Fizeram as aulas do cursinho, estudaram pelo menos três horas diárias e superaram mais de 9 mil candidatos, ocupando o topo do ranking dos melhores do vestibular de meio de ano da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Mas não é só isso que os três primeiros colocados têm em comum. Para a felicidade de seus concorrentes, não farão matrícula porque o que querem mesmo é cursar Medicina - que só vai abrir vagas no processo seletivo de fim de ano.

Daniella Audi Blotta, de 19 anos, moradora de Bauru (a 345 km de São Paulo), ficou surpresa por ter sido a primeira entre os 9.160 candidatos de todos os cursos com vagas no meio do ano. "A gente nunca espera porque vestibular é imprevisível", diz ao comemorar a vaga em Agronomia, mesmo sabendo que vai dispensá-la. Ela faz cursinho pela segunda vez e está confiante de que vai garantir uma vaga no fim do ano. "Tenho muito estudo pela frente", diz. Ela arrisca uma explicação para sua nota: "Acho que meu desempenho tem a ver mais com a maturidade. Não fiquei nervosa porque já fiz muitos vestibulares (mais de oito) ."

Também de Bauru, Gabriel Gonçalves, o segundo colocado, será um dos concorrentes de Daniela no fim do ano, já que dispensou a vaga em Engenharia Elétrica. "Quero mesmo Medicina." Desde o ano passado, Gabriel vive em um quarto próximo ao cursinho em Bauru. "Estudo umas três horas por dia, mas não reservo um tempo específico para isso."

O terceiro colocado, Rodolfo dos Santos, de 18 anos, ao saber que vai concorrer com os dois melhores, logo perguntou: "Quantos anos eles têm? Quantos pontos fizeram?" Rodolfo, que mora em Monte Santo (MG), faz cursinho na cidade vizinha de Mococa, interior de São Paulo. "Passo duas horas na van, então não posso dizer que estudo muito, mas pelo menos três horas uso para fazer exercícios e ler."

CAPITAL

Os dois candidatos que tiveram o melhor desempenho na prova de meio do ano da Unesp entre os vestibulandos da capital também não vão fazer a matrícula. Nikoly Fares, de 19 anos, conquistou o 6º lugar no ranking dos melhores e também quer Medicina. Já João Ricardo dos Santos Penha foi o 8º melhor entre os mais de 9 mil candidatos, mas quer Mecatrônica. E os dois têm uma mesma certeza: querem estudar na Universidade de São Paulo (USP).

Nikoly, que faz cursinho pelo segundo ano, conta que a mãe chegou a incentivá-la a assistir cirurgias em hospitais com esperança de fazê-la desistir da Medicina. "No ano passado, comecei a fazer Administração na Fundação
Getúlio Vargas (FGV), mas, ao assistir as cirurgias, vi que eu quero mesmo é Medicina."

João Ricardo, que passou em Engenharia Elétrica na Unesp, não hesita em dizer que, no ano que vem, começa a cursar Mecatrônica na USP. "A vaga é minha, tenho certeza. Quero Mecatrônica porque tem tudo a ver comigo", afirma. Ex-aluno do tradicional colégio Porto Seguro, João afirma que o cursinho ajudou. "Aproveito o cursinho para fazer boa revisão", diz.

CONCORRÊNCIA

A relação de candidatos por vaga do vestibular do fim do ano da Unesp é quase a mesma do meio do ano. No fim do ano passado, a relação foi 14,6 candidatos por vaga (91.052 estudantes para 6.244 vagas). No meio do ano, 14,5 (9.146 para 630).

No entanto, como a universidade só abre vagas para Medicina, o curso mais disputado, no fim do ano, é comum alunos se inscreverem em outra carreira para treinar. Segundo levantamento da Vunesp, órgão responsável pelo vestibular da Unesp, dos 15 cursos oferecidos no meio do ano de 2008, apenas um teve o primeiro colocado matriculado.