Para o vestibular de 2007, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) recebeu 28 inscrições de candidatos que possuíam algum tipo de deficiência. Para o processo de 2008, o número saltou para 68, mais de 100% de aumento.

Para Marcos de Paiva Nunes, que coordenou os trabalhos da Coordenação de Atendimento Especial aos Candidatos a Concurso da UFJF desde 2007, este aumento está ligado ao fato de a Universidade buscar, cada vez mais, meios para atender a demanda dos candidatos que precisam de atenção especial.

Mesmo com o aumento, Nunes não considera o número alto, mas expressivo. "É um número que vem crescendo e mostra que a Universidade precisa se preparar ainda mais, porque tem gente batendo na porta e querendo entrar".

Entretanto, a atenção não é dada somente a pessoas com deficiência física. "Também atendemos quem está grávida, pós-operado e tem síndrome do pânico", explica ele, salientando que o problema deve ser legalmente reconhecido e um laudo médico precisa ser apresentado.

Para o diretor da Comissão Permanente de Seleção (Copese), José Maria Pereira Guerra, a assistência aos candidatos é uma maneira de dar oportunidade a todos. Porém, a Universidade ainda não pode atender a todas as demandas. "Se um cego quisesse fazer a prova do último vestibular, não teria como atendê-lo, pois não temos uma impressora em braile e nem pessoas que pudessem viabilizar a impressão e a correção em sigilo", explica.

Este é o princípio da razoabilidade adotado pela instituição. "Só nos comprometemos dentro do que podemos cumprir", diz Guerra. Para o próximo vestibular, a intenção é poder atender os candidatos cegos. "Pretendemos comprar uma impressora em braile", completa.

A maior demanda para o vestibular e PISM de 2008 foi de surdos, com 14 inscrições, seguida de pessoas co deficiência visual, com 11, e daquelas com deficiência física, com oito. Além disso, a Coordenadoria recebeu pedidos de atenção especial para candidatos com paralisia cerebral, síndrome do pânico, dislexia, diabéticos e gestantes.

Preparação e dedicação

Para proporcionar atenção especial aos candidatos com problemas de saúde e com algum tipo de deficiência, o trabalho começa cedo, com o treinamento dos fiscais na própria instituição. O próprio coordenador escala a equipe. Apesar de alguns fiscais se oferecerem para prestar esse auxílio especializado, Nunes conta que a escolha depende do perfil. "Alguns sabem lidar melhor com determinado tipo de deficiência, então, escolhemos assim".

O treinamento ensina a melhor maneira de auxiliar os candidatos com deficiência e não a favorecê-los. Nunes destaca que as regras do concurso e as provas são as mesmas para todos os candidatos. "As provas têm o mesmo conteúdo, são formuladas dentro dos mesmos questionamentos e o edital é o mesmo". E Guerra completa. "O que fazemos é para garantir o direito que todos têm de fazer vestibular".

E não é somente a presença de fiscais treinados que garantem o auxílio a estes candidatos. A equipe providencia enfermaria com médicos, enfermeiros, leitos, oxigênio, medicação e ambulância. O espaço onde a prova vai ser realizada é dividido e utilizado de acordo com as necessidades. "No caso de pessoas com deficiência visual que solicitam um ledor, é preciso uma sala separada. Para garantir a segurança do processo, a prova é gravada", exemplifica Nunes.

À medida em que as provas vão sendo aplicadas, a equipe aprende e aperfeiçoa o processo. Nunes conta a história de um fiscal e candidato com deficiência visual que tiveram dificuldades para passar e para entender a prova de química. Para o próximo concurso, a professora fez uma maquete da estrutura, usando percevejos, alfinete e isopor. "O aluno pôde sentir a formação da estrutura. Agora, estamos pensando nisso para outras disciplinas".

Busca pela acessibilidade
Qualquer candidato que sentir necessidade de ter atenção especial na prova do vestibular pode fazer o pedido no momento da inscrição. Entretanto, mais importante que descrever a deficiência, é dizer de que ajuda vai precisar na hora da prova. Além do laudo, a equipe faz contato com o candidato pelo telefone para ter mais detalhes, se o requerimento for aprovado.

Apesar de tentar buscar formas para trabalhar a acessibilidade no concurso, a UFJF não está preparada para receber e manter esses alunos durante o curso. "Com relação à seleção, não deixa a desejar, mas a permanência deles precisa ser trabalhada para que se mantenham estudando".