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Leitura Crítica de Livros pode ser Decisiva no Vestibular
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A relação entre as obras literárias obrigatórias no vestibular e as
críticas sobre elas feitas em diferentes períodos históricos é a chave
para garantir uma boa nota na prova de literatura, que abre a segunda
fase do vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Pelo menos essa é a expectativa do professor de literatura Ricardo Gaiotto, que dá aulas em vários cursinhos. Essa também foi uma das características do início da maratona da segunda fase da Fuvest — que seleciona para a Universidade de São Paulo (USP) — no último domingo, em questões que, a partir de críticas, cobraram interpretação de obras como Iracema, de José de Alencar, e Dom
Casmurro, de Machado de Assis. “A tradição mostra que, especificamente
para a Unicamp, os candidatos devem esperar também questões sobre o
enredo dos livros”, diz Gaiotto.
Ou seja, para se dar bem nessa reta final é preciso ter uma boa noção do que os escritores produziram nos últimos 500 anos, já que os títulos cobrados passam por todos os períodos da literatura em língua portuguesa. As provas exigem conhecimentos que vão desde a Idade Média, como o livro Auto
da Barca do Inferno, do português Gil Vicente, até escritores modernos
como o mineiro João Guimarães Rosa, famoso por sua linguagem cheia de
expressões que inovaram a língua portuguesa. Por isso, se você não leu
as obras obrigatórias, não serão simplesmente os resumos conseguidos na
internet ou até em apostilas que vão ajudá-lo. “Nessa reta final, a
saída é estudar pelas provas dos anos anteriores e ler críticas. A
interpretação é mais importante do que dados gerais”, aconselha o
professor.
A dica é também aproveitar o tempo para rever as
anotações das aulas, relembrar os principais fatos do enredo e, em
cinco dias, ainda dá tempo para ler um ou outro livro que ficou para
trás. “Os resumos não substituem a leitura integral. Quem lê as obras e
conta com textos de apoio certamente tem facilidade para responder às
questões”, explica Gaiotto. Segundo ele, em seus últimos vestibulares,
a Unicamp também tem usado trechos literários para questionar sobre o
uso estilístico do idioma. Assim, conhecer os mecanismos utilizados
pelos escritores para compor suas produções também conta ponto.
Preparação
A vestibulanda de medicina Paula Stein Montalti, de 20 anos, está na luta por uma vaga desde o vestibular do ano passado e conseguiu passar para a segunda fase. “Percebi que as próprias provas de literatura trazem dicas para a resolução das questões”, afirma. Com todas as matérias para estudar, Paula conseguiu ler apenas sete dos nove livros pedidos. “Faltaram alguns contos de Sagarana e umas poesias de Rosa do Povo. Mas, por outro lado, li muitas análises dessas obras.”
Colega dela no cursinho Oficina do Estudante, Larissa Vanuchi Rodrigues, de 22 anos, também espera conseguir uma vaga em medicina. Ela está na segunda fase da Unicamp e da Fuvest. “Achei a prova de domingo (de
literatura da Fuvest) muito inteligente. Não estava difícil. Exigiu
apenas o necessário e as principais características das obras.”
Segundo
Larissa, refazer as questões dos anos anteriores a ajudou a
entender melhor as obras literárias, assim como saber das principais
exigências de cada vestibular. Essa possibilidade de recorrer aos
outros processos seletivos é ainda maior no caso da Fuvest e da
Unicamp, já que, há dois anos, além de unificarem suas listas, as
instituições não fizeram mudanças nos títulos exigidos. “Os alunos não
devem esperar questões que abordem os mesmos tópicos, mas estudar pelas
provas anteriores ajuda a saber quais as principais cobranças e no que
se ater durante os estudos.”
Larissa acredita que os livros da lista são fáceis e, para facilitar a contextualização com a história da literatura, ela optou por começar pelos mais antigos. “Assim, consegui perceber as transformações de estilo e de época.” O tamanho e a facilidade para encontrar as obras, além da unificação das listas entre a Unicamp e a Fuvest, também ajudaram a ler tudo o que é pedido. “Antes, a Unicamp pedia muitos livros da literatura portuguesa, às vezes, difíceis de encontrar nas livrarias”, diz ela. Uma das obras a que se refere é A
Sibila, da escritora portuguesa Augustina Bessa-Luis, cobrada entre
1998 e 2000, mas que, apesar de ser um dos principais nomes da
literatura contemporânea em Portugal, dificilmente consta nos livros
didáticos do Ensino Médio.
Pelo menos essa é a expectativa do professor de literatura Ricardo Gaiotto, que dá aulas em vários cursinhos. Essa também foi uma das características do início da maratona da segunda fase da Fuvest — que seleciona para a Universidade de São Paulo (USP) — no último domingo, em questões que, a partir de críticas, cobraram interpretação de obras como
Ou seja, para se dar bem nessa reta final é preciso ter uma boa noção do que os escritores produziram nos últimos 500 anos, já que os títulos cobrados passam por todos os períodos da literatura em língua portuguesa. As provas exigem conhecimentos que vão desde a Idade Média, como o livro
Preparação
A vestibulanda de medicina Paula Stein Montalti, de 20 anos, está na luta por uma vaga desde o vestibular do ano passado e conseguiu passar para a segunda fase. “Percebi que as próprias provas de literatura trazem dicas para a resolução das questões”, afirma. Com todas as matérias para estudar, Paula conseguiu ler apenas sete dos nove livros pedidos. “Faltaram alguns contos de
Colega dela no cursinho Oficina do Estudante, Larissa Vanuchi Rodrigues, de 22 anos, também espera conseguir uma vaga em medicina. Ela está na segunda fase da Unicamp e da Fuvest. “Achei a prova de domingo
Segundo
Larissa acredita que os livros da lista são fáceis e, para facilitar a contextualização com a história da literatura, ela optou por começar pelos mais antigos. “Assim, consegui perceber as transformações de estilo e de época.” O tamanho e a facilidade para encontrar as obras, além da unificação das listas entre a Unicamp e a Fuvest, também ajudaram a ler tudo o que é pedido. “Antes, a Unicamp pedia muitos livros da literatura portuguesa, às vezes, difíceis de encontrar nas livrarias”, diz ela. Uma das obras a que se refere é


