Por: Rafael Coelho
A Geografia, de maneira bem resumida é o estudo do espaço que os seres
humanos habitam. É um dos saberes mais antigos que existem, uma vez que
a confecção doa primeiros mapas na Antiguidade já pressupõe um estudo
geográfico.
A palavra geografia (geo, ‘terra’; grafia ‘descrição’, ‘escrita’) foi criada pelo filósofo grego Erastótenes no século III a.C.
Nessa
época todos os estudiosos eram filósofos e normalmente se ocupavam de
quase todos os temas que hoje conhecemos por diferentes disciplinas e
Erastótenes foi um desses filósofos. Ele exerceu o cargo da então
famosa biblioteca de Alexandria e deu importantes contribuições para
diversos saberes tais como a matemática, a geografia, a física e a
astronomia.
Somente nos séculos XVII, XVIII e XIX é que as
diferentes áreas do saber foram ganhando autonomia e foram se
configurando da maneira pela qual conhecemos hoje.
A geografia
sempre apresentou dois aspectos: um teórico (geografia geral e
regional) e outro prático ou estratégico (utilidade prática para o
Estado, militares, empresas e indivíduos em geral).
Todos os povos,
todas as sociedades humanas habitam em um determinado espaço e,
conseqüentemente são essenciais o conhecimento e apreensão desse espaço
para que haja a possibilidade de intervenção a fim de alcançar o
atendimento de suas necessidades.
Foi somente no século XIX que a
geografia passou a ser considerada como uma ciência autônoma, com todas
as suas particularidades, se separando de outras disciplinas tais como
a geologia, e economia e a astronomia que se achavam integrados com ela
e, a partir desse momento também ganharam suas autonomias. A geografia
passa então a se ocupar especificamente do espaço geográfico, ou seja,
a superfície terrestre, que é o lugar onde a humanidade vive e no qual
produz modificações.
Dentre diversos motivos, o advento das ciências
modernas no século XIX se deve a um novo modelo de ciência que vinha
sendo elaborado desde o século XVII e XVIII com Galileu Galilei
(abandono das crenças tidas como verdade e investigação do Universo
através do uso da lógica) e Isaac Newton (grande sistematizador de
conhecimentos físicos e astronômicos, realizando uma sobre o Universo e
suas leis).
Cientistas pioneiros como Galilei, Newton, Copérnico e
da Vinci, consolidaram o pensamento racional nas ciências em detrimento
dos conhecimentos místicos. Deste modo, para compreender quaisquer
processos que ocorrem no Universo, é preciso se utilizar de
conhecimento científico e não mais apelar para as crenças e
superstições, tal como se fazia até o século XVIII. Deixa-se, então, de
lado os saberes especulativos para utilizar o saber científico.
Dois
estudiosos germânicos do século XIX são considerados os criadores da
geografia moderna ou científica: Alexander von Humboldt (importantes
trabalhos em geografia física) e Karl Ritter (importantes trabalhos em
geografia humana).
Podemos ainda relacionar o advento da geografia
moderna com seu momento histórico, uma vez que no século XIX a
humanidade já tinha unificado todo o espaço planetário, processo que já
havia começado desde o século XV, com a expansão marítimo-comercial
européia e foi progredindo no decorrer dos séculos. Não foi por acaso
que os trabalhos de Humboldt e Ritter surgiram desse período. A
construção da geografia moderna só pôde ocorrer num momento em que
praticamente toda a superfície terrestre havia sido conhecida, estudada
e mapeada.
Há uma antiga questão sobre a
existência ou não de “várias geografias”. Desde a Grécia Antiga já
havia uma divisão entre a geografia geral (visão do todo) e a geografia
regional (visão do particular). Além disso ainda existia a cartografia
como sendo parte da geografia, o que não ocorre atualmente, sendo a
cartografia uma disciplina independente, apesar de o uso de mapas ser
largamente utilizado na geografia, configurando a geocartografia como
sendo parte da própria ciência geográfica .
Mais recentemente, no
século XIV, surge uma nova divisão da geografia em geografia física
(estudo das paisagens naturais na superfície terrestre) e humana
(estudo dos grupos humanos na sua dimensão espacial), com suas
respectivas subdivisões, as quais estão em constantes modificações.
No
entanto, apesar de todas as subdivisões, existe uma unidade da
geografia: é o estudo do espaço geográfico na inter-relação entre a
humanidade e seu meio ambiente.
Qual o campo de atuação dos geógrafos nos dias de hoje? Sua atuação está normalmente ligada a questões de planejamento e meio ambiente, além da formulação de mapas geográficos.
Recentemente,
os geógrafos ganharam um novo campo de atuação: a apreensão e
utilização de dados geográficos através dos SIGs (Sistemas de
Informações Geográficas). Os SIG são tecnologias de processamento de
informações geográficas, normalmente sob a forma de softwares, que
sistematizam dados geográficos sobre inúmeros fenômenos de uma área ou
região.
Outra importante área de atuação do geógrafo é o ensino.
Embora a geografia seja uma disciplina escolar ensinada desde a
Antiguidade, somente no século XIX que a geografia escolar passa a ser
difundida, pois foi nesse período que ocorreu uma significativa
expansão dos sistemas nacionais de ensino, que foi se tornando
imprescindível para o desenvolvimento de um país.
A educação sempre
foi importante para as sociedades humanas, pois é através dela que o
homem pode interagir com a sociedade em que vive, no entanto, com a
revolução técnico-científica, a importância do ensino torna-se maior do
que em qualquer outra época.
Uma nova lógica é estabelecida, onde os
empregos que anteriormente eram executados por pessoas com pouca
escolaridade são substituídos por máquinas, computadores ou robôs. Os
empregos que não sofreram substituição exigem elevados níveis de
escolaridade. Toda essa mudança é resultado da revolução
técnico-científica que produz profundas mudanças no mercado de trabalho
e também uma nova forma de produção: a produção flexível, que se
contrapõe com o antigo modelo de produção, o fordismo.
Neste, impera a
produção em massa, com pouca preocupação com a qualidade, com uma
mão-de-obra “técnica”, com baixo de nível de escolaridade. Ao contrário
do fordismo, a produção flexível procura, acima de tudo, a excelência,
não importando mais a produção em massa, mas sim a manutenção da
qualidade com um desperdício praticamente zero. A mão-de-obra desse
novo modelo precisa ser qualificada, uma vez que os empregos meramente
mecânicos foram substituídos (desemprego estrutural).
Em uma nova
realidade, o mercado de trabalho se altera substancialmente, causando
graves crises. Nesse contexto, muitos novos empregos vão sendo criados
em detrimento de vários outros que vão ficando obsoletos e deixam de
existir. Para se inserir nessa nova lógica de mercado atributos como
competência e instrução são imprescindíveis.
O ensino também vem se
modificando com a revolução técnico-científica. Nos países centrais, os
jovens ingressam no mercado de trabalho cada vez mais tarde, mas com um
excelente nível de qualificação. Nos países periféricos, o processo
ocorre de maneira inversa, com jovens despreparados ingressando cada
vez mais cedo no mercado de trabalho. Com essa realidade, os países
periféricos têm pouca chance de alcançar a centralidade no capitalismo.
Existe
uma íntima relação entre os níveis de escolaridade de uma população e
seu desenvolvimento econômico e social. Assim, podemos perceber que são
os países que alcançaram maior desenvolvimento, aqueles que mais
valorizaram a educação.
Mas o objetivo da escola não é preparar o
jovem para um emprego, uma vez que isso se torna praticamente
impossível, face as constantes mudanças que ocorrem no mercado. O
objetivo hoje é que o jovem atenda a flexibilidade do mercado,
adquirindo a capacidade de adaptação.
O ensino da geografia, a
partir da 1980, juntamente com o de outras disciplinas foram se
modernizando com o objetivo de atender as novas necessidades oriundas
da revolução técnico-científica, principalmente nos países
desenvolvidos.
O ensino da geografia, na
realidade, passa a ser ainda mais importante com a globalização. Com a
intensa integração mundial, é necessário, mais do que nunca, conhecer o
mundo em que vivemos, ou seja, conhecer a geografia. Essa é uma
condição necessária todo aquele, seja instituição ou indivíduo, que
pretende se inserir e obter sucesso dentro dessa nova lógica
globalizada.