uma forma de reconhecer a importância do Enem como mais um critério de acesso ao ensino superior. No entanto, não temos planos de substituir nosso vestibular', analisa Viana.
No Cefet-Química, 25% das vagas de todos os cursos superiores são destinadas aos estudantes com melhor nota no Enem. Apenas quem acerta 60% da prova é aprovado. 'Estamos satisfeitos porque, no último vestibular, conseguimos preencher
todas
as vagas reservadas ao exame.
Os alunos que entram têm mostrado o mesmo desempenho dos selecionados pelo vestibular. A prova é de boa qualidade', afirma Marcos Antônio Carnavale de Barros, diretor-adjunto de integração e responsável pela coordenação do vestibular. Recorde de inscritos Na primeira edição, o número de inscrições no Enem foi modesto: 157 mil. Três anos depois, subiu para 1,6 milhão.
Cerca de 300 instituições de ensino superior utilizavam o resultado da prova para preencher suas vagas, e 83% dos estudantes foram isentos da taxa de inscrição.
Quando o Enem tinha cinco anos, a criação do Programa Universidade para Todos (ProUni) provocou novo salto: 3 milhões de inscritos. 'O ProUni (que aproveita a nota do Enem para a concessão de bolsas em faculdades particulares) alavancou a prova. Ele estabilizou o número de inscritos na casa dos 3 milhões', esclarece o coordenador-geral do Enem.
Em seu nono aniversário, em 2007, o exame computou cerca de 3,6 milhões de inscrições, e o número tem tudo para subir em 2008. O Ministério da Educação registrou 1,5 milhão de inscrições, somente pela internet, superando o ano anterior que teve 907 mil. As informações são do Globo On-line. Enviar por e-mail Imprimir Comentar Sugerir matéria
O aproveitamento, cada vez maior, da nota da prova para a entrada no ensino superior e a isenção da taxa de inscrição, a partir de 2001, para alunos de escolas públicas e da rede particular considerados carentes são alguns dos motivos que fizeram sua popularidade disparar.
O número de inscritos, em dez anos, aumentou 2.177% . Mas especialistas apontam outros aspectos importantes ao avaliarem esta primeira década de Enem. Para o professor William Campos, coordenador do GPI da Tijuca e do Méier, o Enem se consolidou como uma avaliação eficiente.
'O que mais mudou na prova em dez anos foi a sua importância. O exame democratizou a educação e, hoje, temos um termômetro de acordo com cada cidade, por escola', acredita Campos. 'Seu maior defeito, no entanto, é sua maior qualidade: ter estabelecido um padrão nacional que, na verdade, não existe.
Se na região Sudeste a prova é considerada fácil, em outras áreas do país ela é vista como complexa. Há quem diga que o Enem pressionou as escolas a se adaptarem ao ensino interdisciplinar, previsto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, aprovada em 1996. O próprio coordenador-geral do exame, Dorivan Ferreira Gomes, levanta essa questão: 'O Enem foi criado para que a reforma do ensino médio pudesse ser implantada de forma mais rápida.
Nós não temos dados se as escolas estão ensinando de acordo com os parâmetros do exame, mas temos visto que cada vez mais universidades adotam o modelo interdisciplinar, como é o caso da Unicamp'.
Campos concorda e explica que o Enem foi um dos grandes responsáveis por transformar a LDB em realidade: 'Ele forçou as escolas a se adaptarem, e os professores também. A formação dos docentes não é geral, como o Enem, mas específica.
Por causa do exame, temos professores de português e história dando aulas juntos, de química e física, e assim por diante', afirma. PUC-Rio No início, apenas quatro universidades aceitavam a nota do Enem como critério de seleção. Hoje, mais de 600 instituições em todo o país usam a prova como uma das modalidades de acesso.
Das universidades cariocas, a PUC-Rio foi a pioneira. Atualmente, ela reserva metade das vagas do seu processo seletivo. Das públicas, a Unirio, desde 2002, e o Cefet-Química, a partir de 2003, aproveitam o resultado como forma de ingresso dos estudantes. De acordo com o coordenador do vestibular da Unirio, Roberto Viana, 2.543 candidatos já foram aprovados pelo Enem. 'Em 2002, reservávamos 20% das vagas e, hoje, ampliamos para 50%.
É uma forma de reconhecer a importância do Enem como mais um critério de acesso ao ensino superior. No entanto, não temos planos de substituir nosso vestibular', analisa Viana.
No Cefet-Química, 25% das vagas de todos os cursos superiores são destinadas aos estudantes com melhor nota no Enem. Apenas quem acerta 60% da prova é aprovado. 'Estamos satisfeitos porque, no último vestibular, conseguimos preencher
Os alunos que entram têm mostrado o mesmo desempenho dos selecionados pelo vestibular. A prova é de boa qualidade', afirma Marcos Antônio Carnavale de Barros, diretor-adjunto de integração e responsável pela coordenação do vestibular. Recorde de inscritos Na primeira edição, o número de inscrições no Enem foi modesto: 157 mil. Três anos depois, subiu para 1,6 milhão.
Cerca de 300 instituições de ensino superior utilizavam o resultado da prova para preencher suas vagas, e 83% dos estudantes foram isentos da taxa de inscrição.
Quando o Enem tinha cinco anos, a criação do Programa Universidade para Todos (ProUni) provocou novo salto: 3 milhões de inscritos. 'O ProUni (que aproveita a nota do Enem para a concessão de bolsas em faculdades particulares) alavancou a prova. Ele estabilizou o número de inscritos na casa dos 3 milhões', esclarece o coordenador-geral do Enem.
Em seu nono aniversário, em 2007, o exame computou cerca de 3,6 milhões de inscrições, e o número tem tudo para subir em 2008. O Ministério da Educação registrou 1,5 milhão de inscrições, somente pela internet, superando o ano anterior que teve 907 mil. As informações são do Globo On-line. Enviar por e-mail Imprimir Comentar Sugerir matéria


