Saber se a área de interesse é ou não uma profissão pode ser útil para avaliar o mercado.Nem todo mundo que cursa uma faculdade tem uma profissão. Muitos bacharéis e tecnólogos trabalham sem ter necessariamente de apresentar o diploma.

Mesmo assim, são reconhecidos pela sociedade, organizam-se como categoria e vão muito bem, obrigado. Na hora de escolher o curso, a questão da regulamentação deve ser observada pelo estudante, mas com cuidado. Afastar opções que se encaixam no projeto de vida por isso seria um desperdício.

A regulamentação leva em conta, sobretudo, se o exercício profissional pode causar danos sociais ou expor vidas humanas a riscos. Já pensou em fazer uma cirurgia com um médico que não tenha o diploma, ou deixar a construção de um prédio nas mãos de uma pessoa que não tenha conhecimentos técnicos de engenharia? Por isso, para algumas profissões, ela é fundamental. Mas não significa que são melhores ou piores do que as demais.

- A regulamentação protege a população, mas também pode ser uma reserva de mercado. O mundo do trabalho é dinâmico e os estudantes devem optar pela formação que melhor serve a suas motivações - avisa Carlos Alexandre Netto, pró-reitor de graduação da UFRGS.

Computação e Publicidade defendem o livre exercício

Uma profissão é regulamentada por meio de um processo no Congresso que envolve o interesse de muita gente. Por isso, pode levar anos. Depois de sancionada pelo presidente da República, as atividades são definidas e fica a cargo dos conselhos federais e regionais fiscalizar a atuação, garantindo mercado somente aos portadores do diploma específico na área.

A regulamentação tradicional, com reserva de mercado exclusivo para graduados, não serve para muitas profissões. É cada vez maior o número de interfaces entre as atividades, ou seja, muitos profissionais, com diferentes formações, podem atuar na mesma área.

- Definir atribuições na área de informática é criar uma camisa de força. Esta é uma área meio, que funciona para resolver problemas de todas as áreas. É da natureza da área colocar ferramentas nas mãos de outros - diz Flávio Wagner, diretor do Instituto de Informática da UFRGS.

Como na informática, a publicidade preserva a liberdade do mercado de trabalho. Não abrem mão de talentos, tenha ele ou não um diploma na área. Assim, buscam a qualificação que vem, naturalmente, com a boa formação universitária.

Confira como algumas atividades se organizam no mercado
A Sociedade Brasileira de Computação (SBO) defende a auto-regulação da categoria sem a obrigatoriedade do diploma para atuar na área. As discussões vêm desde o início dos anos 80. Na época, a idéia era definir a carreira do digitador. Por essa dinâmica e evolução constante da informática, a SBC acredita que os profissionais podem ter seus direitos garantidos por meio de sindicatos e leis trabalhistas. A posição não é unânime entre a categoria. Alguns projetos tramitam no Congresso a favor da regulamentação. Informações: www.sbc.org.br
Os profissionais de Turismo e Hotelaria tiveram o pedido de regulamentação da profissão vetado em 2007. Há duas semanas, foi aprovada a Lei Geral do Turismo que regulamenta o setor e inclui a necessidade de qualificação profissional, exigindo turismólogos e profissionais de nível técnico para todas as atividades que envolvem o turismo. Conforme a coordenadora do curso da PUCRS, Marutschka Moesch, a lei amplia o mercado e garante boas chances aos diplomados. Informações: www.abbtur.com.br
Na Publicidade, o primeiro Código de Ética caracterizou a profissão e se transformou na Lei 4.680, em 1968. Dez anos depois, para que não houvesse interferência do governo nas mensagens, representantes da categoria, veículos, anunciantes e consumidores criaram o Código de Auto-Regulamentação Publicitária. Vinte anos depois, a categoria sentiu novamente a necessidade de padronizar suas relações comerciais e criou o Código de Normas Padrão (Cenp) da atividade publicitária, com ou sem diploma na área. Informações: www.conar.org.br e www.cenp.com.br
O Design teve o processo de regulamentação da profissão arquivado em 2006. As diferentes áreas do design permitem que muitas pessoas sem a formação atuem no mercado. A discussão é grande no país que já contabiliza mais de 800 cursos. Sem a profissão, o designer brasileiro não pode participar de concursos e licitações do governo. Não há uma auto-regulamentação, e a atividade ainda é pouco conhecida pela sociedade. Informações: www.apdesign.com.br