As 11 novas graduações e os três cursos superiores de tecnologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), com início das aulas previsto para o primeiro semestre de 2009, serão responsáveis pela abertura de 605 vagas e pela contratação de 264 professores, alguns destes destinados à ampliação de cursos já existentes.

A dúvida que fica é: em se tratando de faculdades novas, haverá demanda para formações superiores em gastronomia ou biotecnologia, por exemplo?

De acordo com o pró-reitor de ensino de graduação, Maerbal Marinho, as novas propostas partiram de solicitação dos núcleos de formação superior da Ufba, à exceção dos bacharelados interdisciplinares, germinados pela reitoria. Sendo assim, não houve estudo de impacto que avaliasse a menor ou maior procura estudantil por determinadas áreas. “Estamos apenas supondo que os cursos terão alta demanda, não houve pesquisa de mercado”, diz.

Ainda segundo o pró-reitor, é possível que ocorra um reajuste do número de vagas para o próximo processo seletivo, a depender da avaliação da Câmara de Ensino de Graduação da Ufba, neste mês. Em entrevista publicada há uma semana em A TARDE, o risco de não haver demanda (neste caso, para os bacharelados interdisciplinares) também foi cogitado pela coordenadora das ações acadêmicas do Reuni, Márcia Pontes, para quem “o plano B seria diminuir o número de turmas”.

“A universidade deveria ter um critério maior para a abertura de novos cursos. Quais são as reais demandas no vestibular? Tudo bem que direito ganhou 200 novas vagas, mas medicina continuará com as mesmas 160 cadeiras e uma concorrência estratosférica”, questiona Aline. Para o chef de cozinha Diogo Pereira, no entanto, a novidade foi bem-vinda: “Tenho interesse de cursar gastronomia, ainda não tenho nível superior”.

Culinária – Há quatro anos à frente de um restaurante em Praia do Forte, Pereira vê com bons olhos as novas vagas oferecidas. “A proposta deles é de oferecer um curso voltado mais para culinária. Existem cursos de gastronomia aqui, mas eles têm ênfase em alimentos e bebidas”, analisa Pereira, que acredita na importância da teoria, mas vê na prática um valor fundamental para a formação de um chef.

Ufba nova – De acordo com o projeto Ufba Nova, vestibulandos poderão optar por qualquer curso sem, necessariamente, ingressar num dos bacharelados interdisciplinares. Os bacharelados – com três anos de duração – serão alternativas para quem optar por uma formação mais completa e em diversas áreas, antes de iniciar a graduação. Artes, humanidades, saúde e ciência e tecnologia corresponderão a 900 vagas a serem disputadas no vestibular. Quem optar pela graduação após um bacharelado poderá passar por novo processo seletivo.

Se pensado pelo viés das vagas oferecidas aos docentes, que devem ser contratados até janeiro próximo, o Ufba Nova é uma oportunidade de se desenvolver pesquisa com excelência. Com mestrado em Harvard e doutorado na Fundação Osvaldo Cruz, Guilherme Ribeiro, 30, pretende participar da seleção. “Para [um docente] desenvolver pesquisa, é uma alternativa melhor do que ingressar numa faculdade particular”, avalia.