Um novo indicador para avaliar o ensino superior no Brasil foi lançado ontem pelo Ministério da Educação (MEC). É o Índice Geral de Cursos da Instituição (IGC), que leva em consideração aspectos qualitativos da graduação e pós-graduação oferecidas por cada estabelecimento.

O primeiro balanço do novo conceito mostrou as universidades públicas na vanguarda. Das 10 melhores do país, apenas uma, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), é privada.

A Universidade de Brasília (UnB) ficou em 11º lugar. O IGC é calculado com base nas avaliações de desempenho dos estudantes da graduação, infra-estrutura, corpo docente, recursos didático-pedagógicos e conceito obtido pela pós-graduação, quando a instituição oferece. Cada item corresponde a uma pontuação que, somada, vai de 0 a 500.

O total de pontos leva a uma faixa, uma espécie de nota, que varia de 1 a 5. Na avaliação, os estabelecimentos foram divididos em três categorias: universidades, centros universitários, e faculdades isoladas ou integradas.

“Não tem cabimento comparar um indicador de uma universidade com o indicador de uma outra instituição que muitas vezes tem apenas um único curso”, explicou o ministro da Educação, Fernando Haddad, durante o lançamento da primeira edição do IGC, que avaliou 1.448 instituições.

Pouco mais de 300 estabelecimentos de ensino superior, 20% do total submetido às avaliações do ministério, ficaram de fora da pesquisa por serem recentes e ainda não terem formado turmas. Ranking A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) foi a primeira colocada em sua categoria, com 439 pontos, que a colocam na faixa 5.

Única privada das 10 mais bem-conceituadas, a PUC-RJ ficou em 9º lugar. Entre os centros universitários, o destaque ficou por conta das unidades de educação tecnológica mantidas pelo governo federal, que ocuparam seis das 10 primeiras colocações.

No ranking das faculdades integradas ou isoladas, áreas como administração de empresas, finanças, educação, medicina e odontologia dominaram os 10 primeiros lugares, todas com nota 5.

De acordo com Haddad, uma comissão de avaliadores do MEC fará, nos próximos 12 meses, visitas a todas as instituições que passaram pelo crivo do IGC. Aquelas que tiveram índice de 2 ou 1, diz o ministro, receberão uma atenção especial da comissão no sentido de verificar os problemas e cobrar mais qualidade.


Não haverá punição imediata para os estabelecimentos com conceitos baixos. Mas, segundo Haddad, o IGC será considerado no momento em que a instituição passar pelo recredenciamento ou pedir autorização para novos cursos.

Apesar da elevada colocação das instituições públicas (35,5% tiveram conceito 4 ou 5, e 43,8% ficaram com nota 3), 25 universidades e centros universitários fugiram à regra da excelência, tirando notas 1 ou 2. Entre os estabelecimentos privados, a maioria ficou entre o conceito 3 (46,6%) e 2 (25,6%).

A Universidade de Campinas (Unicamp) e a Universidade de São Paulo (USP) mantiveram o boicote à avaliação do governo federal. Como são estaduais, e não federais, a participação delas é facultativa. Haddad lamenta a ausências das duas instituições. “É um direito delas, mas o MEC perde muito, pois tenho certeza que as duas (Unicamp e USP) se sairiam muito bem, elevando a média da avaliação”, afirma o ministro.