Se depender do Ministério da Educação (MEC) nos próximos anos o
vestibular nas universidades federais será coisa do passado.
O órgão está reunindo especialistas que farão discussões com representantes das instituições nos Estados com um objetivo certo: acabar com o vestibular e criar uma nova forma de ingresso no ensino superior público.
De acordo com a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar, o fim do vestibular ajudaria a melhorar a qualidade do ensino médio no país. "Hoje as escolas passam três anos, preparando o aluno para uma prova, e não para a vida. O currículo tende a se ajustar a essa prova, que é seletiva e excludente.
Ele é treinado para decorar fórmulas e datas e obrigado a se aprofundar em conteúdos de várias disciplinas", salienta.
O uso da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como único critério de seleção é uma das formas mais cotadas pela especialista do MEC. Essa medida já está sendo cogitada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) para a conquista de 550 vagas, que serão disponibilizadas, no início do ano que vem, nos campi de Alegre e São Mateus.
"O Enem já mostrou ser uma ótima opção porque é um tipo de prova em que a reflexão do estudante é mais cobrada. Muitas universidades usam o seu resultado como seleção", avalia Pilar.
No entanto, a secretária disse que um programa de avaliação seriada, com uma prova por ano do ensino médio, não está descartada. "Essa forma de seleção foi adotada pela Universidade de Brasília, com sucesso. O estudante não se estressa tanto ao fazer uma única prova", opina.
Pilar salienta em outros países não existe a obrigatoriedade de estudo de tantas disciplinas, como no Brasil. "Geralmente, os estudantes têm um conteúdo amplo de Língua, Literatura, Matemática e História.
O restante do currículo é feito com base no que querem fazer adiante. Aqui eles são obrigados a estudar tantas disciplinas, que, muitas vezes, não farão sentido algum para o curso que ele escolheu", salienta.
A assessoria de imprensa da Ufes informou que a conquista das 550 vagas em São Mateus e Alegre, no início do ano que vem, por meio de avaliação das notas do Enem, ainda está sendo estudada. Não há, por enquanto, intenção de estender a possibilidade para o processo seletivo principal da instituição.
Possibilidade gera polêmica nas escolas particulares
A possibilidade de extinção do vestibular nas universidades públicas, está provocando polêmica entre os dirigentes de escolas. Há quem discorde que apenas a nota do Enem seja o melhor critério para o ingresso nas instituições.
É o caso do diretor de ensino do Ensino Médio Faesa, Hélio Rosetti. "O Enem não exige conhecimentos locais, como a Geografia, a História, a Cultura e a Literatura do Espírito Santo. Acredito que o ideal é que a Ufes mantenha o vestibular, com o uso da nota do Enem, como um percentual, que ajude o candidato, como já tem feito."
O diretor do Centro Educacional Leonardo da Vinci, José Antônio Pignaton, acredita que a Ufes deveria manter o vestibular, mas com um uso mais amplo da nota do Enem.
"O desempenho no Enem poderia ser usado no lugar da primeira fase do vestibular. Os candidatos, com melhores notas, seriam selecionados para as discursivas. A redação também seria aquela feita no Enem. Isso reduziria o estresse dos estudantes e os gastos com a estrutura do vestibular", sugere.
Já a orientadora educacional da Escola São Domingos, Rosemary Ferreira e Silva, acredita que a Ufes deveria adotar uma avaliação seriada, durante o ensino médio.
"Fazer apenas uma prova gera muita ansiedade. Desde o 1º ano, os alunos já querem participar do Enem. Essa nota poderia ser cumulativa, o que daria a eles a chance de se recuperar nos anos seguintes", avalia.
Análise
Ana Tinoco Bosi - Psicóloga
"O vestibular provoca uma pressão muito grande sobre o adolescente. Muitos perdem bons momentos desta fase da vida, estudando para esse teste, que na verdade não prova muita coisa. Conheço excelentes estudantes que são dedicados, mas que, na hora do vestibular, não conseguem se concentrar, ficam nervosos e acabam não sendo aprovados. Hoje o aluno sai do
ensino fundamental e se depara com uma escola que
promove uma verdadeira competição entre os alunos. O importante é
mostrar quem é o melhor. As famílias também fazem muitas cobranças.
Exigem o ingresso na universidade e na vida profissional, cada vez mais
cedo. Tudo isso pode provocar ansiedade e até depressão nos
adolescentes e isso torna a aprovação no vestibular ainda mais difícil.
Acredito que uma avaliação gradativa, feita ao longo de todo ensino
médio, seria menos danosa e mais justa para os adolescentes. Além
disso, a dedicação aos estudos aconteceria de forma mais saudável e,
provavelmente, sobraria mais tempo para o lazer e a família.
"Correto seria prova a cada ano do ensino médio"
Os colegas Luíza Louzada Dalvi (à esquerda), Pedro Cota Passos e Daniela Alves Nemer, estudantes do pré-vestibular do Colégio São Domingos, não acreditam que apenas o uso da nota do Enem seja suficiente para selecionar candidatos a uma vaga na Ufes. "Acho que as provas são bem diferentes. O correto seria fazer uma prova a cada ano do ensino médio e fazer uma média das notas. Isso faria com que os alunos estudassem o ensino médio todo e, não apenas, no terceiro ano", avalia Daniela. Pedro concorda. "Com uma prova a cada ano, não existiria tanto nervosismo", acredita.
"Enem cobra conhecimentos ao longo da vida"
Entre os professores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) também há quem acredite que o vestibular poderia ser substituído por outra forma de ingresso. A professora do Centro de Educação, Vânia Araújo, avalia que o uso da nota do Enem é uma possibilidade. "O Enem tem se mostrado um caminho interessante. Este exame cobra conhecimentos adquiridos ao longo da vida dos estudantes. Por isso, é uma prova bem diferente do vestibular, mas que também não desqualifica os conteúdos ensinados, dentro de sala de aula", avalia.
O órgão está reunindo especialistas que farão discussões com representantes das instituições nos Estados com um objetivo certo: acabar com o vestibular e criar uma nova forma de ingresso no ensino superior público.
De acordo com a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar, o fim do vestibular ajudaria a melhorar a qualidade do ensino médio no país. "Hoje as escolas passam três anos, preparando o aluno para uma prova, e não para a vida. O currículo tende a se ajustar a essa prova, que é seletiva e excludente.
Ele é treinado para decorar fórmulas e datas e obrigado a se aprofundar em conteúdos de várias disciplinas", salienta.
O uso da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como único critério de seleção é uma das formas mais cotadas pela especialista do MEC. Essa medida já está sendo cogitada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) para a conquista de 550 vagas, que serão disponibilizadas, no início do ano que vem, nos campi de Alegre e São Mateus.
"O Enem já mostrou ser uma ótima opção porque é um tipo de prova em que a reflexão do estudante é mais cobrada. Muitas universidades usam o seu resultado como seleção", avalia Pilar.
No entanto, a secretária disse que um programa de avaliação seriada, com uma prova por ano do ensino médio, não está descartada. "Essa forma de seleção foi adotada pela Universidade de Brasília, com sucesso. O estudante não se estressa tanto ao fazer uma única prova", opina.
Pilar salienta em outros países não existe a obrigatoriedade de estudo de tantas disciplinas, como no Brasil. "Geralmente, os estudantes têm um conteúdo amplo de Língua, Literatura, Matemática e História.
O restante do currículo é feito com base no que querem fazer adiante. Aqui eles são obrigados a estudar tantas disciplinas, que, muitas vezes, não farão sentido algum para o curso que ele escolheu", salienta.
A assessoria de imprensa da Ufes informou que a conquista das 550 vagas em São Mateus e Alegre, no início do ano que vem, por meio de avaliação das notas do Enem, ainda está sendo estudada. Não há, por enquanto, intenção de estender a possibilidade para o processo seletivo principal da instituição.
Possibilidade gera polêmica nas escolas particulares
A possibilidade de extinção do vestibular nas universidades públicas, está provocando polêmica entre os dirigentes de escolas. Há quem discorde que apenas a nota do Enem seja o melhor critério para o ingresso nas instituições.
É o caso do diretor de ensino do Ensino Médio Faesa, Hélio Rosetti. "O Enem não exige conhecimentos locais, como a Geografia, a História, a Cultura e a Literatura do Espírito Santo. Acredito que o ideal é que a Ufes mantenha o vestibular, com o uso da nota do Enem, como um percentual, que ajude o candidato, como já tem feito."
O diretor do Centro Educacional Leonardo da Vinci, José Antônio Pignaton, acredita que a Ufes deveria manter o vestibular, mas com um uso mais amplo da nota do Enem.
"O desempenho no Enem poderia ser usado no lugar da primeira fase do vestibular. Os candidatos, com melhores notas, seriam selecionados para as discursivas. A redação também seria aquela feita no Enem. Isso reduziria o estresse dos estudantes e os gastos com a estrutura do vestibular", sugere.
Já a orientadora educacional da Escola São Domingos, Rosemary Ferreira e Silva, acredita que a Ufes deveria adotar uma avaliação seriada, durante o ensino médio.
"Fazer apenas uma prova gera muita ansiedade. Desde o 1º ano, os alunos já querem participar do Enem. Essa nota poderia ser cumulativa, o que daria a eles a chance de se recuperar nos anos seguintes", avalia.
Análise
Ana Tinoco Bosi - Psicóloga
"O vestibular provoca uma pressão muito grande sobre o adolescente. Muitos perdem bons momentos desta fase da vida, estudando para esse teste, que na verdade não prova muita coisa. Conheço excelentes estudantes que são dedicados, mas que, na hora do vestibular, não conseguem se concentrar, ficam nervosos e acabam não sendo aprovados. Hoje o aluno sai do
"Correto seria prova a cada ano do ensino médio"
Os colegas Luíza Louzada Dalvi (à esquerda), Pedro Cota Passos e Daniela Alves Nemer, estudantes do pré-vestibular do Colégio São Domingos, não acreditam que apenas o uso da nota do Enem seja suficiente para selecionar candidatos a uma vaga na Ufes. "Acho que as provas são bem diferentes. O correto seria fazer uma prova a cada ano do ensino médio e fazer uma média das notas. Isso faria com que os alunos estudassem o ensino médio todo e, não apenas, no terceiro ano", avalia Daniela. Pedro concorda. "Com uma prova a cada ano, não existiria tanto nervosismo", acredita.
"Enem cobra conhecimentos ao longo da vida"
Entre os professores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) também há quem acredite que o vestibular poderia ser substituído por outra forma de ingresso. A professora do Centro de Educação, Vânia Araújo, avalia que o uso da nota do Enem é uma possibilidade. "O Enem tem se mostrado um caminho interessante. Este exame cobra conhecimentos adquiridos ao longo da vida dos estudantes. Por isso, é uma prova bem diferente do vestibular, mas que também não desqualifica os conteúdos ensinados, dentro de sala de aula", avalia.
3 Comentários:
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Mar 22, 2011
Nota:
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Liliana disse:
Se houvesse qualidade de
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Jun 06, 2010
Nota:
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Apr 09, 2009
Nota:
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Edeney disse:
Depois da Bolsa família,
De Cristina a Cha Hugo Chávez, Evo LUI - Hugo Chavez -Evo M -Cristina Kirchner (que -Fe -Rafael Corrêa. d MIDIA BRASILEIRA EU PERG UMA A EDENEY |



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