O governador Roberto Requião confirmou ontem, na Escola de Governo, a reativação do curso de Medicina na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Ele mesmo suspendeu o curso em maio de 2003, alegando falta de estrutura. O decreto que reabre a faculdade será assinado na próxima segunda-feira.

As 40 vagas serão ofertadas no vestibular de verão, em dezembro, e as aulas iniciarão em agosto do ano que vem. Até a formatura da primeira turma o governo estadual afirma que vai investir R$ 12,3 milhões no curso.

O vice-reitor da UEPG, Luciano Vargas, afirmou que as aulas não começarão em março, como nos demais cursos, porque a carga horária da faculdade de Medicina é maior (seis anos em vez de quatro) e também porque o prazo dilatado irá possibilitar a contratação de professores e servidores, além da adaptação do espaço físico e compra de materiais. Dos 26 laboratórios necessários para o funcionamento do curso, no câmpus de Uvaranas, 20 já estão prontos.

O Hospital Regional, que está com 65% das obras concluídas, deverá ficar pronto em abril do ano que vem. Pela proposta pedagógica do curso, os alunos de Medicina só precisarão do hospital no segundo semestre do quinto ano, ou seja, em 2014. Nos primeiros anos, acrescenta Vargas, os estudantes usarão os postos de saúde através de convênios com as prefeituras da região.

Crítica A reabertura do curso, porém, não é uma unanimidade. Há quem critique a decisão do governo. Para o ex-presidente da Associação Médica Brasileira e membro da Comissão de Ensino Médico do Ministério da Educação, Antônio Celso Nassif, “não há necessidade social do curso”, já que o Paraná conta no momento com outras nove escolas médicas.

Em todo o Brasil, há 175 faculdades de Medicina, o que coloca o país no segundo lugar mundial em número de escolas, perdendo apenas para a Índia, que tem 272 cursos. Em terceiro lugar está a China, com 150 escolas; e em quarto lugar aparecem os Estados Unidos, com 129.

Nassif comenta que a decisão pela reativação do curso diz respeito apenas ao governador e ao Conselho Estadual de Educação, mas se preocupa pela qualidade na formação do futuro médico. “Hoje basta pegar o diploma e se registrar no Conselho Regional de Medicina. Não temos um exame como o da Ordem dos Advogados do Brasil.

Por isso, é importante que haja uma boa formação”, alerta. A secretária de estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior,
Lygia Pupatto, garante que quando o governador Requião fechou o curso teve uma “atitude de coragem” e que agora todas as medidas foram tomadas para garantir a qualidade da faculdade. Uma comissão formada por professores e médicos foi criada ano passado para verificar a viabilidade do retorno do curso. Em maio desse ano, o trabalho foi apresentado ao governo estadual.

Em reunião, na última segunda-feira, a secretária apresentou o estudo ao governador, que decidiu pela reativação. Em Ponta Grossa, onde foi criado em 2003 o Movimento Pró-Medicina, a notícia foi bem-recebida. O presidente da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), Hilário Devicchi, lembrou que “foram meses de trabalho, comprometimento e sensibilização junto à sociedade e ao poder público”.

Em nota, o prefeito de Ponta Grossa, Pedro Wosgrau Filho (PSDB), disse que “a comunidade está agradecida” pela reabertura da faculdade. * * * * * Interatividade O Paraná precisa de mais um curso de Medicina? Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.