Por: Valter Pitta
O surgimento do Império veio como consequência do esforço de expansão
crescente de Roma durante os séculos III e II a.C.. Segundo alguns
historiadores, a população sob o domínio de Roma aumentou de 4 milhões
em 250 a.C. para 60 milhões em 30 a.C., o que ilustra como Roma teve o
seu poder ampliado nesse período, de 1.5% da população mundial, para
25%.
Nos últimos anos do século II a.C., Gaius Marius transformou o
Legião romana num exército profissional, no qual a lealdade dos
soldados de uma legião era declarada ao general que a liderava e não à
sua pátria. Este facto, combinado com as numerosas guerras que Roma
travou nos finais da República (Invasão dos Cimbros e Teutões, Guerras
contra Mitridates, rei do Ponto, entre outras, a culminar nas guerras
civis do tempo de César e Augusto) favoreceu o surgimento de uma série
de líderes militares (Sulla, Pompeu, Júlio César), que, apercebendo-se
da força à sua disposição, começam a utilizá-la como meio de obter ou
reforçar o seu poder político.
As instituições republicanas
encontravam-se em crise desde o princípio do século I a.C., quando
Lucius Cornelius Sulla quebrou todas as regras constitucionais ao tomar
a cidade de Roma com o seu exército, em 82 a.C., para se tornar ditador
vitalício de seguida. Sulla resignou e devolveu o poder ao senado
romano, mas no entanto o precedente estava lançado.
Júlio César (100-44 a.C.).
Esta
série de acontecimentos culminou no Primeiro Triunvirato, um acordo
secreto entre César, Pompeu e Crasso. Tendo este sido desfeito após a
derrota de Crasso em Carrhae (53 a.C.), restavam dois líderes
influentes, César e Pompeu; estando Pompeu no lado do Senado, este
declara César inimigo de Roma, ao que César respondeu, atravessando o
Rubicão e iniciando a Guerra Civil. Tendo vencido Pompeu em Farsalia
(Agosto 48 a.C.) e as restantes forças opositoras em Munda (45 a.C.),
tornou-se efectivamente a primeira pessoa a governar unipessoalmente
Roma, desde o tempo da Monarquia. O seu assassinato pouco tempo depois
(Março 44 a.C.), às mãos dos conspiradores liderados por Brutus e
Cássio, terminou esta primeira experiência de governo unipessoal do
estado romano.
Por esta altura, já a República tinha sido
decisivamente abalada, e após a derrota final dos conspiradores, o
surgimento do Segundo Triunvirato, entre Octávio, Marco António e
Lépido, e a sua destruição na Guerra Civil seguinte, culminando na
decisiva Batalha de Actium (31 a.C.), deixou Octávio como a única
pessoa com poder para governar individualmente Roma, tornando-se
efectivamente no primeiro imperador romano, fundando uma dinastia
(Júlio-Claudiana) que só a morte de Nero (68 d.C.) viria a terminar.
Uma
vez que o primeiro imperador, César Augusto, sempre recusou admitir-se
como tal, é difícil determinar o momento em que o Império Romano
começou. Por conveniência, coloca-se o fim da República em 27 a.C.,
data em que César Augusto adquire este cognome e em que começa,
oficialmente, a governar sem parceiros. Outra corrente de historiadores
coloca o princípio do Império em 14 d.C., ano da morte de Augusto e da
sua sucessão por Tibério.
Augusto (63 a.C.-14 d.C.).
Nos
meios acadêmicos, discutiu-se bastante a razão pela qual a sociedade
romana, habituada a cerca de cinco séculos de república, aceitou a
passagem a um regime monárquico sucessório. A resposta centra-se no
estado endêmico de guerra civil que se vivia nos anos prévios a Augusto
e no longo reinado de quarenta e cinco anos que se seguiu, notável pela
paz interna. Com a esperança de vida média em cerca de quarenta e cinco
anos, à data da morte de Augusto, o cidadão romano médio não conhecia
outra forma de governação e estava já preparado para aceitar um
sucessor.
O reinado de César Augusto é considerado por todos os
historiadores como um período de prosperidade e expansão. A nova
estrutura política criada por Augusto designa-se por "principado",
sendo o chefe do império designado por princeps civium (o primeiro dos
cidadãos) e ao mesmo tempo princeps senatus (o primeiro do Senado). O
termo princeps está na origem da palavra príncipe, que não era o título
do chefe do Estado. O título era "César" e foi este que Augusto e seus
sucessores adoptaram.
Augusto era também comandante-chefe do
exército e decidia a guerra ou a paz e auto-nomeou-se "tribuno por toda
a vida". Augusto, que não era especialmente dotado para a estratégia,
mas tinha bons generais como Agripa na sua confiança, anexou
oficialmente o Egipto, que já estava sob domínio romano havia 40 anos,
toda a península Ibérica, a Panónia, a Judeia, a Germânia Inferior e
Superior e colocou as fronteiras do Império nos rios Danúbio e Reno,
onde permaneceram por 400 anos.
O império que Augusto recebeu era
vasto e heterogêneo, com várias línguas e vários povos. O grego era a
língua mais falada nos territórios orientais, e o latim progredia pouco
nestes territórios, mas nos territórios ocidentais era a língua mais
falada. Augusto passou a tratar todos os habitantes do império como
iguais e visitou várias zonas para verificar quais os problemas de cada
província, assim estas floresceram e atingiram o máximo do seu
desenvolvimento.