Chegou a hora de 4.004.715 de jovens mostrarem o que aprenderam durante a educação básica. No próximo domingo, eles farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No Distrito Federal, 63.135 estudantes se inscreveram para participar do exame.

A prova será aplicada em mais de 1,4 mil municípios a partir das 13h. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) já enviou às residências dos candidatos o boletim de confirmação de inscrição, com os locais onde os estudantes serão avaliados.

Quem não recebeu o documento pode checar a informação no site www.enem.inep.gov.br/consulta. Para muitos jovens, o Enem é uma oportunidade única de ingressar no ensino superior. Por isso, não pode ser desperdiçada. Os resultados da prova valem uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni). As notas também são aproveitadas nos processos seletivos de 600 instituições brasileiras.

Outros alunos enxergam na avaliação uma possibilidade de testar os conhecimentos e comparar o próprio desempenho com o de estudantes do país inteiro. Independentemente das metas de cada um com a prova, os estudantes sabem que não precisam se assustar com o exame.

Ao contrário do que acontece nos vestibulares, as questões do Enem não possuem “pegas”. O objetivo é conferir se os alunos conseguem relacionar conteúdos, ler e interpretar textos e criar soluções para problemas apresentados. É verdade que quem quer disputar uma bolsa em um curso concorrido como medicina precisa tentar gabaritar o teste. As vagas do ProUni são distribuídas de acordo com as notas dos candidatos.

Mas para se dar bem as táticas devem ser diferentes das usuais. Segundo o professor França, coordenador do Centro Educacional Sigma, não adianta tentar se preparar na véspera do exame. “A avaliação é muito bem feita e os resultados serão reflexo de tudo o que o estudante construiu ao longo da vida escolar dele”, opina.

Para ele, o segredo é ler os itens com atenção e calma. O Enem é composto por 63 questões de múltipla escolha, que aparecem acompanhadas de diversos textos, imagens e gráficos de apoio. Respondê-las pode ser cansativo, mas os alunos não devem desanimar. “Muitas vezes, a resposta pode ser extraída pela leitura”, ressalta o diretor do Centro de Ensino Médio Setor Oeste, Júlio Gregório. Outra dica importante é ficar atento ao que acontece na atualidade.

Além de os itens cobrarem assuntos que estão em pauta no Brasil e no mundo, esses temas também são utilizados na redação. O texto produzido pelos candidatos que fazem o Enem, aliás, vale metade da nota. Ana Raquel Soares da Silva, 18, Ingridde Alves, 18, e Jefferson Renzetti, 19, elogiam a valorização dada à habilidade de escrever. “É importante porque o estudante precisa demonstrar que conhece os assuntos e sabe escrever.

Na prova objetiva, ele pode simplesmente dar sorte e tirar uma nota boa sem merecer”, pondera Ingridde. Lucília Garcez, escritora e professora aposentada da Universidade de Brasília, concorda com o valor dado pelos organizadores do Enem à redação. “É a única oportunidade que os alunos têm para demonstrar a habilidade acumulada na língua portuguesa. Por isso, é tão importante que seja valorizada”, defende. Ela recomenda que os estudantes leiam com atenção
o enunciado da redação.

Depois, escolham uma idéia principal para ser desenvolvida no texto. Em seguida, organizem argumentos a favor — pensando naqueles que podem combater aspectos contra — desse ponto de vista. Só depois façam o rascunho. “Dá tempo para fazer tudo isso, reler o rascunho, fazer ajustes e só então passar o texto a limpo.

A última lida deve ser feita para corrigir erros ortográficos, de pontuação, de gramática. É importante escrever de acordo com a norma padrão da língua, sendo impessoal, objetivo e coerente”, ensina Lucília. Boas expectativas Ana Raquel, Ingridde, Jefferson e o colega Jonathan Jones Cardoso de Melo, 18, pretendem fazer o Enem com vontade, para ter condições de disputar uma bolsa oferecida pelo ProUni.

Eles também querem aproveitar o momento para se auto-avaliar antes dos processos seletivos do fim do ano, como o Programa de Avaliação Seriada (PAS). “A prova é mais fácil que o vestibular, mas nos ajuda a ganhar experiência de avaliação e testar nossos conhecimentos”, comenta Jefferson.

Os alunos do Centro de Educacional 2 do Guará contam que não estão fazendo estudos específicos para o Enem. Procuram apenas escrever muitos textos para treinar a redação. Eles acreditam que o esforço para garantir notas altas na escola é suficiente para garantir um bom desempenho no teste. “A escola nos prepara”, garante Jefferson.