Medicina ou direito? Prestar no Rio ou continuar a viver em São Paulo?Devo largar tudo para estudar ou é melhor tentar equilibrar minha vida com os estudos? Diversas dúvidas “martelam” todos os dias a cabeça dos vestibulandos, e essas dúvidas podem acabar atrapalhando seu desempenho no vestibular ou levar você a tomar decisões das quais se arrependerá depois. Psicólogos desvendaram os mecanismos envolvidos na hora de uma escolha, veja como essas novas descobertas podem ajudá-lo na hora da decisão.

Luciano se viu diante de uma difícil e importante decisão na época em que estava prestando vestibular: Engenharia ou medicina? Na época Luciano gozava de uma vida tranqüila para qualquer jovem em idade vestibular, tinha um carro esporte do ano, uma moto importada na garagem, namorava uma das meninas mais populares do colégio, era um esportista dedicado e contava financeiramente com a ajuda do pai, porém Luciano nunca foi um estudante exemplar e se optasse por medicina queria estudar na mesma faculdade que seu pai estudou, Escola Paulista de Medicina e sábia que tanto entrar como sair daquela faculdade não seria fácil. 

Não Sei O que Fazer


Para chegar a uma decisão Luciano pesou os seguintes fatores:

1° Opção: Medicina.

- Se eu escolher medicina terei que largar tudo por um ou dois anos e me dedicar somente aos estudos.
- Terei que parar, pelo menos por um tempo, de praticar o esporte que tanto gosto.
- Minha namorada que ainda não está prestando vestibular não terá que aceitar que eu pare de sair à noite com ela, não vá mais as festas e fique estudando nos finais de semana.
- Mesmo depois de entrar na faculdade a vida não vai ser fácil, terei que estudar muito.
- Terei de abrir mão de algumas coisas de minha vida que serão importantes para mim.

Porém

- Farei um curso que gosto.
- Meu pai é médico e poderá me ajudar bastante tanto na minha vida profissional como nos estudos.
- Medicina é uma carreira promissora, todo mundo precisa de médico.

2° Opção: Engenharia.

- Como não vejo a necessidade de entrar numa faculdade pública não terei que abrir mão de tudo para ficar estudando.
- Também gosto de engenharia, gostaria de ser engenheiro, construir prédios...
- Não precisarei parar de praticar esporte, só terei que diminuir um pouco a freqüência.
- Não poderei sair todos os dias, mas certamente terei tempo de sair aos finais de semana.
- Não terei o grande peso da obrigação de entrar numa faculdade tão concorrida.

Porém

- Não conheço direito a profissão de engenheiro, talvez não seja exatamente como eu penso.
- Meu pai prefere que eu escolha medicina.
- Não sei como é o mercado de trabalho para engenheiros no Brasil.
- Uma faculdade particular terá custos maiores

Analisando bem e colocando todos os fatores na balança Luciano acabou optando por engenharia. Assim que se formou começou a trabalhar no ministério da fazenda, depois de dois anos largou o trabalho e montou sua própria empresa de engenharia. “Vivo bem” - diz ele - “ Mas se pudesse voltar atrás teria escolhido medicina” Luciano não se diz profundamente arrependido, sua construtora vai bem, tem um bom padrão de vida, mas conversando com ele é fácil notar o brilho nos olhos quando o assunto é medicina “ Meu pai queria muito que eu fosse médico, mas naquela época tinha outras prioridades, engenharia me parecia a escolha certa”.

As escolhas às vezes nos frustram, mas muitas vezes  também podem nos surpreender. Hoje Luciano diz que teria sido melhor se tivesse optado por medicina, mas se ele tivesse realmente escolhido ser médico, será que pensaria assim?

As decisões estão presentes em todos os dias de nossas vidas, desde decisões sem muita importância como: Devo cortar o cabelo ou espero crescer? Vou à praia ou à casa de campo neste feriado? Até decisões que podem mudar radicalmente o rumo das coisas e abalar profundamente o “Status quo”. Devo me mudar para o Canadá ou aceito esse emprego no Brasil? Devo me casar com ela ou devo esperar mais um pouco?

Dois cientistas alemães estudaram durantes anos os mecanismos de decisão do cérebro e lançaram no ano passado um livro que trata os “atalhos mentais” mecanismos inconscientes que permitem ao cérebro fazer escolhas inteligentes mesmo dispondo de pouco tempo e informação para tomar as decisões.

Quem é o primeiro ministro da Inglaterra? Tony Blair ou Arnold Thomas? Provavelmente você respondeu Tony Blair, e acertou. Mesmo não tendo muito interesse na política inglesa você já ouviu esse nome em algum lugar e no seu cérebro esse nome está relacionado com alguma coisa da Inglaterra, esse Arnold Thomas você nunca ouviu falar, seu cérebro por dedução já lhe enviou a resposta.

Os atalhos mentais antecipam a resposta à uma dúvida, mas nem sempre é a melhor escolha, quando você toma uma decisão seu cérebro da uma “vasculhada” nas informações arquivadas na sua memória lhe dando certa noção da probabilidade de sua escolha dar certo ou não e calculará as conseqüências dessa escolha mesmo você nunca tendo vivido uma situação semelhante.

Mas o que devo fazer para tomar a decisão correta? Nem sempre isso é possível, mas há algumas medidas que você pode tomar antes de uma decisão que podem lhe ajudar bastante.